Exaltado Solar, da casta Dawn.
Nascido em 727, do calendário do Reino.
Profissão: Executor de Dragon-bloodeds
Hobbie: Socar, bater, moer, triturar, desmembrar, esfolar e desintegrar Dragon-bloodeds.
Prato predileto: Coração de Dragão.
Filme predileto: Coração de Dragão.


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Os Lados da Katana

     Geralmente o que nos importa em uma espada é com que ponto eu espeto meus inimigos. Mas como em tudo os japoneses gostam de uma certa dose de confusão, a Katana tem o lado da frente e o lado de trás.

Parte Frontal da Katana

     Na figura está representada a parte frontal da Katana. Ela é posicionada ao lado esquerdo da cintura com o corte voltada para cima. Então, o lado posterior fica colado ao corpo.

Parte Frontal e Posterior da Tachi

Parte Frontal da Tachi

     Na figura temos a representação da parte frontal da Tachi. A imagem assemelha-se a uma Katana ao contrário. A Tachi é posicionada ao lado esquerdo da cintura com a lâmina voltada para baixo.

     Os ferreiros gravam o Mei (nome) na parte frontal da Nakago (punho) e grava a data de quando a produziu na parte posterior. Por tanto, a parte com a Mei é a parte frontal. As Katanas são exibidas com o lado frontal visível nos museus de arte.

     No entanto há exceções para isso. Alguns artesãos gravam o Mei na parte posterior mesmo na Katana. Não me perguntem o porque disso. Esse assunto parece repetitivo, mas é importante notar que muitas vezes as pessoas não sabem como expor as Katanas nas lojas, ou até mesmo em casa.

Como Expor a Katana

Expondo a Katana

     Na figura podemos notar que a Wakizashi é suspensa acima da Katana. Por que isso?

     Quando o samurai sai de manhã, primeiro ele "veste" a Wakizashi e vai até a entrada carregando a Katana. E lá ele veste os chinelos e "veste" a Katana. Então, fica mais fácil de pegar a Wakizashi quando ela está acima.

     Mas sempre existem os do contra, aqueles que querem dispor a Katana acima. Você até pode fazê-lo, mas terá que inverter a posição do cabo. Por que?! Questão de etiqueta. Esse assunto merece um tópico aparte.

Como Expor a Tachi

Expondo a Tachi

     Ao exibir a Tachi, um apoio como no da figura é usado. E a cabeça do Tsuka é voltada para baixo, e o corte é voltado para a direção do apoio.

     No próximo texto vou abordar algo mais interessante. Os métodos para se fazer uma Katana. Preparem suas forjas pois vou dar o passo a passo.



 Escrito por Anórion Sulin às 03:48
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Classificação das Espadas Japonesas

     Este assunto apesar de interessante, é bastante complicado e técnico. Não sei se agrada a todos. Mas como eu já comecei não pretendo parar até ter dito tudo o que sei sobre katanas. Caso alguém queira protestar "me encontre no estacionamento após a aula".

     Eu já escrevi sobre a classificação dada às katanas quanto a sua idade, ou período em que foi confeccionada. No entanto, hoje descreverei a classificação quanto o comprimento e algumas peculiaridades entre as diferentes lâminas japonesas.

Classificação por Comprimento

     A classificação quanto ao comprimento da lâmina é a seguinte:

Katana - o comprimento da lâmina é maior que 60cm.
Wakizashi - o comprimento da lâmina é maior que 30cm e menor que 60cm.
Tantou - o comprimento da lâmina é menor que 30cm.

Tachi e Katana

     Eu já mencionei a diferença entre ambas espadas. Entretanto, gostaria de reforçar que a diferenciação entre elas é muito importante. A Katana tem a lâmina voltada para baixo e é carregada no Obi (cinto japonês para o kimono). A Tachi tem a lâmina voltada para baixo e é carregada suspensa na cintura. É isso, o modo de vestir difere entre elas. Volto ao assunto para adicionar outros detalhes.

     Além disso, o uso delas também difere. A Tachi corta o inimigo que está no chão quando montado a cavalo. A Katana começa a ser usado quando os métodos de batalha mudam dos cavalos para o chão, e a velocidade do saque da espada torna-se preponderante. Por tanto, o propósito de ambas espadas é diferente.

     Ainda que, o tamanho da lâmina da Katana seja em torno de 71cm, a lâmina da Tachi é geralmente maior. E se ela se apresenta menor isso não faz dela uma KatanaTachi é Tachi porque foi forjado como uma.

Naginata e Nagamaki

Naginata     Naginata é a arma perfeita para picar neguinho e ela tem um cabo longo. Os samurais começaram a usar a Naginata noNagamaki período Heian, mas naqueles dias eles apenas ataram um longo cabo a uma longa espada Syoubu-dukuri, espada com a forma de planta Iris nipônica. A este tipo de arma deram o nome de Nagamaki.

     Naginata possuem dois tipos de formas, como na figura. O da esquerda tem uma lâmina larga e com uma curvatura acentuada. Essas são para as mulheres. Chamamos ela de "modelo feminino". Ela parece pesada e a lâmina e grande. Você pode estar achando que uma mulher não conseque usá-la. Normalmente, a força da mulher é menor, então a lâmina é mais curta que para os homens. Quando encurtamos a lâmina, o peso torna-se insuficiente para picar 'os neguinho'. Então a lâmina larga e forte curvatura compensam isso. Assim as mulheres podem fatiar os coitados com facilidade. As explicações para este efeito milagroso da curvatura da Naginata darei no futuro. Vou fazer um pouco mais de mistério.

     E o assunto não tem fim... Quem mandou perguntar. Agora agüenta!



 Escrito por Anórion Sulin às 18:35
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Partes da Katana

     Para entender os diferentes tipos de katana é preciso aprender os nomes das partes que formam uma katana. Pois as variações entre as diferentes escolas de ferreiros diferem nestes pequenos detalhes.

     Esta parte pode ser um tanto complicado, ou diria até mesmo chato, para aqueles que não são tão entusiastas do assunto. Porém, garanto que será do agrado da maioria dos freqüentadores deste blog.

     VamoPartes da Katanas direto ao assunto:

 

 

 

 

 

 

Hawatari (comprimento da espada) - é a distância entre o A e o B.
Sori (curvatura) - é a distância entre o C e o D.

 

 

 

 

 

 

 

 

Partes da Katana

 

 

 

 

 

A: Mune - o lado oposto ao corte.
B: Shinogi-ji - a superfície entre a aresta e o Shinogi-suji.
C: Shinogi-suji - a linha que corre paralela à aresta.
D: Mune-machi - o fim da aresta.
E: Yasuri-me - marcas de lima.
F: Mei - Nome do ferreiro.
G: Mekugi-ana - um orifício para a fixação do Nakago ao Tsuka, por um prego feito de bambu seco.
H: Hamon - o traço de um corte temperado.
I: Ha - corte.
J: Ji - superfície entre o Shinogi-suji e o Hamon.
K: Ha-machi - o fim do corte.
L: Nakago - o punho da lâmina.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

     O Machi é limite entre a lâmina e o punho. Há dois machis, do lado da lâmina, e do lado da aresta.

