Exaltado Solar, da casta Dawn.
Nascido em 727, do calendário do Reino.
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Hobbie: Socar, bater, moer, triturar, desmembrar, esfolar e desintegrar Dragon-bloodeds.
Prato predileto: Coração de Dragão.
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  Without Mercy!


Período Meiji (1868 d.C. a 1912 d.C.)

     Enfim estamos chegando à modernidade. Enquanto, os samurais lutavam entre si para garantir sua superioridade moral perante as classes burguesas que necessitavam de contato com o ocidente, o mundo ocidental realizava sua grande transformação industrial. E o Japão tinha que seguir este desenvolvimento, senão, em algum momento, perderia sua hegemonia. Seria facilmente dominado pelo estrangeiro. Quanto a isso, nem o mais conservador dos samurais poderia refutar. Todos concordavam que o país deveria se unir em torno da modernização nacional. Então, foi com este sentimento que chegamos ao Período Meiji.

Imperador Matsuhito
Imperador Matsuhito

     A declaração da "restauração" do governo imperial, em janeiro de 1868, pôs fim a uma década de controvérsias sobre a condução das relações externas. Em 1860, os domínios de Satsuma, Choshu e Tosa fizeram sucessivas propostas para a reconstrução do país, favorecendo cada vez mais a corte imperial e a si próprios. Com as demonstrações de lealdade por parte dos oficiais shoguns para com a corte imperial, e com a punição de Choshu por ter se atrevido a transpor os portões do palácio imperial, em 1864, a supremacia Tokugawa começou a ser ameaçada. A necessidade de incluir a corte imperial numa ação mais vasta parecia clara, e quando o shogun foi aconselhado a render-se, em 1867, cedeu na esperança de continuar a manter a sua relativa importância numa nova estrutura política colegial. Os acontecimentos provaram-lhe que não tinha razão, visto que os seus rivais o manobraram a fim de obterem uma autorização imperial para o castigar como inimigo da corte. A Guerra Civil de Boshin, durante a qual os exércitos "imperiais" de Satsuma, Choshu e Tosa marcharam sobre os domínios de Tokugawa, terminou no fim da primavera de 1869.
     A política turbulenta dessa década pôs fim a 268 anos de domínio Tokugawa. O Japão não se encontrava em tumulto porque a guerra tinha-se dado entre samurais. No entanto, era grande a desordem econômica. Nos anos de 1866 e 1869, houve más colheitas de cereais, provocando uma grande crise em diversas áreas. Tudo isso ainda foi agravado pela voracidade dos exércitos que circulavam no país e pelo disparar da inflação em 1860.
     Nas áreas que se encontravam ao lado do exército imperial e que, por conseguinte tomaram posição contra Tokugawa, crescera a esperança da diminuição de impostos para os camponeses, mas na prática, tal ilusão se desvaneceu depressa. O pior de tudo era a violência das guerras dos samurais, que prejudicaram diretamente os bens dos cidadãos que não tinham participado nessas contendas.
     O golpe político que expulsara os shoguns do poder não propusera qualquer alternativa. Satsuma e Choshu foram, a maior parte do tempo, mais rivais do que aliados. Como aliados, mereciam a desconfiança da maioria dos japoneses. Freqüentemente, as tão anunciadas intenções do novo regime de honrar os compromissos externos provocaram recriminações e violência contra os presumíveis líderes do novo regime. Vários samurais destacados da última fase da era Tokugawa foram assassinados. Pelo menos durante uma década, nenhuma figura destacada da restauração viveu sem a ameaça de assassínio.

A Carta de Oath de Abril de 1868

     A 6 de abril de 1868, o imperador Mutsuhito assinou um documento no qual estavam expressos cinco pontos fundamentais e que ficou conhecido como "Carta de Oath". Elaborada para atenuar as resistências entre os daimyos, propunha como objetivos nacionais a justiça e a mudança:

1 - Seriam criadas várias assembléias com poderes deliberativos e todo os assuntos seriam decididos através de uma discussão pública.

2 - Todas as classes, alta e baixa, unir-se-iam na administração dos assuntos do Estado.

3 - Tanto o cidadão comum, como os oficiais civis e militares seriam livres para seguirem o seu próprio caminho para não haver descontentamento.

4 - Os costumes perversos do passado seriam banidos e tudo seria encarado segundo as leis normais da natureza.

5 - Procurar-se-iam adquirir novos saberes pelo mundo a fim de fortalecerem o poder imperial.

     Este brilhante documento foi elaborado por um pequeno grupo de líderes da restauração em sucessivas etapas. Era destinado à elite, mas estava implícito que também se tornaria importante para o cidadão comum, os oficiais civis e militares. Prometia mudança e desenvolvimento, mas era pouco específico e reafirmava o princípio feudal de que nas "assembléias", nas quais os assuntos fossem "resolvidos por discussão pública", ser-lhes-iam ouvidas as suas opiniões. A procura de conhecimentos através do mundo prometia um sistema que fortaleceria o poder imperial e poria fim às peculiaridades de uma autoridade extremamente dividida e que as petições da pré-restauração, várias vezes, apontaram como algo de embaraçoso. Tudo era prometido e nada era especificado.
     Os líderes serviram-se da imagem do imperador, bem como das suas palavras. O jovem soberano era transportado como um deus em grandes procissões imperiais para se dar a conhecer aos seus súditos e para ele próprio conhecer o seu povo. Em 1881, o jornal Yomiuri dizia, aos seus leitores, que "amanhã, dia três, é Tencho Setsu. Tencho Setsu é o aniversário do imperador japonês, sua majestade Mutsuhito. Formalmente, os shoguns governam o nosso país, mas agora é diferente... toda a gente tem de estar alegre, pois é um grande dia feriado... Há muita gente boa que não conhece o nome de Tenchi Sama. Mas ter nascido neste país e não saber isto é como não sabermos a idade de nossos pais. É imperdoável. Não pode ser esquecido...".
     O carisma da corte foi fundamental desde o princípio, pois facilitou as relações entre o novo regime e os grandes senhores feudais e, com o tempo, tornou-se também crucial para assegurar a cooperação e obediência do povo japonês.



 Escrito por Anórion Sulin às 11:33
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A Centralização Política

     A faceta mais visível e duradoura da restauração Meiji foi a centralização administrativa. A adoção do nome Meiji ("governo iluminado"), para designar esta era, e a proclamação de uma capital nacional (Tokyo) na cidade fortificada shogun de Edo eram prenúncios de um plano para modernizar as instituições políticas.
     A afirmação do poder pelo imperador era necessariamente um passo significativo para a centralização, visto que punha fim aos extremos da política compartimentada do sistema bakufu Tokugawa. O destaque dado ao problema das relações externas também serviu para reforçar o sentimento de um só Japão, que tinha que se confrontar com os países estrangeiros.
     A vitória na Guerra de Boshin não levou a uma centralização imediata. Essa vitória eliminou a principal casa Tokugawa da competição política. Os vassalos Tokugawa dissociaram-se da causa shogun e rivalizaram com os daimyos em declarações solenes de lealdade à casa imperial. A esmagadora supremacia militar de Satsuma e Choshu e a restauração dos feudos do sudoeste levantaram suspeitas em relação às suas próprias ambições como shoguns. Em resumo, a restauração deixou intactas as instituições da última época do feudalismo Tokugawa.
     Em parte para afastar as suspeitas e também para reduzir as responsabilidades militares que começavam a pesar nos seus tesouros, os domínios do sudoeste fizeram uma petição à corte para aceitar o regresso dos seus registros feudais em 1869. O documento requeria à corte que voltasse a atribuir terras quando achasse apropriado e para unificar a administração, sempre no sentido de colar o Japão segundo os moldes internacionais. Outros daimyos viram-se ultrapassados e apressaram-se a apresentar as sua petições.
     A corte aceitou estas petições em julho de 1869 e imediatamente reconduziu os daimyos como governadores das áreas que tinham controlado como senhores feudais. Estes passos dados na direção de uma centralização justificavam uma alteração na nomenclatura: os novos "governadores" juntaram-se à velha nobreza da corte (kugue), numa nova classe denominada agora kazoku.
     Parecia que o processo seguinte, eliminar os domínios, encontrava-se já em curso. Os chefes dos domínios regressaram às suas terras para concretizar as reformas, a ousadia das medidas davam alguma indicação do que estava por vir. O governo central tomava mais rapidamente decisões no seu território restrito, do que o fazia a nível nacional. Treze dos duzentos e sessenta domínios restantes também tinham pedido para serem inseridos nos domínios imperiais.
     Em janeiro de 1871, os líderes militares dos feudos juntaram as suas forças armadas, de 10.000 homens, para formar a guarda imperial. Oito meses mais tarde, declarou-se a abolição dos domínios e as novas unidades administrativas, em número consideravelmente menor, mas com uma área maior, foram denominadas prefeituras.
     À medida que se avançava, aumentava a responsabilidade do governo central. Os kazoku fizeram logo parte de uma nova classe social designada por "pequena nobreza" (shizoku) e os militares de patente mais baixa foram chamados de sotsu. Logo, desde o início quando os sotsu se misturaram com os shizoku, formaram uma enorme e dispendiosa classe militar improdutiva, que se tornou um grande problema para o novo regime.