     O Yasuri-me serve para segurar o cabo de madeira na lâmina da katana. Esta peculiaridade vem sendo usada desde as espadas koto. A Yasuri-me difere entre cada escola de ferreiros, por tanto esse é um ponto importante que se deve atentar na hora da avaliação de quem fez a katana, e quando o fez. Embora na figura a lima esteja representada apenas em uma parte da Nakago (punho), na realidade a lima preenche toda ela.

     Como cada artesão tem responsabilidade por seu próprio trabalho, eles gravavam o Mei. O mei é o seu nome, e em alguns casos eles também gravavam a data.

     Hamon é a parte da lâmina em que a característica do aço e alterada, por reações químicas, quando esta é forjada. O desenho que se forma como montanhas é o Hamon, e esta parte é mais dura que as outras partes da lâmina. Existem vários padrões de Hamon e cada escola possui seu Hamon característico. Há explicações físicas para o surgimento do Hamon no momento da forja, no entanto, todas as explicações deste tipo eu darei em separado, em outro post.

     Mesmo que a Nakago fique sempre escondida no Tsuka, ele e uma parte importante quando vamos avaliar uma katana. O material dele é diferente do Kawatetsu (aço de fora da lâmina), então ele enferruja com o passar do tempo. E esta ferrugem é importante para avaliação da idade da espada. E também existem diferentes estilos de Nakago.

Partes da Katana

 

A: Kissaki - é a ponta da espada.
B: Fukura - é a curva na ponta da kissaki.
C: Boushi - é o corte forjado da kissaki, e é uma das partes mais importantes. Caso não haja o boushi o valor da katana se perde. Podemos ver a habilidade do artesão observando o boushi. Detalharei as dificuldades para a confecção do boushi em outra oportunidade.
D: Monouchi - a parte que corta os neguinho...
E: Kaeri - o Boushi forma-se na direção da extremidade da kissaki (ponta), no entanto ela faz uma curva em direção à aresta, formando um ângulo em U, a isso denominamos Kaeri.

 

 

Kasane e Mihaba

     Kasane é a grossura da katana, e a largura, do corte à aresta, é a Mihaba. Simples.

Hi

     Hi é uma vala gravada na lâmina da katana. O Hi serve para tornar a espada mais leve, não deixa a lâmina entortar, e suaviza o impacto dos golpes.

Hi e Hamon

     Na imagem você pode ver a vala. E logo abaixo você pode identificar um padrão como uma montanha branca, este é o Hamon. Faz-se o Hamon se tornar branco artificialmente na hora de afiar a lâmina. É um tipo de maquiagem para a katana.

     O Hi é classificado em diferentes tipos de acordo com o local até onde a vala é entalhada. Nas figuras abaixo, as partes pretas são os His. Alguns His vão até o fim do Nakago, outros param no Machi, exitem os intermediários, e entre os que param no Machi existem os que são quadrados e os arrendondados.

HiHi

     Agora creio que vocês entenderão melhor os termos que eu utilizarei nos futuros posts. É recomendável que vocês os tenham sempre em mente. Pois não vou hesitar em usá-los. Até a próxima.



 Escrito por Anórion Sulin às 02:56
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A Confecção da Espada

     Olha... tenho tanto material para falar sobre a confecção das espadas que eu acho que levarei um bom tempo para postar tudo. Mas garanto que será muito interessante, por tanto, aproveitem ao máximo, e tenham paciência.

Mestre Ferreiro

Materiais para Confecção da Katana

     Todos os mestres ferreiros produtores de qualquer tipo de espada enfrentaram um dilema básico: o aço deve ser duro para poder ser afiado, mas o aço duro é frágil e quebra facilmente.

     Muitas técnicas foram desenvolvidas pelo mundo afora sobre este problema técnico, porém entre todas elas a solução japonesa é incomparável. A solução encontrada foi a combinação de estruturas compostas e endurecimento seletivo. É surpreendente como os antigos ferreiros, sem entender de metalurgia moderna, puderam desenvolver tal delicado equilíbrio.

Tatara     O aço para uma espada japonesa é produzido de um pigmento preto, areia-como óxido férreo (Fe2O3), chamado Wetetsu. E para fazer o aço wetetsu, o oxigênio ter que ser removido, e o carbono introduzido no ferro. Esse processo é denominado fundição de minérios. Na tradicional fundição nipônica, utiliza-se a Tatara, um tipo de forno de barTamahaganero, para que em relativa baixa temperatura possa se produzir o aço cru, chamado Tamahagane. A cor e a textura do tamahagane dependem das impurezas do minério, e assim dependem do local da coleta do material.

     No tatara se coloca o minério de ferro sobre o carvão vegetal em brasa. E esse processo de colocação do minério dura 3 dias ininterruptos. A parte do fundo desta massa líquida é o tamahagane. Mas o rendimento do processo é bem ruim. Caso você utilize 10Kg de minério e 12Kg de carvão conseguirá apenas 2,5Kg de tamahagane. Por isso este material era considerado precioso.

     No entanto, o uso do tatara na produção do aço durou até a era Meiji, quando se começou a importação da tecnologia estrangeira de fornos de alta temperatura, com a utilização de carvão mineral. O problema é que o derretimento do minério a altas temperaturas produz um cristal de aço estufado e quebradiço.

     Utilizando-se carvão vegetal você pode fazer aço a "baixas" temperaturas, então as impurezas dificilmente derretem e o cristal de aço não estufa.

     Entretanto, o estilo estrangeiro de manufatura espalhou-se gradualmente e o tatara caiu em desuso. Você deve estar se perguntando o porque desta besteira. Mas isso é fácil de se compreender. É só nos lembrarmos de que foi mais ou menos nesta época que a produção em massa de espadas tornou-se necessária, e a qualidade do aço já não era tão importante. Inclusive, a mudança na classificação das espadas de Koto (espada velha) para Shinto (espada nova) se deu nesta época. Essa classificação não se refere somente à qualidade do material empregado na confecção mais pela forma de confeccioná-las que também se alterou muito para garantir a produção em grandes quantidades.

     Em 1933 o tatara até foi ressuscitado, e chamado de Yasukuni Tatara, mas o tamahagane dificilmente fora produzido depois disso, e em 1940 já não havia mais estoques de tamahagane.

     Atualmente, caso algum ferreiro queira produzir uma katana ele precisa confeccionar um pequeno tatara ou coletar antiguidades metálicas, como pregos antigos e processá-los em uma substância próxima ao tamahagane.

CaractCorte transversal da Katanaerísticas da Katana

     Lembram daquele grande dilema sobre a dureza e maleabilidade do aço? Então, a solução encontrada pelos ferreiros nipônicos foi encapar um aço flexível com um aço duro. O aço de fora é duro, assim ele se torna difícil de quebrar, e por dentro o aço é maleável para absorver os impactos, e por isso maleável. O aço externo é denominado Kawatetsu, e o aço interno é denominado Sintetsu. Há alguns casos em que o corte é feito independentemente, com uma combinação dos metais, denominada Hatetsu, que significa "corte de aço".
     Há uma pequena confusão que alguns fazem quanto ao tipo de aço que vai internamente e externamente na katana. Isso porque, alguns imaginam que o corte da lâmina seja produzido com o material interno. Mas na verdade o sintetsu fica na parte sem corte. Mas como eu disse há alguns casos em que se utiliza o hatetsu para produzir o corte.

 

  

Curvar, Dobrar e Forjar o Aço

     Para se fazer uma katana o tamahagane é curvado, dobrado e forjado repetidas vezes. Habitualmente, o aço externo, o kawatetsu, sofre este processo umas 10 vezes.

Forja

     Com esse procedimento as impurezas são removidas e faz com que o carbono se distribua uniformemente pelo aço.

     Se este trabalho for repetido 10 vezes, serão produzidas 1024 camadas de aço. Esta é a razão da rigidez da katana. Quando um aço estrangeiro é dobrado, as camadas não se aderem.

     Embora o tamahagane seja excelente, a quantidade de carbono se altera conforme o local da peça, então você tem que nivelá-lo. Quando você martela o material, fagulhas projetam-se. Essas fagulhas são as impurezas. Este trabalho é muito cansativo por isso são necessários alguns ajudantes.

     O meu próximo post será sobre os nomes de todas as partes de uma katana, por isso não deixe de conferir.



 Escrito por Anórion Sulin às 02:50
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Período Muromachi (1394 d.C. a 1573 d.C.)

   Então vamos dar prosseguimento ao texto. Parei de escrever, exatamente, quando ia dar início ao período Muromachi, aquela em que houve cem anos de guerra interna. Isso foi proposital, pois este período merece ser dividido em 2 partes, já que houve evolução das espadas neste período. Então aqui vai.

Início Muromachi (1394 d.C. a 1466 d.C.)

    Com o crescimento dos exércitos os soldados montados ficaram cada vez mais raros, e os ashigaru foram tornando-se a força principal. Ainda eram produzidos muitos tachis, no entanto, a era das katanas já estava surgindo. Os odachis, ou nodachis, eram poderosos, entretanto, logo no início do período Muromachi perceberam que as espadas com lâmina mais curta eram mais fáceis de portar e muito mais rápidas para sacar. E, justamente, pensando na velocidade do saque que os artesãos passaram a encurvar ainda mais as lâminas, mesmo sendo para soldados a pé. Então as espadas desta época tinham entre 69.7cm a 72.7cm de comprimento, eram curvas e estreitavam a largura na ponta. Este estilo de espada passou a ser conhecida como Uchigatana, e no fim deste período quase todas as espadas já eram deste modelo.

Uchigatana

Fim Muromachi (1467 d.C. a 1573 d.C.)

    Inicia-se aquele período dos cem anos de guerra, e a mobilidade dos exércitos torna-se estrategicamente vital, então as espadas acabam tornando-se ainda mais curtas. A maioria das espadas produzidas nesta época tinha em torno de 60 a 65cm de comprimento. Pode-se dizer que estas eram as características básicas das espadas denominadas katanas. Por tanto, este fora o auge delas.

    A katana é uma espada relativamente curta que é levada no obi (cinto) com a extremidade cortante voltada para cima, pois isso viabiliza o saque da espada com apenas um movimento. Ao contrário da tachi que era pendurada no obi com a extremidade cortante voltada para baixo.

    Nesta época a demanda por espadas foi enorme e a qualidade das espadas não poderia ser a mesma para todas elas. O termo Kazuuchi foi utilizado para definir aquelas espadas produzidas em massa, diferenciando-as das de boa qualidade.

    Foi nesta época que a fama das espadas nipônicas alcançou terras chinesas, e estas passaram a importar espadas japonesas. O volume de produção era tão grande que se chegou a contabilizar 100 mil espadas exportadas à Dinastia Ming.

Período Azuchi-Momoyama (1573 d.C. a 1602 d.C.)

    Estão lembrados do que ocorrera em 1543 que afetou para sempre o estilo de lutas campais? Acertaram aqueles que responderam a chegada dos portugueses com suas armas de fogo.

    No início o impacto destas armas não foi muito grande, pois as mesmas eram muito lentas e difíceis de serem recarregadas, então dificilmente se via uma em batalha. Mas o grande estrategista Oda Nobunaga as usou na com grande efeito na batalha de Nagashino, em 1573. Nesta batalha um grupo de pistoleiros dizimou o clã Takeda, consideradas as melhores tropas montadas do país.

    Essa nova estratégia tornou as tropas montadas impotentes contra formações apertadas de ashigaru munidas com armas de fogo. Logo, as armaduras tiveram que sofrer adaptações, e se tornaram mais grossas para protegerem contra balas. E em contrapartida as espadas tornaram a serem mais longas, mais pesadas e mais robustas, para transpassarem as novas armaduras.

Período Edo (1603 d.C. a 1868 d.C.)

    Este é a época pós-guerras, quando surge o bakufu Tokugawa, que rege o país por centenas de anos. Neste período de aparente paz as artes ficam em alta e as espadas tornam-se mais refinadas. As matérias primas ficam acessíveis e a troca de experiência entre os ferreiros é facilitada.

    Neste ambiente mais ameno, em que os mercadores vinham enriquecendo e as artes ganhando prestígio, estranhamente, a fabricação de espadas foi um negócio próspero. Não pelo motivo usual, da necessidade da utilização das mesmas, mas pelo fato de que os artesãos passaram a utilizar novos tipos de metais de cores variadas para produzir uma decoração mais estética às armas, e assim as espadas se tornaram mais relacionadas ao status do guerreiro, ganhando contornos de símbolo de poder, e não mais de arma para combate.

    Como a diferença entre as espadas produzidas antes e durante o período Edo era muito grande as pessoas passaram a classificá-las como “espadas velhas” e “espadas novas”.

    Como um longo período de guerra foi sucedido por um longo de paz um grande número de samurais acabaram se sentindo meio inúteis, ou ociosos. Assim nasceram muitas escolas de kenjutsu nesta época. Acredita-se que havia mais de 600 escolas diferentes nesta época.

Período Moderno (1869 a -)

    Como foi no período subseqüente ao Edo que a classe samurai foi extinta então, em termos de confecção de espadas podemos considerar que a partir do período Meiji em diante entramos no período moderno das espadas.

    Com a restauração Meiji o samurai perde o direito de portar o Daisho, o par de espadas que tinha sido o símbolo de sua classe.

    Sem mercado para espadas os ferreiros tiveram que achar outra fonte de renda. Entretanto, o governo Meiji logo se viu em uma empreitada militarista e as espadas se fizeram mais uma vez necessárias. Só que já não havia tantos ferreiros e o Japão passava por uma onda de industrialização então a maioria dessas armas foi produzida, em massa, em fábricas.

    Quando o Japão perdeu a II Grande Guerra Mundial os Estados Unidos proibiram a fabricação de espadas, isso foi um golpe fatal à arte da forja. E como o poder militar recaiu sobre os americanos, estes confiscaram as armas japonesas. E cerca de 400 mil espadas historicamente e artisticamente importantes acabaram nos Estados Unidos. Com isso toda a arte japonesa da produção de espadas estava quase extinta.

    Afortunadamente, em 1953, as fábricas de espadas voltaram a se tornar legais. E com isso, aqueles antigos mestres puderam passar o seu conhecimento à futura geração.