 Escrito por Anórion Sulin às 11:25
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A Composição do Novo Governo

     Como o governo central cresceu em importância e em poder, a sua configuração também se alterou. A princípio, quando se fez sentir a necessidade de cooperação, muitos cortesãos e daimyos poderosos ocuparam postos de chefia. Os primeiros documentos, como a Carta de Oath, proporcionaram a partilha das decisões e a discussão geral, e os domínios nomearam representantes dos seus senhores em Tokyo para avançar sugestões e propor alternativas. Como o governo ganhava em territórios e em credibilidade, havia menos necessidade e espaço para figuras simbólicas, verificando-se também uma maior oportunidade para os líderes dos domínios do sudoeste e a abolição formal dos seus domínios deu-lhes a possibilidade de se dedicarem mais aos problemas do centro. Gradualmente, o governo foi se tornando menos aberto, mais implacável e autoritário, ignorando as expectativas e os pedidos locais.
     A acrescentar à sua autoridade militar e burocrática, o governo utilizou a tradição para justificar o processo de modernização. O Dajokan (Conselho de Estado), criado em agosto de 1869, permaneceu até o sistema moderno em 1885. As solicitações que rodeavam o imperador a respeito da religião shintoísta levaram à criação de uma religião oficial, tendo-se criado um conselho shintoísta, como prova dos laços existentes entre a deusa do Sol e o seu descendente imperial e conferindo ao regime e às suas declarações um tom teocrático. De 1869 a 1871, este conselho esteve acima do próprio Conselho de Estado. No entanto, com a modernização administrativa, foi perdendo importância e acabou como uma subdivisão do Ministério dos Assuntos Internos em 1877.
     Os samurais do centro tentavam manter a sua influência e estatuto, baseando-se na antiguidade e no soberano, para levarem a cabo medidas de centralização em breve espaço de tempo. A administração local permanecia nas mãos de uma geração, como não podia deixar de ser. Com a abolição dos domínios e com a dispersão dos exércitos privados dos daimyos tornou-se possível  colocar o Japão ao lado das potências estrangeiras, como uma nação moderna.

O Fim do Governo Guerreiro

     A restauração Meiji foi levada a cabo por uma coligação de chefes samurais do sudoeste, que, aliados aos nobres da corte, tentaram dominar o bakufu Tokugawa. O monopólio da violência dos samurais simbolizado nas espadas chegara ao fim, com a proibição do seu uso por samurais, em 1876. A segurança e o serviço militar foram transferidos para novas forças recrutadas. Os requisitos do estatuto legal dos samurais, roupas, apelidos e comportamento desapareceram sob a nova igualdade de uma sociedade sem classes com o lema "Um governante, dez mil súditos".
     Isto nos dá conta da falta de prestígio dos samurais na última fase da sociedade Tokugawa. Com rendimentos fixos numa sociedade onde se faziam fortunas, o relativo bem-estar dos militares declinou ao longo dos tempos. Os militares encontravam-se entorpecidos com os longos séculos de paz. Os processos administrativos e culturais motivaram os samurais mais ativos, mas a maior parte caiu na indolência, com escrúpulos inúteis e na ociosidade. Entretanto, com o desenvolvimento do comércio e da agricultura durante o período de paz, surgiram plebeus com um nível de educação, um espírito independente e empreendedor igual ao dos seus chefes militares.
     Após a dissolução dos domínios, o governo assumiu a responsabilidade pelos honorários dos samurais. Como cedo verificou que este encargo colocava limites à sua capacidade para conduzir as reformas, o governo tentou uma série de medidas, até que em 1876, foi declarado o direito de permutas na esperança de que os que detinham terras convertessem os seus privilégios hereditários em empreendimentos construtivos para a nova sociedade.
     Uma alternativa para desmobilizar os samurais era, sem dúvida, usá-los na guerra. O caso da Coréia tomou grandes proporções, tornando-se um problema para a administração Tokugawa em 1868. De acordo com os princípios da restauração, o Japão teria que procurar manter um entendimento claro com os seus vizinhos. Por isso, o novo governo Meiji enviou uma missão à Coréia para informar os seus governantes da mudança de regime no Japão, cancelar os compromissos estabelecidos entre a Coréia e o bakufu Tokugawa e estabelecer um contato direto entre os dois países. Os coreanos não concordaram, e informaram os japoneses de que se escolhessem um comportamento ocidental, com tratados diplomáticos formais, teriam que ser incluídos no grupo dos bárbaros e expulsos. Esta resposta inflamou os chefes samurais. Por volta de 1873, os líderes políticos de Tokyo decidiram tentar resolver o assunto. Saigo Takamori, o maior chefe militar da restauração, propôs ser enviado como emissário à Coréia para resolver de uma vez por todas o assunto.
     Alguns meses depois, esta decisão foi alterada por outros líderes que regressavam de uma viagem pelo mundo cumprindo as promessas feitas na Carta de Oath de "procurar sabedoria pelo mundo". Os viajantes defendiam a idéia de que era prematura uma expedição à Coréia e da qual podiam beneficiar apenas a ganância das forças européias que se apropriariam dos frutos colhidos pelo Japão. Este ponto de vista foi aceito, mas importantes setores da liderança samurai retiraram-se em sinal de protesto contra aquilo que apelidaram de arbitrariedade e irresponsabilidade por parte do governo.
     A possibilidade de combinar o ressentimento e a insatisfação pessoal com cargos que violaram a honra nacional provocou uma das maiores explosões de revolta nos samurais que nenhum regime ainda presenciara. Após as dissidências no seio do governo a respeito da questão da Coréia, verificaram-se várias revoltas lideradas por membros descontentes do grupo. Em 1877, Saigo Takamori, o herói da restauração, organizou e chefiou uma revolta de shizoku em Satsuma, que levou ao limite as capacidades das forças militares do jovem governo.
     A derrota de Saigo foi a gota d'água da oposição samurai e a sua incapacidade para levar as coisas a bom termo. Ressentidos com a perda de privilégios, os samurais eram incapazes de recrutar elementos não menos ressentidos da classe popular. A revolta de Satsuma constituiu para o governo um desafio implacável. Nenhum domínio tinha tantos samurais e nenhuma população samurai tinha mais predisposições militares e uma moral mais levada. Afortunadamente, o governo tinha melhores comunicações e melhores táticas. Saigo, que se suicidou, foi postumamente perdoado, sendo-lhe restituídas as honras e ressurgiu como o herói militar e nacional do Japão moderno, e ficou conhecido como o último samurai.