    Hoje em dia há em torno de 250 ferreiros em atividade no Japão, produtores de espadas que se assemelham muito às espadas do passado. E com os avanços da tecnologia pode-se dizer que estas novas espadas chegam a superar em qualidade e beleza às espadas produzidas pelos seus ancestrais. Mas jamais poderemos compará-las quanto ao seu valor histórico.

Partes da Katana

   Aqui vai a classificação das espadas referente à idade das mesmas, ou o período que elas eram confeccionadas, acrescida das eras mais recentes:

Jokoto (espadas antigas) - 795
Koto (espadas velhas) - 795 a 1596
Shinto (espadas novas) – 1596 a 1624
Shinshinto (espadas mais novas) – 1624 a 1876
Gendaito (espadas contemporâneas) – 1876 a 1953
Shinshakuto (espadas modernas) – 1953 a –

    Este foi o histórico das katanas. Mas como brinde continuarei a escrever sobre elas. Agora abordarei as diferentes formas de confecção que geraram diferentes classificações entre as espadas. Até logo.



 Escrito por Anórion Sulin às 05:04
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História da Espada no Japão

     Fiquei feliz com a quantidade de comentários sobre o post da Guerra Russo-Japonesa. Mas como o post já está a muito tempo e o assunto ainda não morreu resolvi escrever algo sobre o assunto. Só que isso não vai ser agora, pois tenho que atender a demanda, e há uma fila de pedidos sobre textos que devo postar. Então começo pelo pedido do Mol, que quer conhecer um pouco mais sobre as katanas e sua evolução. Com o intuito de encontrar imagens interessantes para ilustrar os meus textos tive a sorte de encontrar muito material interessante. Acabei aprendendo muito mais. Então vou repassar todo este material em partes, como fiz com as eras do Japão. Ok? Então vamos nessa.

Período Jomon

Espada de Pedra

     Vocês se lembram daquele período dos vasos de barro? Então... Naquela época já se produziam as primeiras espadas no Japão. Mas estas eram feitas de perda, por tanto, sem corte. Elas eram armas de caça, de luta, e também de rituais religiosos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 Período Yayoi

Espadas de Bronze     Foi neste período que eu relatei sobre espadas sendo encontradas enterradas. Porém estas espadas já não eram de pedra, mas sim de bronze. Acredita-se que estas espadas vieram importadas da China. Comparativamente às espadas de pedra, as de bronze eram tinham uma qualidade muito maior e uma decoração mais requintada, por isso elas passaram a ser símbolos de status. No entanto, o bronze é um material muito suave, não permitindo um bom fio e robustez. Outro fator negativo é a alta corrosividade do cobre.

 

 

 

 Período Asuka

Chokuto     As espadas feitas de aço tiveram sua origem na China e Coréia, entretanto, sabemos que no século V elas já eram produzidas no Japão. Estas eram retas, com fio um fio chamadas Chokuto. Mas como este ainda era o estágio inicial na arte da feitura de espadas muitos testes eram feitos, e algumas espadas de lâmina dupla também eram fabricadas.

 

 

 

 

 

 

 Período Heian

Tachi     Até o século VIII o que predominava eram as espadas de lâmina reta, então o estilo de luta começou a se alterar com a introdução dos cavalos nas batalhas, o que gerou a necessidade se encurvar as lâminas para facilitar o desembainhamento rápido. Esta curvatura é denominada Sori. Assim surgiram as Tachis (tati), as espadas curvas de fio único.

     O termo Nipponto ou Nihonto (literalmente, “espada japonesa”) é normalmente reservado às espadasAssinaturas com curvatura.

     Existiram muitas formas intermediárias entre o Chokuto e o Tachi. Os mais freqüentes entre eles eram os Kagarasumarus (curvada com duplo fio) e os Kenukigatatachi.

     Também foi nesta época que criou se a famosa técnica de forja com dois tipos de material, com o interior da lâmina macio e o exterior duro.

     Outro costume adotado nesta época é a assinatura do artesão em suas obras, o que demonstra o surgimento de ‘grifes’.

 Período Kamakura

Tachi Kamakura     Este período é conhecido como a idade dourada das nihontos. Lembrem-se que agora havia um novo governo militarista no poder. O bakufu obrigou todos os melhores artesões a trabalhar para a corte com isso a coIkubinfecção das espadas alcançou um notável progresso.

     As espadas de Kamakura eram mais largas, com pequena diferença entre a o topo e a base da lâmina.

     A ponta das lâminas, chamada de kisaki, era freqüentemente de tipo ikubi (pescoço de touro).

     Foi também no período Kamakura que houve as invasões mongóis lideradas por Kublai Khan. E o encontro das armas provou que havia fraquezas nas Tachis. Por exemplo, a ponta era facilmente quebrada e não podia ser consertada. Estas experiências afetaram o desenho das espadas posteriores.

 

 

 Período Nanpokucho (1334 d.C. a 1393 d.C.)

     Vocês vão notar que eu não fiz menção a este período quando narrei a história do Japão. Embora seja uma época de extrema importância ela foi curta e por isso, quase sempre, é aglutinada ao período Muromachi.

     Esta foi a época da restauração Kenmu, quando o imperador Godaigo retoma o poder nas mãos da linhagem imperial. Só que dura pouco tempo no poder, pois suas atitudes levam Takauji a expulsá-lo e criar o bakufu Muromachi.

     Este período foi recheado por muitas guerras e isso fez com a necessidade por espadas alcançasse uma grande escala. Mas a quantidade trouxe uma queda na qualidade de muitas espadas.

     A grande quantidade de soldados gerou os ashigaru, aqueles que não lutavam a cavalo e iam à pé. E isso elevou uma vez mais a importância das espadas muito longas, devastadoras quando usadas com as duas mãos. Essas Odachi e Nodachi tinham lâminas entre 1,20m e 1,50m. Existiram algumas espadas com mais de 2 metros de comprimento, porém estas eram apenas cerimoniais.

     Aí está o início da grandiosa arte da forja de espadas. Nos próximos posts descreverei melhor os tipos de espadas e as formas de forja. Aguardem e confiem.



 Escrito por Anórion Sulin às 00:06
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Período Heisei (1989 d.C aos dias atuais)

     Chegamos aos dias de hoje, o Período Heisei. E como não podemos fazer uma avaliação abrangente deste período, limito-me a comentar a sucessão do trono do crisântemo. Com a morte de seu pai, Akihito assume o poder e inicia uma nova era, marcada por grandes avanços e tranqüilidade. Em 1993, o príncipe se casa com a plebéia Shoda Michiko.

 Família Imperial
A Família Imperial. Da Esquerda: Princesa Masako, Princesa Sayako, o Imperador Akihito, Princesa Mako, Príncipe Akishino, a Imperatriz Michiko, Princesa Akishino - carregando a Princesa Kako, Príncipe da Coroa Naruhito

     A partir do começo da década de 90 o Japão firma-se como a segunda maior potência econômica mundial, acumulando saldos gigantescos no comércio exterior, principalmente nas relações comerciais com os Estados Unidos.

     Finalmente, concluo este relato de todas as eras por quais passou o Japão. Um país belo, culturalmente rico, economicamente um gigante, mas que tem um povo sofrido. Que teve que aturar guerras, fomes, calamidades naturais, e com isso aprendeu a se unir para avançar. Um povo orgulhoso de suas raízes e que sabe que o trabalho duro é a única forma para atingir a satisfação pessoal. Se teve momentos em sua história em que erraram, certamente, o castigo também já foi lhes impingido sem misericórdia. Assim moldou-se a cultura nipônica atual. Influenciada pelo ocidente, fortemente enraizada no passado, e embasada no trabalho duro. Até a próxima...



 Escrito por Anórion Sulin às 04:51
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Período Showa (1926 d.C a 1988 d.C)

     Estou de volta, e pronto para por o ponto final nesta longa jornada pela história do Japão. Durante minhas 'férias' no Rio notei que o meu post sobre a Guerra Russo-Nipônica tornou-se um fórum de debate acirrado. Já foram 15 comentários sobre o assunto 'samurai'. Isso é um recorde insuperável neste humilde blog, e eu não poderia deixar de comentar.  Comentando rapidamente sobre o Rio de Janeiro. Fui, aproveitei um pouco de Ipanema e do Sol carioca, conheci o Jardim Botânico, e voltei são e salvo, mesmo tendo me hospedado em frente à favela 'Pavão Pavãozinho'. Em suma, sobrevivi ao Rio.

     Agora voltemos ao tema central, História do Japão. Se na Primeira Guerra o Japão havia conquistado muitos territórios, o mesmo não pode ser dito na Segunda Guerra Mundial. Saibam como foi o governo do Imperador Hiroito e o Período Showa.

     O ano de 1928 foi o ano das cerimônias da coroação do jovem imperador Hiroito, cujo reinado foi designado por era Showa, "Luz e Harmonia". Os conservadores se opuseram ao seu casamento e como um filho tardava a chegar o imperador recusou-se a arranjar uma concubina, como os seus antecessores tinham feito. Hiroito sucedera ao pai como regente, em 1922, por razões de saúde do progenitor. Por ocasião da sua coroação, em 1928, o jovem imperador prometeu no seu discurso orientar o seu povo em harmonia, aumentar o bem-estar da nação e defender a paz através do mundo. Talvez possamos dizer que o reinado de Hiroito dividiu-se em duas partes: uma época de guerra e outra de paz.

O Militarismo dos Anos 30

     Durante a década de trinta a população atingiu a marca dos 65 milhões, duplicando em menos de um século. Com o agravamento da crise econômica, boa parte da população japonesa foi condenada à fome e à miséria. Diante dessa situação, setores militares ultranacionalistas defenderam a idéia de que apenas uma expansão territorial poderia amparar o excedente demográfico. Assim, contra a vontade do imperador Hiroito, os militares conseguiram quase o controle completo do governo.

     Nos anos 30, os japoneses avançaram lentamente para o sul da Manchúria, apesar da ausência de uma política definida. Em 1933, o Japão retirou-se da Sociedade das Nações para demonstrar o seu descontentamento pelas conclusões da Comissão da Liga de Lytton. Nesse mesmo ano, o Japão reconheceu Manchukuo (Manchúria) como um Estado independente. Primeiro Estado-fantoche dos anos 30, este Estado era chefiado por "Henry" Pu Yi, o último governante manchu. Os postos principais foram ocupados por manchus e chineses, normalmente homens idosos que tinham estudado no Japão Meiji, mas os burocratas nipônicos detinham o controle efetivo e foram nomeados para os ministérios. O Japão colocou uma considerável soma de dinheiro no desenvolvimento deste Estado, mas a derrota do Japão deu-se antes de poder tirar benefícios destes investimentos.

     Os passos militares arbitrariamente dados no sentido de atingir uma hegemonia regional isolaram o Japão da opinião internacional. A agressão japonesa na China e os relatos das atrocidades dos nipônicos, principalmente em Nanjing, voltaram definitivamente a opinião dos ingleses e americanos contra os japoneses. No entanto, a Alemanha não se deixou impressionar tanto e diplomatas amadores dentro do exército nipônico conceberam a idéia de reter os britânicos e especialmente os americanos unindo-se com a Alemanha e com a Itália num Pacto Anti-Comunista Internacional, que foi assinado em 1936. O pacto continha promessas de ajuda no caso de um dos membros se envolver com um país ainda não em guerra, os Estados Unidos.

     O deflagrar da guerra na Europa, em 1939 foi seguido das vitórias nazistas no ocidente em 1940 e do ataque à União Soviética em 1941. O ministro dos Estrangeiros, Matsuoka Yosuke seguiu os passos de Hitler ao encetar um Tratado Neutral com a Rússia na crença de que estava formando uma grande coligação com a Alemanha, Japão, Itália e União Soviética de poderes revisionistas contra as nações anglo-americanas que se recusaram a cooperar com o Japão na China. Quando esta coligação se desfez com os ataques germânicos, o príncipe Konoe Fumimaro, chefe do Gabinete, afastou-se de Matsuoka, que queria se juntar aos alemães através de um ataque ao norte. A necessidade urgente do Japão de matérias-primas só podia ser satisfeita agora através de uma maior investida no sudoeste asiático ou através de concessões aos Estados Unidos, reduzindo as taxas da sua possessão na China. Konoe procurou atuar no sentido de estabelecer relações mais estreitas com os Estados Unidos, posição totalmente oposta à política de Matsuoka. Tentou até o fim conseguir um encontro pessoal com o presidente Franklin Roosevelt na esperança de poder encontrar qualquer solução. Tendo falhado a sua ação diplomática, Konoe, desiludido, demitiu-se e foi substituído pelo general Tojo Hideki.



 Escrito por Anórion Sulin às 03:44
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Pearl Harbor e as suas Conseqüências

     Dois fatores impediram que a reunião tivesse lugar. Um foi a insistência por parte dos Estados Unidos num certo acordo acerca da China antes de ter lugar a reunião entre as grandes potências. Os dirigentes americanos duvidavam da capacidade de Konoe para dominar o exército e receavam que se encorajassem o Japão levaria Jiang Jieshi a aceitar as lisonjas japonesas para si. O outro fator foi que o supremo comando do exército Japonês, consciente de que as defesas russas perante um ataque da Manchúria seriam fortes, decidiu ocupar imediatamente a Indochina a fim de fortalecer as suas posições estratégicas no sudoeste asiático. Tal ação inviabilizou a possibilidade de negociação com Washington e provocou de imediato retaliações na forma do congelamento de bens japoneses e o corte de fornecimento de petróleo. Os militares não se mostravam contentes com as conversações entre Konoe e Roosevelt. Quando o almirante Nomura, embaixador japonês em Washington, foi incapaz de assegurar acordos moderados a título provisório, a decisão de se iniciar a guerra levou ao ataque a Pearl Harbor, em dezembro de 1941.

     Os êxitos iniciais do Japão foram taticamente brilhantes, mas estrategicamente desastrosos. Os militares, e particularmente a marinha, não queriam a guerra com os Estados Unidos, conscientes de que não tinham possibilidades de agüentar o combate por muito tempo, mas forçados a desperdiçar o seu equipamento enquanto havia possibilidades de vitórias. Estas podiam alterar o cenário das negociações e aumentar a chance de êxito. Mas aconteceu exatamente o oposto. Os recursos do sudoeste asiático só deram para algum tempo e foram inadequadamente geridos, enquanto a humilhação inicial da derrota provocou nos americanos e nos aliados a determinação de exigirem uma rendição incondicional.