 Escrito por Anórion Sulin às 11:23
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A Legislação do Recrutamento Militar e da Educação

     Se não eram os samurais que iriam combater pelo Japão, outros teriam de o fazer. A legislação para o recrutamento foi anunciada no final de 1872 e implementada no ano seguinte. A legislação japonesa de recrutamento, à semelhança da francesa, excluía os filhos mais velhos, com o objetivo de proteger a integridade do sistema familiar. Como as instituições começavam a dar frutos, os líderes japoneses podiam pensar em unidades militares mais aptas e em maiores desafios. Só em 1890, com a formação da ordem constitucional, o governo se encontrou apto a lidar com a questão da Coréia. A partir daí as despesas militares aumentaram. Ao mesmo tempo, era treinado um corpo de oficiais, a maior parte samurais.
     Entretanto, a nação requeria a participação de uma população com instrução. Em 1872, o Código Fundamental da Educação criou oito universidades distritais e 32 escolas de ensino médio nos distritos, cada um com 210 escolas primárias.
     O apoio e o conteúdo desta educação continuaram a serem debatidos ao longo de duas décadas. Quando às taxas de educação local se somaram os impostos sobre as terras, os agricultores protestaram, e quando os livros escolares pareciam demasiado liberais os conservadores lamentavam-se de que o espírito do Estado estava sendo sacrificado. Mori Arinori ministro da educação entre 1885 e 1889, lançou as bases de um sistema que criaria uma grande disciplina e um grande sentido de cidadania. No centro de tudo isto se encontrava um corpo docente que faria a sua formação em escolas normais. No entanto, nos níveis mais elevados, as estruturas universitárias deveriam operar com a maior liberdade possível, para dar a oportunidade, ao Japão, de competir nos grandes mercados das idéias e das ciências.
     No início do século XX, todas as crianças em idade escolar iniciaram uma instrução nas escolas básicas tendo por fundo um sistema uniforme de livros que continham os princípios de uma moral baseada no patriotismo e na lealdade.

As Reformas dos Impostos Agrícolas

     O ano de 1873 também foi o ano da revisão dos impostos sobre as terras. Após grandes discussões, determinou-se lançarem impostos sobre as terras agrícolas através da capitalização de colheitas recentes. Inicialmente, a taxa seria de 3% por ano, paga em espécie. As taxas adicionais locais seriam de 1%, criando assim uma taxa mínima de 4%.
     Os impostos, outrora tão arbitrários, pretendiam-se agora mais justos e neutros. Um governo claramente em dívida após os seus recentes compromissos com os domínios e os samurais e ainda a pagar indenizações às nações estrangeiras pelas numerosas atitudes impróprias dos últimos tempos do governo Tokugawa e determinado a reconstruir a sua sociedade, não podia de forma alguma abrir mão de tais impostos.
     Não se tem certeza se os agricultores davam-se conta do que estava acarretando as despesas do novo regime, mas não havia outra fonte disponível. Nos finais dos anos 70 (1870), surgiram várias manifestações e protestos na esperança de que as autoridades diminuíssem substancialmente a carga fiscal, como era costume na época de Tokugawa. Em vez disso, dispondo de unidades militares recém-recrutadas, não hesitou em enfrentá-los.
     Os agricultores japoneses obtiveram vários resultados com a inovação feita pelo novo regime. Os preços na agricultura aumentavam com regularidade e com eles as expectativas dos agricultores, os quais só se beneficiavam das medidas que os libertavam das restrições que o regime Tokugawa lhe impunham.



 Escrito por Anórion Sulin às 11:22
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A Elaboração da Constituição Meiji

     O Japão do período Meiji foi o primeiro Estado não ocidental a adotar uma forma de governo constitucional. O documento e o sistema formalizado eram bastante flexíveis. A sua origem e o modo como foi elaborado dizem muito acerca da estabilidade e da energia da sociedade japonesa.
     O governo fez o possível para levar a cabo, por iniciativa própria, o que veio a ser designado por Constituição Meiji. Cedo se verificou que os acordos feitos no sentido de formar uma espécie de senado, o Guenroin, não seriam mantidos por muito tempo, mas mesmo assim aquele organismo, constituído em 1875, preparou e submeteu à apreciação do Conselho de Estado o esboço da Constituição.
     Ito Hirobumi foi designado chefe de uma comissão para elaboração de uma Constituição e viajou para a Europa a fim de a estudar. Um primeiro esboço foi redigido na Alemanha. Em 1885 foi constituído um gabinete para substituir o Conselho de Estado e Ito nomeado primeiro-ministro. No fim da década, Ito e os seus companheiros revisaram o documento que antes haviam elaborado na presença do imperador, sob o estatuto de um Conselho Privado, que Ito também chefiara. A Constituição Meiji foi formalmente promulgada em 1889.
     Quando, em 1890, a Constituição Meiji entrou em vigor, ficou provado que os seus redatores, apesar de sua prudência, reconheciam uma série de elementos significativos do poder que podiam, a seu tempo, criar um novo cenário para a política japonesa. A precaução que presidiu à elaboração do documento encontrava-se patente na forma como tratava o trono, pois era garantida ao imperador a soberania absoluta. De fato, o documento era a sua garantia de liberdade e propunha-se graciosamente a governar sob o conselho e consentimento de uma Dieta Imperial. Foram criadas duas câmaras legislativas: a dos aristocratas, com elementos eleitos dentro dos níveis aristocráticos ou através de nomeações feitas pelo imperador, e representantes dos que pagavam impostos mais elevados, e a Câmara dos Representantes, que era eleita por votos limitados, baseados nas mais altas qualificações tributárias das propriedades. O documento era vago no que se referia ao poder administrativo, para não dar a perceber a perda de privilégios do imperador. O primeiro-ministro era o primeiro entre os seus semelhantes. Não se especificava a sua forma de eleição e na prática o grupo de líderes dava sugestões ao trono. A princípio, aquele grupo, mais tarde conhecido como "homens de Estado seniores" (guenro), alternava no gabinete como primeiro-ministro.
     Apesar de suas lacunas este documento esteve em vigor até a derrota do Japão na Segunda Guerra Mundial. A influência parlamentar deslocou-se para a Câmara dos Representantes e a entrada para esta assembléia era controlada pela habilidade da elite rural. A qualificação tributária para uma participação eleitoral diminuiu em 1900 e 1920, e foi totalmente extinta em 1925, mas as mulheres só passaram a ter direito ao voto após a Segunda Guerra Mundial.

A Guerra Sino-Japonesa de 1894-95

     A guerra sino-japonesa que estourou na Coréia. Foi a revolta de Tonghak que disparou esse conflito em 1894. O movimento Tonghak ("ensinamentos orientais") começou como uma amálgama dos princípios budistas chineses e dos princípios nativos coreanos. Condenado pela corte coreana, tomou diversas variações nacionalistas, sob a forma de protesto contra a corrupção e a pobreza da sociedade coreana, e contra a presença de potências estrangeiras (a China e o Japão). Ambas responderam a um apelo da corte coreana para auxiliarem a dominar a revolta e depois os acontecimentos viraram-se contra a própria corte, quando em julho de 1894 os japoneses raptaram o rei coreano e a rainha do palácio de Seul. Os chineses esperavam ganhar, mas os japoneses, que estavam mais bem chefiados, equipados e treinados foram até o norte, a Pyongyang, e até a província de Liaodong. A luta terminou em março de 1895. Os termos do tratado de Shimonoseki em abril eram extremamente severos. A corte Qing reconheceu a "independência" da Coréia, deixando-a vulnerável à intromissão do Japão. Foi paga uma indenização de 200 milhões de taels (310 milhões de ienes). A península de Liaodong, Formosa e Pescadores foram cedidos ao Japão, abrindo as portas para a expansão imperial e os chineses foram obrigados a conceder privilégios comerciais aos japoneses em portos chineses. Alguns meses depois, a França, a Alemanha e a Rússia intervieram para forçar o Japão a devolver Liaodong à China, criando as condições para um ponto de fricção entre o Japão e a Rússia.