     Na batalha de Midway, nos fins de maio e princípio de 1942, as baixas sofridas pela força aérea japonesa alteraram o equilíbrio de forças. A dispendiosa e difícil conquista das ilhas do Pacífico foi para frente e perderam-se centenas de vidas, mas para os japoneses conscientes do que acontecera a guerra estava irremediavelmente perdida. Em 1944, as forças de MacArthur retomaram as Filipinas e na primavera de 1945 a invasão de Okinawa iniciou uma terrível batalha cujo desfecho foi a rendição das forças nipônicas sobreviventes em junho. O almirante Sukuki Kantaro, que se encontrava retirado, tornou-se primeiro-ministro.

     Em maio de 1945, aviões B-29 atacaram as principais cidades japonesas com bombas incendiárias, à exceção de Kyoto. Por todo o Pacífico, tropas japonesas recuaram, incapazes de se manterem no terreno. As autoridades navais recorreram aos vôos suicidas dos kamikazes, como forma de compensar as perdas de petróleo e da qualidade do material aéreo. O próprio Japão diminuiu a produção de alimentos, visto que não tinha uma força laboral agrícola adequada e começou a cortar pinheiros para extrair petróleo das raízes. Assim que se chegou a fevereiro de 1945, Konoe Funimaro enviou um memorando ao imperador apelando para a necessidade de acabar com a guerra.

     Por parte dos americanos, o presidente Truman exigiu aos Aliados que "os japoneses não fossem escravizados como raça ou destruídos como nação... dever-se-ia permitir ao Japão manter as indústrias que contribuíssem para o desenvolvimento da sua economia... e deveria ser permitida uma eventual participação dos japoneses no comércio mundial", e "as forças de ocupação aliadas abandonariam o Japão assim que a punição aos criminosos de guerra, o desarmamento militar e a instituição das reformas democráticas fossem cumpridos e estabelecido um governo pacífico e responsável de acordo com a vontade do povo japonês".

Cogumelo Atômico

     O gabinete de Suzuki não teve capacidade de resposta e utilizou o termo mokusatsu ("ignoro" ou "sem comentários") ao dirigir-se ao público. Tomando essa atitude como uma rejeição, os dirigentes americanos prosseguiram com o seu intento de utilizar a primeira bomba atômica. Pois os Aliados exigiam a rendição incondicional, sem meios termos. Em 6 de agosto de 1945, precismente às 8:16h, em Hiroshima e em 9 de agosto de 1945, aproximadamente às 11:01h, em Nagasaki, foram apresentados ao mundo o terror atômico. Em Tokyo, o ministro de Exército, Anami, queria aguardar pela invasão, na esperança de que as enormes perdas provocadas por essa invasão levariam os americanos a garantir o sistema imperial. Divididos e numa situação de impasse, o gabinete procurou o imperador para lhe aconselharem sobre a decisão que deveriam tomar. Ele resolveu a questão a favor da Declaração de Potsdam. Foi preparada uma declaração anunciando a posição do governo e o soberano gravou-a na rádio à meia noite de 15 de agosto, hora de Tokyo.

     Nessa noite uma insurreição de oficiais matou o seu comandante e invadiu o palácio para encontrar e destruir a gravação. Mas esta estava bem guardada e no dia seguinte a nação ouviu pela primeira vez a voz do seu governante. "Continuar a lutar, não só pode resultar num último colapso e na obliteração da nação japonesa, mas também a levara à total extinção da civilização humana. Sendo assim, como salvaremos nós os milhões de súditos e como enfrentaremos os espíritos sagrados dos nossos antepassados imperiais?... decidimos abrir o caminho para a paz para todas a gerações vindouras, suportando o que não se pode suportar e sofrendo o que não se pode sofrer".
     A guerra deixou mais de 1.800.000 mortos, só no Japão, e 40% de suas cidades foram destruídas e a economia completamente arrasada.
     Ao final da II Guerra Mundial, o Japão estava devastado. Todas as grandes cidades (exceto Kyoto), as indústrias e as linhas de transporte foram severamente danificadas. As sobras da máquina de guerra japonesa foram destruídas. Cerca de 500 oficiais militares cometeram suicídio logo após a rendição incondicional, e centenas de outros foram executados por cometerem crimes de guerra.

     O país perdeu todos os territórios conquistados desde 1894. As ilhas Ryukyu, incluindo Okinawa, foram controladas pelos Estados Unidos, enquanto que as ilhas Kurile, ao norte, foram ocupadas pela União Soviética. A escassez de suprimentos continuou ainda por vários anos. Afinal, a população havia crescido mais que 2,4 vezes em relação ao começo do período Meiji, contando com 85 milhões de pessoas.



 Escrito por Anórion Sulin às 03:39
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A Ocupação e o Isolamento do Pós-Guerra

     A partir de setembro de 1945, até a implementação do Tratado de Paz de São Francisco, na primavera de 1952, o Japão esteve sob a ocupação dos Aliados, comandada pelo general Douglas A. MacArthur. Como comandante supremo das forças aliadas (SCAP), MacArthur recebia ordens do Departamento de Guerra de Washington e o Japão era essencialmente uma ocupação americana. Desde que a opinião pública americana e européia se centralizou nos problemas da Europa, MacArthur passou a ter maior liberdade de ação. Tornou-se necessário o conhecimento do povo, do país e da sua língua para operar através do governo japonês.

     Os japoneses foram repatriados do estrangeiro e o Japão não manteve relações externas ou negócios com o estrangeiro até recuperar a sua soberania em 1952. De uma certa forma, os nipônicos voltaram a um isolamento comparável ao da época de Tokugawa, com a diferença de que agora as informações e as influências do exterior vinham da América e não da Holanda. As mudanças provocadas por MacArthur podem ser comparadas às do período Meiji. Pela segunda vez, as instituições eram consideradas inadequadas e desatualizadas. Os costumes "diabólicos" do passado foram desacreditados e procuravam-se conhecimento no estrangeiro. Mais uma vez estas atitudes surgiram de cima, mas não com o objetivo de fortalecerem o império, mas de o tornarem pacífico e justo.

     O SCAP eliminou os postos militares do velho Estado. A forças armadas foram desmobilizadas, baniram-se as organizações nacionalistas e várias centenas de milhares de indivíduos perderam as suas posições de destaque.

     O estado shintoísta foi destruído e no dia do ano novo o imperador Hiroito renunciou à sua origem divina. O Ministério do Interior foi dissolvido e as suas funções atribuídas a outros departamentos. Os princípios zaibatsu foram dissolvidos. No campo da educação, a supremacia da Universidade Imperial de Tokyo foi desafiada por uma série de oportunidades que se abriram para o ensino superior. Pouco a pouco, a descentralização e a liberalização substituíram o rígido elitismo da velha sociedade. A paz e a democracia encontravam-se na ordem do dia. O Japão já não tinha que ser uma ameaça para o mundo.