A Guerra Russo-Japonesa de 1905-05

     A colisão dos interesses imperiais da Rússia e do Japão referentes à Coréia e à península de Liaodong conduziu ao deflagrar de uma guerra em 1904. A primeira reação dos japoneses foi a de bloquearem Port Arthur. Numa ação terrestre bastante dispendiosa, as tropas russas, com magros recursos, recuaram até Mukden, onde 350.000 russos e 250.000 nipônicos travaram uma sangrenta e conclusiva batalha. Os altos comandos japoneses reconheceram que as suas tropas de reserva tinham atingido os limites em Mukden. Entretanto, a armada russa do báltico navegava lentamente à volta do mundo. A armada japonesa, que se encontrava à espera no estreito de Tsushima, destruiu a armada russa na batalha decisiva, em May. Ambas as facções estavam exaustas e necessitavam parar. Aceitaram a proposta do presidente Roosevelt para assinarem o acordo de paz, em Portsmouth, New Hampshire, tendo o Japão ganho possessões territoriais importantes. Retomava a posse de Liaodong e ficava com metade da zona sul da ilha de Sacalina. Em 1910 o Japão anexou a Coréia a seus territórios.

     Assim deu-se a restauração Meiji, em que o sistema de classes foi banido, os samurais foram extintos, e enfim sob comando das armadas imperiais o Japão inicia a construção do seu Império do Sol Nascente. Tornando-se um país respeitado pela sua força militar e governamental. Mas como sempre, o ego humano mostra-se tão inflável quanto um balão, e como sabemos, tudo resultou em mais guerra. No entanto, isso já é assunto para outro post.
      Saída estratégica pela esquerda!



 Escrito por Anórion Sulin às 11:18
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Período Edo (1603 d.C. a 1868 d.C.)

     Desculpem-me pela demora. Este novo período em que nos encontramos é bem complexo. Durou 265 anos, e houve uma grande sucessão de shoguns no poder. Por isso, tenham calma para poder entender como se passou o Período Edo.
     No final do post anterior eu disse que Tokugawa Ieyasu sucedera Hideyoshi, mas eu omiti os fatos que o levaram ao poder. Tokugawa Ieyasu era um dos mais inteligentes partidários de Nobunaga, e tornou-se o homem mais poderoso do Japão após a morte de Hideyoshi em 1598. Quebrando suas próprias promessas, virou-se contra o herdeiro de Hideyoshi, o jovem Hideyori, para tornar-se o centro do poder do país. Na batalha de Sekigahara, em 1600, Tokugawa Ieyasu derrota os seguidores de Hideyori e alguns outros rivais, conquistando assim o total controle do Japão. Em 1603 foi nomeado pelo imperador o novo shogun, estabelecendo o seu governo na crescente cidade Edo, atual Tokyo.

Busto de Ii Naomasa um dos generais de Tokugawa que lutou em Sekigahara, liderando os Demônios Vermelhos
Busto de Ii Naomasa um dos generais de Tokugawa que lutou em Sekigahara, liderando os "Demônios Vermelhos"

     A sociedade foi por ele rigidamente dividida em quatro classes: samurais, camponeses, artesãos e comerciantes. Aos membros dessas classes, não era permitida a troca de status social. O primitivo sistema de administração dos samurais adquire notável desenvolvimento e eficiência, e marca o auge do feudalismo japonês. Ieyasu distribui os feudos entre os seus mais fiéis vassalos. Entretanto, os novos daimyo agora passam a ser atrelados ao governo central. Esse novo sistema manteve o poder nas mãos dos Tokugawa por mais de 250 anos, em um período bem mais tranqüilo que os anteriores, que ficou conhecido também por "A Idade da Paz Ininterrupta".
     Após a destruição do clã Toyotomi e a captura do castelo de Osaka em 1615, Ieyasu e seus sucessores praticamente não tiveram mais rivais. Assim, os samurais passaram a se dedicar não somente ao treinamento marcial, mas também à filosofia, literatura, caligrafia e cerimônia do chá. Nesta época de paz destacou-se o samurai Miyamoto Musashi.
     Em 1614, Ieyasu dá início a uma perseguição ao Cristianismo. Isso porque o crescente avanço da religião Católica entre os japoneses (inclusive daimyos) provoca no governo o temor de que os convertidos passem a ameaçar a ordem. Somam-se a isso a influência da Holanda protestante, que estabelecia comércio com o Japão, e o conflito com as outras religiões já existentes.
     Em 1633 o governo exige que todos os japoneses renunciem ao Cristianismo, e para isso proíbe a entrada de jesuítas e navios portugueses no Japão, assim como a saída de japoneses ao exterior. O shogunato passou a acreditar que as atividades missionárias dos jesuítas dissimulavam uma conquista política. Dessa forma, em 1639 a já iniciada política de isolamento se completa: agora apenas o comércio com a Holanda e a China é mantido, através do porto de Nagasaki, que passa a ser o único contato do Japão com o mundo exterior.
     Apesar do isolamento, o comércio e a agricultura não param de crescer. Especialmente na era Genroku (1688-1703), em que a cultura popular floresce. O desenvolvimento comercial fez com que o poder econômico da classe mercantil ultrapassasse até o da classe dos samurais. Esse poderio econômico da classe burguesa começou a entrar em conflito com as leis do bakufu, que priorizavam a classe samurai em detrimento às outras. Então a partir daí surgiu o peculiar teatro Kabuki, o mais popular do Japão, financiado pelos comerciantes, como forma de protesto dos mercadores contra as classes dominantes. Paralelamente ao surgimento dessa nova modalidade teatral, a arte da pintura em madeira, conhecida por Ukiyo-e, também se destaca nessa época.

A crise e as Reformas na Política do Bakufu

     Embora o bakufu Tokugawa fosse uma instituição poderosa, não estava imune à mudança. Durante mais de duzentos anos de governo Tokugawa, os shoguns e os seus oficiais seniores eram obrigados a responder a uma série de problemas administrativos criados pelas alterações da sociedade e por problemas no interior do próprio bakufu. O maior problema com o qual o bakufu se confrontava era a crescente agitação dos samurais independentes (ronin). Durante o reinado dos três primeiros shoguns, o bakufu continuou com a sua política de substituição ou demissão das antigas casas de daimyos e promovendo vassalos próximos de Tokugawa à categoria de daimyo. Conseqüentemente, os seguidores dos daimyos demitidos perderam os seus lugares e tornaram-se ronin.
     Não é de se estranhar que a ira destes samurais empobrecidos tivesse recaído sobre o bakufu. Em 1651, depois da morte do terceiro shogun Tokugawa, Iemitsu, o bakufu descobriu uma intentona por parte de Yui Shosetsu (1605-1651) e de outros ronin frustrados, para se aproveitarem da morte do shogun e desencadearem revoluções em Edo, Osaka e Sunpu e derrubarem assim o bakufu. Shosetsu cometeu seppuku (suicídio) e os companheiros foram capturados. Ao tomar conhecimento deste incidente, o bakufu tentou dar resposta aos problemas dos ronin e adotou uma política mais flexível. O motivo principal pelo qual foram confiscados os direitos aos daimyos consistia na falta de herdeiros e na conseqüente extinção da linhagem daimyo. Promulgaram, então, as leis que regulamentavam à adoção e a sucessão dos herdeiros, bem como as proibições relativas a adoção póstuma, após a morte repentina do daimyo. O bakufu também alterou a sua política de controle sobre os daimyos, cujos familiares tinham de o servir e de habitar em residências especiais, designadas pelo próprio bakufu. Desta forma, os aspectos mais opressivos da política de controle dos daimyos foram-se suavizando e estes ganharam uma maior independência em relação ao bakufu. Este também proibiu a prática do suicídio (junshi) pelos samurais quando da morte do seu senhor. Em alguns casos, os vassalos que não desejavam cumprir aquele ritual eram pressionados a praticaram seppuku contra a própria vontade. Numa tentativa de alterar os rudes costumes dos samurais da época das guerras e de encorajar uma forma de bushido mais adequada à época de paz, o bakufu proibiu este junshi sem sentido. Interditou também a homossexualidade, prática comum entre os daimyos e seus vassalos e que também contribuía para o junshi.



 Escrito por Anórion Sulin às 00:41
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A Estabilidade do Século XVIII

     O século XVIII foi um período de relativa estabilidade política no Japão. No início, o bakufu era liderado pelo samurai e mestre de confucionismo, Arai Hakuseki (1657-1725), que servira Tokugawa Ienobu, o sexto shogun. Hakuseki procurou controlar a prática administrativa e recuperar um tesouro bastante dilapidado. Fez uma revisão dos códigos legais do bakufu e reformou também as práticas cerimoniais e a nomenclatura. Hakuseki era um samurai com uma visão alargada das coisas, ultrapassando as fronteiras do Japão. Tinha uma opinião crítica sobre os mitos nipônicos e tentou familiarizar-se com o que se passava no ocidente através de uma entrevista com o missionário italiano Giovanni Sidotti.
     Apesar da estabilidade do século XVIII, verificaram-se algumas mudanças que implicaram novas reformas. O oitavo shogun, Yoshimune (1684-1751), pôs em ação as reformas Kyoho, restaurou as finanças do bakufu e restabeleceu um controle feudal. Rejeitando a importância das reformas burocráticas de Arai Hakuseki, Yoshimune seguiu o tipo de reformas de Ieyasu, retomando o governo shogunal direto. Reforçou a frugalidade, criou taxas mais pesadas e impôs uma disciplina nas taxas oficiais, criou imposto para os daimyos, encorajou a reclamação de novas terras, tentou promover oficiais talentosos, reveu o código básico das leis bakufu, fomentou a construção de escolas e a educação e acabou com a interdição do estudo da cultura ocidental, promovendo estudos de holandês em Nagasaki.
     Quem levou a política do bakufu mais longe, na direção do mercantilismo, foi Tanuma Okitsugu (1719-1788), que estabeleceu uma relação estreita com o capital comercial. O pai de Tanuma era um samurai de média condição ao serviço da família Kii Tokugawa. A política de Tanuma pressionou o desenvolvimento comercial, utilizando o capital comercial na recuperação de pântanos e no desenvolvimento de Hokkaido. No entanto, a sua estreita ligação com os mercadores provocou uma onda de corrupção. Os mercadores ricos tentavam subornar Tanuma, que tinha um poder ditatorial, para lhes garantir privilégios comerciais. Tanuma tentou que o bakufu se tornasse mais responsável pelas realidades comerciais da época, mas ao mesmo tempo ganhou fama de corrupto.



 Escrito por Anórion Sulin às 00:40
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As Reformas Kansei

     A partir de 1781, durante cerca de vinte anos de governo Tanuma, o Japão foi assolado por uma série de catástrofes naturais. A colheita de 1785 foi um terço da de um ano normal. Os camponeses abandonaram os campos vazios e dirigiram-se, aos milhares, para as cidades. Mas aí também, devido à escassez, o preço do arroz aumentou e as massas populares viram-se em graves dificuldades. Alguns deles, em desespero, atacavam as casas dos comerciantes ricos e as lojas de negociantes de arroz e saqueavam as cidades. Em 1784, em várias cidades fortificadas, estes tumultos desencadearam-se uns a seguir aos outros. Entre 1780 e 1782 verificaram-se 230 revoltas ao longo do país. A primeira causa foi a sucessão de catástrofes, mas este sofrimento humano e as elevadas taxas em vigor desde as reformas Kyoho não podem ser esquecidos. Os camponeses já não tinham reservas e como continuavam as más colheitas, sentiam fome e desespero.
     Nestas circunstâncias, Tanuma Okitsugu caiu do poder. Para o seu lugar foi designado o daimyo Matsudaira Sadanobu, que introduziu as reformas Kansei. O primeiro objetivo era reconstruir as aldeias devastadas pela fome e pela pobreza. O segundo objetivo era auxiliar os samurais, que pouco a pouco iam empobrecendo, através da redução de impostos. Um terceiro objetivo consistia em organizar uma nova classe que estava a surgir, os mercadores. Para atingir o primeiro objetivo ordenou aos camponeses que tinham fugido de suas aldeias que voltassem, tendo sido selecionados deputados (daikan) competentes para dirigirem as terras sob controle direto dos shoguns. Para auxiliar os samurais, perdoaram-lhes as dívidas com mais de quatro anos. Os empréstimos que os samurais tinham contraído com os mercadores também ficaram sem pagamento, mas os mercadores que tiveram perdas financeiras recusaram-se a lhes conceder mais empréstimos. Economicamente, o bakufu desenvolveu grandes esforços para restaurar as suas finanças, convidando os mercadores mais poderosos a participarem em discussões políticas. Sadanobu tentou controlar a ideologia. Proibiram-se os estudos heterodoxos e tentou-se promover a escola neoconfuncionista de estudos Chu Hsi. Exerceu-se o controle sobre as publicações e suprimiram-se os comentários subversivos sobre a política do bakufu.
     Enquanto este levava a diante as reformas Kansei, muitos daimyos tentavam impor as reformas han. Todos os daimyos haviam contraído grandes dívidas para com os mercadores. Quando os daimyos eram vítimas de bancarrota, davam aos mercadores todo o dinheiro recolhido nos impostos e as economias dos próprios daimyos iam para os salários dos seus servos. Alguns deles, aflitos com a situação, apelaram por medidas de emergência. Em muitos casos, repudiavam as dívidas ou impunham taxas especiais, han, em produtos como cenoura ou papel.
     As reformas Kansei do bakufu foram parcialmente bem sucedidas e Edo recuperou a sua prosperidade. Nas cidades e aldeias, o cidadão comum tornava-se influente e próspero. Por outro lado, as reformas desencadearam oposição popular e fizeram muito pouco para evitar o declínio do poder do bakufu e das condições de vida dos samurais. O bakufu já não exercia grande poder sobre os daimyos. E era tudo que os funcionários do bakufu podiam fazer para manter uma economia periclitante.

As Últimas Reformas

     No início de 1840, o bakufu tentou novamente instituir reformas, através de um grande controle sobre o bakufu de Kanto, ao redor de Edo, e tornando Edo independente de Osaka, o centro comercial do país. Estas últimas reformas foram efetivadas por Mizuno Tadakuni (1794-1851). As reformas Tadakuni foram reacertos do controle feudal. Incluía o recurso normal ao cunhar a moeda, a demissão dos samurais oficiais para cortar as despesas, aplicarem impostos aos mercadores, acabar com os monopólios dos mercadores, instituir uma certa austeridade, o controle severo da moral e acabar com a discriminação dos grupos de baixo estatuto social. Tadakuni ainda propôs que alguns daimyos abandonassem os arredores de Edo e Osaka a fim de poder controlar melhor estas cidades.
     As medidas Tadakuni provocaram tumultos e a erosão óbvia da disciplina feudal e pareciam não ter fim os protestos contra a política do bakufu ou as severas medidas econômicas. As reformas Tadakuni provocaram a hostilidade dos daimyos, dos samurais, dos mercadores e do cidadão comum. Muitas das suas propostas eram impraticáveis e muitas delas falharam, originando severas críticas. Além disso, a situação no exterior era tão negra quanto a do país.
     Do estrangeiro, o bakufu recebia notícias desestabilizadoras da guerra do ópio na China (1840-1842) e da crescente intromissão do ocidente nas águas do leste asiático. Os barcos britânicos e russos penetravam nas costas japonesas, mal defendidas. Com a chegada da esquadra do comodoro Matthew Perry, em 1853, os Estados Unidos forçam o governo Tokugawa a abrir um limitado número de portos para o comércio internacional.
     Assim, finalmente, o shogunato dos Tokugawa, por fim, reconheceu que a abertura do Japão era inevitável. O seu adiamento só traria mais problemas. Com a Revolução Industrial do Ocidente, apenas uma radical mudança na política interna faria com que o país pudesse igualar-se em poder aos ocidentais. Isso fez com que o Japão estabelecesse tratados de amizade com os Estados Unidos e outros países ocidentais, para logo começar a comerciar com eles.
     Nessa época surgiram em todo o país várias críticas ao governo central, que supostamente estaria rendendo-se à força militar estrangeira. Apesar disso, na grande tensão política em que o país se encontrava, o shogunato, os daimyos e os samurais preferiram evitar uma nova guerra civil e uniram-se sob a autoridade da corte imperial para assegurar a ordem e a unificação do Estado. Foi assim que se iniciou a restauração do governo imperial, a reabertura do país ao estrangeiro e a construção do Japão moderno.
     Este período foi aparentemente pacífico, se comparado ao anterior. Entretanto, conseguiu provar que a política pode fazer tantos estragos quanto uma guerra.