     A pedra fundamental da nova estrutura institucional do Japão consistia numa Constituição proposta pela Seção Governamental do SCAP e implementada em 1947. O imperador é o símbolo do Estado derivando a sua posição "do desejo do povo detentor do poder soberano". O documento incluía trinta artigos, que continham o mínimo de bem-estar e vida cultural, bens coletivos e liberdade acadêmica e regras que puniam a discriminação do ser humano segundo a raça, credo, sexo, estatuto social e origem familiar.

     O nome de "Constituição da Paz" deriva do artigo IX, onde é invocada a linguagem do Pacto de Paris para renunciar à guerra como "um direito soberano da nação", seguido do princípio de que as forças terrestres, marítimas e aéreas, bem como outros potenciais de guerra, nunca deviam ser mantidas. Após a Guerra da Coréia e a restauração da soberania do Japão foi criado um Gabinete de Autodefesa, segundo o princípio de que o Japão tinha o direito de se defender, embora essas forças não pudessem ser utilizadas fora das áreas territoriais nipônicas, nem o seu equipamento podia ser prejudicial à natureza.

     As mulheres ganharam o direito de votar e os trabalhadores, de se organizarem e fazerem greves.

Reformas Econômicas e Sociais

     O maior êxito do programa do SCAP no que respeita às reformas econômicas foi o de transformar os arrendatários de terras em proprietários. Em 1946, sob a direção do SCAP, as comissões de proprietários e representantes de arrendatários escolheram terras qualificadas para compra e revenda a arrendatários compradores que fossem qualificados. A terra era comprada e vendida a preços pré-inflacionados, de tal forma favorável para aqueles que as adquiriam que, a maior parte liquidou as suas dívidas em quatro anos. A reforma agrária acabou com a injustiça e a miséria, principais queixas em 1930. Os progressos conseguidos na agricultura e uma política de proteção contra as importações levaram a um grande nível de prosperidade rural nunca antes atingido.

     A reforma industrial começou com um plano ambicioso para acabar com 1200 companhias, restando destas apenas 28. Os maiores consórcios zaibatsu foram reestruturados nas unidades que os constituíam e separados das famílias que tinham estado no seu centro. As firmas eram o resultado de uma cooperação e tornaram-se um grupo de empresas reunidas à volta de um banco. Estas linhas industriais, ou keiretsu, tornaram-se bastante importantes e essa importância aumentou à medida que a economia japonesa crescia. O programa de reforma industrial alterou a liderança e a exclusividade dos zaibatsu, mas deixou-os com muito poder. Por outro lado, uma fase de instabilidade durante a qual muitos executivos foram afastados, favoreceu o aparecimento de novos talentos e de uma nova imaginação. Os empresários individuais, como os fundadores da Sony e da Matsushita (Panasonic), devem ter tido os seus maiores problemas durante o período antes da guerra, com o oligopólio.

     Depois de se terem passado vários anos falando de reformas e de democratização, o discurso do SCAP começou a mudar, tornando-se mais receptivo aos políticos conservadores do que aos socialistas. Havia boas razões para isso: uma delas foi a de que muitos oficiais do SCAP sentiram que os seus objetivos tinham sido atingidos e que as mudanças institucionais haviam terminado, no entanto, a razão principal era a mudança internacional. Como se tornava cada vez mais claro que o governo do Kuomintang na China ia ser substituído por um governo comunista, o Japão assumiu grande importância estratégica para os Estados Unidos. Os editos outrora dirigidos contra os conservadores de direita, eram agora dirigidos contra os comunistas e os sindicatos, que tinham sido cuidadosamente apoiados, agora pareciam perigosos. Passou a ser mais importante a reconstrução da economia japonesa do que a sua divisão em pequenas unidades.

     As relações exteriores, completamente interrompidas durante o período de ocupação americana, só foram retomadas a partir de 1951. Nesse ano o Japão assina o Tratado de São Francisco, que lhe dá o direito de resolver seus assuntos estrangeiros e lhe devolve a soberania. Todavia, o veto à manutenção de um exército é mantido. Além disso, o Japão é obrigado a pagar indenizações aos países vizinhos agredidos por ele durante a guerra.

     No final da ocupação em 1952 foram inúmeras e inesperadas as ironias da história. Os esquerdistas japoneses, normalmente antiamericanos, lideraram a Constituição da Paz e procuraram defendê-la, enquanto os oficiais americanos aliciavam o Japão a retomar o rearmamento. Não se pode negar que as alterações introduzidas pela ocupação transformaram o Japão numa sociedade capitalista de classe média.



 Escrito por Anórion Sulin às 03:34
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Recuperação e Prosperidade

     O Japão surgiu como o primeiro beneficiário de um sistema de comércio do pós-guerra e como o maior produtor do mundo de artigos dos mais variados, desde automóveis a aparelhos eletrônicos, todos frutos de um alto nível industrial e desenvolvimento econômico.

     A economia japonesa aproveitou-se das vantagens que os Estados Unidos tiveram durante a Guerra da Coréia. Durante e após a guerra, a inflação foi detida através de uma série de reformas. O Japão começou com um orçamento relativamente equilibrado, uma moeda estável e um câmbio favorável e as suas empresas estavam em condições de reagir imediatamente às oportunidades oferecidas pela guerra para ganhos exteriores e para o crescimento.

     O Japão aproveitou a situação internacional em outros aspectos: o país saiu da guerra com as suas empresas praticamente destruídas, mas o empenho dos seus operários foi estimulado através da competição com os países industrializados mais avançados. Como as empresas, que foram reconstruídas segundo os moldes mais avançados e mais eficientes do que as dos países poupados das bombas.

Os Fatos que Estão por Detrás do Milagre Econômico

     Os dirigentes do Japão podiam fazer muito pouco para se desligarem econômica e politicamente dos estreitos laços que mantinham com os Estados Unidos, o que ao mesmo tempo constituiu uma vantagem para o país. O compromisso que a América tinha tomado de defender o Japão, permitiu aos nipônicos gastar menos verbas do orçamento na própria defesa.

     O aumento populacional no Japão também foi tido em consideração. O aumento da expectativa de vida e o acréscimo da riqueza, associados à legalização do aborto levaram, em 1950, o Japão a manter níveis de crescimento de população típicos dos países altamente industrializados.

     As alterações verificadas na estrutura econômica do Japão também foram importantes. A primeira de todas foi a alteração dramática na proporção relativa dos trabalhadores industriais para os trabalhadores agrícolas.

     Como os produtos industriais melhoraram em qualidade, houve um grande aumento na proporção do valor acrescentado pelo trabalho e um correspondente declínio na proporção do custo de importação. As necessidades de importação do Japão tornaram-no gradualmente no maior mercado para todo o tipo de matérias-primas, incluindo petróleo.

     O maior recurso nipônico era o seu povo. A legislação do pós-guerra criou padrões de trabalho e o sistema da empresa combinado com o emprego efetivo dos trabalhadores especializados criou laços de lealdade para com a empresa.

     A alta tecnologia requeria um elevado nível educacional e isto sem separar a aprendizagem do que era tradicional. O número de estudantes que freqüentava o ensino superior, bem como o número de escolas superiores aumentou bastante. Proporcionalmente, no Japão formavam-se duas vezes mais engenheiros que nos Estados Unidos e a competência da sua força laboral era bastante elevada.