 Escrito por Anórion Sulin às 00:37
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Período Azuchi-Momoyama (1573 d.C. a 1603d.C.)

     Bem, já é hora de acabar com toda esta expectativa... Eu prometi falar sobre os 3 grandes generais. Pois foram em torno deles que girou a história do Japão no período conhecido como: Período Azuchi-Momoyama. Esta época recebeu este nome devido aos nomes dos castelos de Nobunaga e Hideyoshi, respectivamente.

Castelo Azuchi

     Com a influência do shogunato reduzida, a praticamente nada, muitas foram as tentativas fracassadas de poderosos daimyo em unificar o Japão sobre o próprio poder. O perspicaz general Oda Nobunaga foi o primeiro a obter sucesso. Nobunaga conseguiu o controle da província de Owari (perto da moderna cidade de Nagoya), em 1559. Localizado estrategicamente, consegue tomar a capital em 1568, acabando de vez com os últimos vestígios do enfraquecido shogunato Muromachi. Restaurando o poder da corte imperial.

     Já estabelecido em Kyoto, continua a eliminar os seus adversários, entre os quais estavam algumas facções budistas militares, especialmente a seita Ikko (seita da Terra Pura), que havia se tornada poderosa em diversas províncias. Nobunaga então destrói completamente o monastério Enryakuji, próximo a Kyoto, em 1571, e continua lutando contra a seita Ikko até 1580.

     Mas para vencer o clã Takeda, um um de seus principais rivais, Nobunaga acabou empregando a nova tecnologia dos mosquetes, adquiridos através dos portugueses. Durante a batalha de Nagashino, em 1575, seus exércitos se valeram dessas armas para vencer uma poderosa cavalaria samurai, destruindo por completo o clã Takeda.

     Em 1582, Oda Nobunaga é assassinado por um de seus próprios vassalos, Akechi, que aproveita a situação para tomar o castelo Azuchi. O general Toyotomi Hideyoshi, que lutava por Nobunaga, age rapidamente e derrota Akechi, assumindo o controle.

     Hideyoshi então continua os esforços de Nobunaga pela unificação. Conquista as províncias do norte e Shikoku em 1583, e Kyushu em 1587. Finalmente, em 1590, derrota a família Hojo e reúne todo o Japão sob o seu controle. Para garantir sua permanência no poder, Hideyoshi adotou uma série de medidas. Destruiu vários castelos, construídos durante o período das guerras civis. Estabeleceu uma clara distinção entre os samurais e as demais classes, proibindo-os de trabalharem como lavradores e os forçou a se deslocarem para as cidades fortificadas. Uma clara distinção entre as classes sociais aumentou o controle do governo sobre o povo. Em 1588 confiscou todas as armas dos camponeses e de instituições religiosas, na chamada "Caça às Espadas". Em 1590 fez um levantamento das propriedades dos senhores feudais em função da produtividade de arroz. No mesmo ano recenseou a população e concluiu as obras do seu castelo em Osaka.

     Em 1587, Hideyoshi expediu uma lei que expulsava os missionários cristãos. Não obstante, os franciscanos conseguiram entrar no Japão em 1593 e os jesuítas continuaram ativos no oeste do país. Em 1597, Hideyoshi intensificou a perseguição aos missionários cristãos, proibindo novas conversões ao cristianismo e executando vinte e seis franciscanos. O cristianismo era visto como um obstáculo para o estabelecimento do controle absoluto do povo; além disso, muitos jesuítas e franciscanos agiam de forma agressiva e intolerante com relação ao shintoísmo e às instituições budistas.

     Após a unificação, o Japão torna-se um país muito mais pacífico, com o fim das guerras interfeudais. A população se concentra nas cidades, o que serve para aumentar o comércio e a cultura urbana.

A economia

     Nos finais do século XVI, a economia do Japão prosperara. A velha economia agrária medieval, com as suas propriedades privadas dispersas por todo o país, as suas barreiras físicas ao comércio e as suas associações restritas, foram despedaçadas pelas revoltas dos daimyos militares e suas lutas pela hegemonia regional e nacional. Em seu lugar, durante os finais do século XVI o Japão desenvolveu uma economia de mercado orientada para o exterior baseado na guerra, ouro e comércio internacional.

A cultura

     O estilo cultural nos finais do século XVI foi estabelecido pelos unificadores, Oda Nobunaga e Toyotomi Hideyoshi, que adquiriram o controle do país pela conquista. Naturalmente, procuravam uma expressão cultural grandiosa que exibisse o seu novo poder. O primeiro símbolo cultural desta época, refletindo as suas conquistas e o seu poder, foi o grande castelo, com os seus fossos profundos, enormes muralhas, intrincados pátios e elevadas torres. Os grandes castelos não eram simples fortalezas, mas também centros de administração e de residência dos daimyos mais importantes. Para atenuar os seus interiores escuros e austeros, as paredes e os biombos foram prodigiosamente decorados. Estas residências apalaçadas impulsionaram o desenvolvimento da pintura mural, biombos e painéis a folha de ouro e cores vivas, tornando-se uma das expressões mais significativas da arte Momoyama. Os unificadores apoiaram generosamente os pintores e artesãos que decoraram os castelos.

     Depois de unificar o país a ambição de Hideyoshi se mostrou ainda maior. O próximo objetivo de Hideyoshi era a conquista da China. Em 1592, as tropas japonesas invadiram a Coréia e dominaram Seul em poucas semanas, entretanto, os japoneses foram obrigados pelas forças chinesas e coreanas a recuar no ano seguinte. Hideyoshi obstinadamente não desistiu até a derrocada final, em 1598, o mesmo ano de sua morte. Tokugawa Ieyasu, que tinha sido um inteligente partidário de Hideyoshi e de Nobunaga, sucedeu Hideyoshi como o homem mais poderoso do Japão.
     Aí está, em linhas gerais, a história de dois generais que conseguiram conquistar todo o Japão, que acabava de viver cem anos de guerras internas, utilizando-se das tais armas de fogo para isso. E com essas mesmas armas que adquiriam dos portugas eles impediram que o cristianismo entrasse em terras nipônicas. Vejam só o que a retribuição karmica é capaz de fazer.



 Escrito por Anórion Sulin às 21:43
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Período Muromachi (1338 d.C. a 1573 d.C.)

     Guerras, invasões, conflitos internos, fome, doenças, calamidades naturais, aconteceu de tudo no período anterior. Com a entrada desta nova fase a esperança era de "renovação dos ares", um novo ciclo de paz e desenvolvimento... Mas quando há muito poder envolvido e muitos egos inflados as coisas nunca saem como gostaríamos. Se o povo tinha dificuldades com o governo bakufu Kamakura então quase perdeu toda a esperança com o Período Muromachi.

 Castelo da familia Akamatsu
Castelo Akamatsu, ou Castelo da Garça Branca, em Himeji

     A decadência do governo de Kamakura atiçou a cobiça de seus inimigos. O imperador Godaigo executa, com a ajuda da classe guerreira, sucessivos golpes para restaurar o poder efetivo da família imperial. Após muitos conflitos e tentativas fracassadas, obtém êxito, finalmente, no ano de 1333. Toda a família Hojo e seus vassalos morrem em guerras, ou praticando o harakiri, ao constatarem a derrota. Esse episódio fica conhecido como Restauração de Kemmu. Ao subir ao poder, o imperador vai contra a corrente histórica da evolução: tenta restaurar o antigo regime imperial, Ritsuriô, que já havia sido descartado e superado. Além disso, na premiação dos vassalos que o ajudaram a derrotar o shogunato, Godaigo comete visíveis injustiças, como tomar propriedades de outros samurais.