     Em 1969 os americanos abandonam cerca de 50 bases militares lá instaladas, devolvendo Okinawa três anos mais tarde. O Japão foi admito à ONU em 1956, e em 1960 renova tratados com os EUA. No mesmo ano as reparações aos países vizinhos são todas pagas. As Olimpíadas de Tokyo, em 1964, representam uma nova esperança para o povo japonês; no ano seguinte são estabelecidas relações formais com a Coréia. As desgastadas relações diplomáticas com a China são normalizadas em 1972. A partir de 1975, o país passa a integrar as conferências anuais com os sete países mais industrializados do planeta.

Em 1973 a crise do óleo abala a economia japonesa, que sofre um afrouxamento na expansão econômica e uma crise monetária. O primeiro ministro Kakuei Tanaka declara então "estado de urgência" para combater a crise. A reação da economia, tão dependente do óleo, foi o fortalecimento das indústrias de alta tecnologia.

     Assim se deu o período mais doloroso, e ao mesmo tempo mais próspero, para o Japão. Quando o país viveu a destruição atômica e ressurgiu das cinzas como potência econômica e cultural admirada por todo o mundo.



 Escrito por Anórion Sulin às 03:26
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Período Taisho (1912 d.C. a 1926 d.C.)

     Bem, parece-me que andei me empolgando demais nos textos e acabei extrapolando a quantidade de linhas.  Vou tentar me conter. Estamos na reta final. Já deixamos o governo bakufu para trás e vimos um novo imperador voltar a dar as ordens no país. Agora veremos o que acontece quando esse poder passa para as mãos de seu filho. Conheçam o Período Taisho.

 Imperador Taisho
Imperador Taisho (segundo da esquerda para direita na parte da frente) revistando tropas na Guerra Mundial

     Em 1912, morre o imperador, conhecido por Meiji, o qual é sucedido pelo seu filho Taisho. Durante a era Taisho, o poder político passa gradualmente da oligarquia para o parlamento e os partidos democratas.
     O Japão participou da Primeira Guerra Mundial junto aos Aliados, em respeito a tratados firmados com a Inglaterra. Mas sua atuação restringiu-se apenas a lutas contra colônias alemãs no leste asiático. Através deste modesto envolvimento na Primeira Guerra Mundial, o Japão aumentou o seu prestígio internacional e as suas posições na Ásia e no Pacífico. O envolvimento das forças ocidentais na Grande Guerra na Europa forneceu ao Japão a oportunidade para se apoderar das colônias germânicas na China e no Pacífico e para pressionar a China a fazer novas concessões territoriais a seu favor.
     Em 1918, satisfazendo a velha ambição de se sentar ao lado dos grandes poderes, o Japão foi convidado a participar, como um dos "cinco grandes", na Conferência de Paz de Versalhes, onde lhe foi reconhecido o controle sobre Shandong e as ilhas do Pacífico e igualmente assegurado um lugar no conselho da Sociedade das Nações.
     A confusão que envolveu a queda do czar e a revolução bolchevista na Rússia levou as ambições militares nipônicas até o controle da Sibéria Oriental. Em julho de 1918, o Japão enviou 75.000 soldados como parte de uma expedição militar à Sibéria. Uma vez aí, os japoneses mostraram-se relutantes em ceder às pressões internacionais para retirar e mantiveram forças militares na Sibéria até 1922.
     A Primeira Guerra Mundial provocou grandes alterações na vida econômica e social do Japão. Como a economia ocidental estava absorvida na produção de material de guerra, o Japão foi capaz de produzir para os novos mercados do ocidente e principalmente da Ásia. Com o fim da guerra, as exportações desceram rapidamente e a inflação dos tempos de guerra abriu caminho para uma nova era de queda de preços. Num esforço para se manterem competitivas no setor moderno, as firmas aumentaram os investimentos e procuraram atingir um maior grau de produtividade. Contudo, o mesmo processo aumentou a diferença entre salários e qualidade de vida entre os operários do setor moderno e do setor tradicional. A par de tudo isto, surgiu a tendência para o oligopólio no setor moderno, onde as firmas zaibatsu, estruturadas em holdings, estavam nas mãos de famílias como Mitsui, Iwasaki (Mitsubishi), Yasuda, Sumitomo, Okura e mais algumas que atingiram proporções gigantescas.
     A divisão da economia em dois níveis de estrutura teve conseqüências importantes. Na política, grupos rurais insatisfeitos obtiveram, graças ao sistema eleitoral, uma influência política considerável e uma influência que serviu para aumentar as ambições políticas do exército, que era chamado a intervir como orador e protetor dos recrutamentos rurais. Em termos econômicos, a estrutura diferencial perpetuou uma ilimitada oferta de mão-de-obra barata porque a economia moderna, graças à eficiência técnica, requeria cada vez menos mão-de-obra suplementar. O mercado interno também cresceu lentamente, porque a maior parte da população foi condenada a uma baixa produção e a baixas receitas.
     A proposta japonesa de "igualdade racial" foi rejeitada pelos Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha. A discriminação racial sobre o povo japonês sempre existiu e foi o principal motivo para a deterioração das relações entre Ocidente e Japão.
     Após a guerra, a situação econômica piorou. Em setembro de 1923, um grande terremoto destruiu Tokyo, a capital.
     Os anos 20 marcaram um grande colapso econômico, agravado pelos prejuízos causados pelo terremoto. O sistema bancário mostrava-se periclitante porque os empréstimos não eram pagos. Estas "contas calamitosas", como eram conhecidas, contribuíram para arruinar o sistema de ações bancárias, visto que os bancos que as tivessem estavam pendentes das lentas decisões dos serviços governamentais. As conseqüências desta crise foram tão grandes que se pode afirmar que o Japão entrou na grande depressão com dois anos de antecedência sobre os outros países industrializados.
     Como resultado, aumentou a concentração industrial à volta das maiores firmas zaibatsu que tinham resistido ao colapso. Os seus bancos, o núcleo de cada rede, foram extremamente importantes para as firmas não zaibatsu. Assim, a economia japonesa do fim dos anos 20 era substancialmente diferente da economia que surgira com a Primeira Guerra Mundial. A era Taisho trouxe um grande desenvolvimento econômico e uma grande diversidade de indústrias elétrica, química e de maquinaria, mas a diversidade foi acompanhada por uma grande disparidade no bem-estar entre os dois estratos da economia japonesa. Os cartéis e os oligopólios conduziram à instabilidade política e social, assinalando a política e as desordens dos anos 30.
     Assim era o Japão no início do século passado. Já moderno, capitalista, ocidentalizado e virtualmente democrático. Porém, como herança dos governos belicosos do passado ele continuou a encarar a geopolítica de forma totalmente agressiva. O país buscava uma aceitação mundial, como sendo um país soberano e igual a outras superpotências da época, mas os grandes se recusavam a vê-lo como igual. As vitórias em pequenas batalhas no Pacífico, somadas ao ego ferido dos líderes resultaram no pano de fundo para o Período Showa. Entretanto, como eu prometi não me prolongar vou deixar isso para mais tarde. Valeuuu...



 Escrito por Anórion Sulin às 01:17
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