     Nessa situação, o líder samurai Ashikaga Takauji vira-se contra o imperador e força-o a escapar para Yoshino, ao sul de Kyoto. Takauji estabelece um novo imperador e usa o seu poder para, em 1338, nomear-se o novo shogun. A base do shogunato Muromachi ou Ashikaga foi estabelecida em Kyoto.

     Assim as duas Cortes, a de Yoshino, no Sul, e a de Kyoto, no Norte, hostilizam-se violentamente em conflitos armados, por 57 anos. Em 1393, durante o governo de Ashikaga Yoshimitsu, Gokameyama, o então imperador de Yoshino, é forçado a ceder o poder à Corte do Norte. Acaba dessa forma a rivalidade entre as duas facções e completa-se a organização do shogunato dos Ashikaga. O shogunato passa então a atuar como governo central. Entretanto, o poder efetivo restringe-se às províncias mais próximas de Kyoto, e, mesmo nessas vai perdendo a influência com o passar do tempo.

     A economia desse período, bem como o cultivo da soja e do chá, desenvolve-se bastante. Novas técnicas agrícolas aumentam a produtividade e o comércio se expande. Isso provoca o desenvolvimento de mercados, cidades e novas classes sociais.

     No decorrer da Guerra das Duas Cortes, os antigos governadores militares (shugo) evoluem e transformam-se em poderosos líderes guerreiros locais. Esses chefes ficam conhecidos por daimyo, que, ao pé da letra, significa "grande proprietário", ou simplesmente senhor feudal. Os daimyos passam a contratar guerreiros locais para a formação de seus próprios exércitos. Esses samurais tornam-se vassalos dos senhores feudais, tendo que servi-los em troca de pagamentos e proteção. A liberdade que o governo central outorgou aos senhores feudais tornou-os autônomos nos limites de seus territórios, embora ainda formalmente subordinados ao shogun. Passam então a disputar territórios entre si. Os mais ambiciosos e habilidosos assumem o controle de diversas províncias, reduzindo por conseqüência o poder do shogunato. Neste período chegou-se a ter cerca de 260 daimyos espalhados por todo o território Japonês. Ou seja, o Japão era 260 estados independentes em constante conflito.

     Com a crescente decadência do poder central, e o desinteresse do oitavo shogun, Yoshimasa, pela política, irrompe a chamada Rebelião de Onin, em 1467, marcando o começo de um período de sangrentas guerras interfeudais. Os secretários de Estado Hosokawa e Yamana, que já se desentendiam, recorrem às armas pela supremacia no poder. As duas facções contam com samurais do próprio shogunato e camponeses contratados para juntar-se às forças. Em lugar de recompensa, ganhavam o direito de incendiar e pilhar cidades. O palco do conflito foi Kyoto, a capital, que em poucos anos encontra-se completamente destruída e em ruínas.

     Estavam assim estabelecidos o caos e a lei do mais forte. Traições tornaram-se comuns até mesmo entre senhores e vassalos, baixando em muito os padrões de moral dos samurais. Camponeses organizavam revoltas contra o shogun, que já então não passava de um simples daimyo. Com a descentralização do feudalismo nipônico, inicia-se uma época de conflitos, riscos e incertezas. A Guerra de Onin durou mais de cem anos, com poderosos daimyos tentando sucessivamente reunificar o território nipônico, transformado então em um conjunto de províncias autônomas. Foi no fim desta época que surgiu os renomados Oda Nobunaga, Toyotomi Hideyoshi, e Tokugawa Ieyasu, que foram alguns desses daimyos com intuitos unificadores. Nesse período conturbado surgem como nunca diversos clãs de ninjas, que se tornam peças-chave nas lutas interfeudais.

     Apesar dos incessantes conflitos que caracterizaram essa época, a arte japonesa desenvolveu-se bastante. O estilo arquitetônico, as pinturas poesias e canções dessa época experimentam significativo florescimento. A cerimônia do chá (Chanoyu) e a arte de arranjar flores (Ikebana) desenvolveram-se bastante nessa época. O teatro é sofisticado com o surgimento do dramático No e Kyogen. Juntos com o Kabuki, surgido posteriormente, o No e o Kyogen são as formas teatrais mais representativas do Japão.



 Escrito por Anórion Sulin às 01:22
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     Em 1543, pela primeira vez o Japão tem contato com o mundo ocidental. Um navio português desembarca na ilha de Tanegashima, ao sul do Japão. Com ele vinham centenas de mosquetes, as primeiras armas de fogo a serem introduzidas no país. No começo os samurais desprezaram tais armas, pois foram consideradas como tática covarde: não era mais necessário o combate corpo-a-corpo para se derrotar o inimigo. Com o tempo, entretanto, a tecnologia supera a tradição e as armas passam a ser fabricadas em diversos pontos do país.

     O período que decorreu entre meados do século XVI e meados do século XVII é freqüentemente considerado o "século cristão". Pois, em 1549, São Francisco Xavier chega ao Japão. Até Hideyoshi ter tomado posição contra o processo de cristianização em 1580, consta que se isso não tivesse acontecido milhões de japoneses ter-se-iam convertido ao cristianismo e a Igreja Católica teria estabelecido uma forte presença no Japão. O comércio acompanhou a cruz. Mercadores portugueses, espanhóis, holandeses, ingleses e chineses puseram o Japão em contato com o comércio da Europa, das Índias e da Ásia, e as casas dos comerciantes japoneses abriram-se para o exterior. Os portugueses e demais europeus não tinham os mesmos hábitos higiênicos dos japoneses, como o de tomar banho, e sempre desembarcavam ao sul do país. Por causa disso ficaram conhecidos como "Bárbaros do Sul” (Nanbanjin).

     Para alegria geral da nação, o próximo período será sobre a "tríade".  Será que o Japão terá um final feliz? Será que a tríade fará algo para salvar a humanidade? Confira aqui, no meu próximo post, nesta mesma "bat hora", neste mesmo "bat blog"...



 Escrito por Anórion Sulin às 01:21
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Período Kamakura (1192d.C. a 1333 d.C.)

     Olha eu aqui novamente. Enfim chegamos ao período que a maioria estava esperando. O momento, quando os samurais tomam a rédea da nação. Não vou discutir neste texto as motivações e toda a ética envolvida neste assunto. Procurarei-me ater aos fatos. Os samurais são assunto para outro post.  Então, sintam-se convidados a conhecer o Período Kamakura!

Minamoto Yaritomo
Primeiro Shogun

     Após a derrota do clã Taira, Minamoto Yoritomo é nomeado shogun (espécie de ditador militar) pelo imperador. A Corte Imperial vê, assim, o seu poder transferir-se para os samurais, sob o regime militar conhecido por shogunato, ou bakufu. O primeiro shogunato, inaugurado por Minamoto Yoritomo, ficou conhecido como Kamakura Bakufu. Isso porque a sede administrativa foi transferida novamente, desta vez para Kamakura, uma aldeia pesqueira com um pequeno santuário dedicado ao clã Minamoto. Yoritomo escolheu Kamakura para ser sede do seu shogunato por causa destas associações espirituais e porque a cidade era fácil de defender. Sob o Bakufu Kamakura, a cidade transformou-se num burgo maior, com guarnição, residências de guerreiros, santuários xintoístas e templos budistas.

     Nesse período, inicia-se o chamado feudalismo japonês. Para recompensar os seus vassalos, tratar dos despojos e das reivindicações, a fim de estabelecer a justiça, e manter a ordem, Yoritomo criou uma série de gabinetes governamentais chefiados por vassalos de confiança ou por nobres de um nível social mais baixo que trouxera de Kyoto. Estabeleceu assim o modelo para futuros governos de guerreiros no Japão. Institui também dois departamentos, o de guerreiros defensores das províncias (shugo) e o de ajudantes militares do estado (jito), colocando deste modo os vassalos em posições privilegiadas nas províncias ao longo do país. O Japão viu assim a criação de uma estrutura dupla de uma autoridade política na qual um regime militar em Kamakura assumia muitas funções até agora encaradas como exclusivas da corte imperial. A corte não foi desalojada e continuou a exercer algumas das suas funções tradicionais. Yoritomo instituiu um comportamento shogunal, demonstrando formalmente grande respeito pela corte, ao mesmo tempo em que lhe impunha a sua vontade e a controlava.

     O shogunato caracterizou-se por uma forma de governo baseada nas regras de conduta dos samurais. O bushido, o caminho do guerreiro, ou código de ética dos samurais, começa a ser formado nesse período. A noção de lealdade ao superior já é bem evidente. Os samurais passam a ser os guardiões do novo regime, exercendo tanto funções civis (por exemplo, cobrança de impostos dos camponeses), quanto militares e de proteção.

     A linhagem direta dos Minamoto acaba com a morte de Yoritomo e posteriormente de seus dois filhos. O poder efetivo passa então para a regência do clã Hojo. Em 1232, Hojo Yasutoki proclama a primeira legislação samurai, composta por 51 artigos. Goseibai Shikimoku, como ficou conhecida, foi o primeiro código de leis feudais do país.

     Durante esse período o Japão vivenciou relativa prosperidade e crescimento econômico. A população cresceu, e novas cidades surgiram. Novas técnicas agrícolas foram adotadas pelos camponeses, aumentando a produção. O excedente era comerciado com a China, assim como vários outros produtos manufaturados e novas culturas (como a soja e o chá). O budismo experimentou um considerável ressurgimento e difusão popular. Este movimento expressou-se através de várias correntes importantes, como a da Terra Pura Budista. As maiores escolas do budismo que existem atualmente no Japão descendem direta ou indiretamente das escolas surgidas no período Kamakura.

     Junto com a ampliação do comércio com a China, foram assimilados novos aspectos culturais, tais como o consumo do chá e o Zen Budismo. Esse último foi amplamente aceito pela classe dos samurais, pois não dependia de rituais e era considerado um poderoso instrumento para o aperfeiçoamento pessoal.

     Com o tempo, o Bakufu assumia cada vez uma maior autoridade legislativa e judicial sobre os direitos das grandes propriedades, pagamentos de impostos e assuntos legais que afetavam toda a sociedade. Hojo criou um ramo de organismos Bakufu em Kyoto para fiscalizar o oeste do país. Intervinham na sucessão imperial, bem como em assuntos estrangeiros e coube a Hojo Tokimune organizar a defesa do país contra as invasões mongóis de 1274 e 1281. Com um reduzido poder político e econômico e confrontados com a já institucional vitalidade do Bakufu Kamakura, a corte viu a sua autoridade vacilar. Embora esta fizesse várias tentativas para recuperar o poder político, a sua autoridade encontrava-se em permanente declínio.

     Em 1221, a guerra de Joku, uma malograda revolta conduzida por partidários do imperador Gotoba, que se encontrava afastado do poder, foi facilmente esmagada pelos Hojo. Assim, confiscaram mais terras, onde instalaram mais ajudantes militares, e puniram os cortesãos e os membros da família imperial.

     Em 1268, com a destruição da Coréia e com uma grande parte da China Song conquistada, Kublai Kan (1215-1294), o chefe mongol, neto de Genghis Kan, enviou embaixadas ao Japão, para submeter "o rei do Japão". A corte de Kyoto e o governo de guerreiros em Kamakura ignoraram estas intenções do chefe mongol e eles próprios se prepararam para uma invasão. Os vassalos dos samurais do Bakufu de Kamakura ficaram em estado de alerta. Os templos e os santuários ofereceram as suas preces em proteção da nação. Finalmente, em novembro de 1274, uma armada de 900 barcos, transportando mais de 44 mil soldados e marinheiros, incluindo mongóis, tártaros, chineses e coreanos, partiu do sul da Coréia. Depois de devastar Tsushima, aportou na baía de Hakata, em 19 de novembro. Após terem forçado os guerreiros japoneses a retirarem-se, os mongóis voltaram para os seus barcos. Durante a noite foram fustigados por um terrível vendaval, que afundou os navios e dispersou a armada.



 Escrito por Anórion Sulin às 02:07
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     Em 1275 e 1279, Kublai procedeu a novas tentativas. Os regentes de Hojo recusaram-se a receberem os seus enviados e ordenaram a construção de postos de defesa na costa, à volta da baía de Hakata, a construção de barcos de defesa para fazer frente aos barcos mongóis e a mobilização de vassalos e não vassalos. Com a queda da dinastia Song em 1279, Kublai encontrava-se livre para dedicar-se à conquista do Japão. Em 1281, iniciou a formação de uma grande armada composta por duas frotas. No princípio de junho, 4400 (!!) barcos de guerra transportando 140.000 (!!!) homens lançaram-se ao mar, partindo simultaneamente da Coréia e do rio Yangzi. Enquanto a armada do sul atrasou várias semanas, a armada que vinha do leste chegou a Hakata, em 23 de junho e travou várias batalhas com os barcos japoneses. Em 16 de agosto, a armada foi destruída por um tufão, que acabou com a metade dos barcos e dizimou grande parte dos homens. Os japoneses atribuíram estes dois acontecimentos milagrosos a "ventos divinos" (kamikaze). Tal fato contribuiu para a crença de que o Japão era uma terra protegida pelo divino (shinkoku). Além disso, a vitória sobre os mongóis foi muito importante para o surgimento de um forte sentimento nacionalista. Entretanto, devido aos grandes gastos com a defesa do país, o shogunato foi incapaz de recompensar devidamente os guerreiros que lutaram contra os inimigos. Isso porque os conflitos foram travados no próprio território, não havendo espólios de guerras a serem distribuídos. Dessa forma, o Kamakura Bakufu acabou por perder a confiança dos samurais. Kublai planejou uma terceira invasão, mas não a concretizou.

     Em 1320, verificou-se uma reação ao controle que a família Hojo exercia sobre o Bakufu Kamakura por parte dos vassalos guerreiros, que se reuniram à volta do imperador Godaigo. Com a ajuda de Ashikaga e de outras poderosas famílias guerreiras do Japão Oriental, bem como de grupos armados de monges-soldado, Godaigo conseguiu dominar o Bakufu em 1333 e restabelecer aquilo a que chamou o "governo imperial por via direta".

     Pode ser que o Japão teve muita sorte para defender seu território, contra os mongóis, no entanto, ninguém em sã consciência poderia dizer que aquele país era uma terra abençoada e protegida pelos deuses. Durante todo este período, de conflitos internos e disputa por territórios, e guerras, também houve uma estiagem avassaladora. Com isso, o povo não conseguia produzir alimentos, deflagrando muita fome e doenças. Chegando ao ponto, em que quantidade de cadáveres era tão grande que não havia como se desfazer deles. A solução, geralmente, utilizada era a de empilhamento nas praias. E dizem as lendas, que as pilhas eram tão grandes que tornavam os mares se vermelhos, tintos pelo sangue da população pobre. Triste?  Bem... assim foi o período militarista Kamakura.



 Escrito por Anórion Sulin às 01:50
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Período Heian ( 794 d.C. a 1192 d.C.)

     Finalmente, encontrei tempo para continuar meus 'posts'. Eu estava falando sobre, como o Imperador Kammu resolvera fugir dos monges, e para isso mandara construir outra cidade capital, totalmente nova!  Este novo período trás um novo e forte desenvolvimento cultural, mas também é marcado pela disputa acirrada pelo poder. Apertem os seus cintos, engulam suas SALIVAS, e aproveitem a viagem através do Período Heian.

     Foi em 784 que o imperador Kammu (737-806) decidiu transferir a capital. Então deu instruções a Fujiwara no Tanetsugu, o seu supervisor de construções, para encontrar um local adequado. Tanetsugu escolheu Nagaoka, ao norte de Heijo, e a obra começou. Contudo, desde o início o projeto se viu envolvido em intrigas políticas e rivalidades entre várias facções: Tanetsugu foi assassinado por cortesãos rivais e o local foi considerado amaldiçoado, e esses acontecimentos eram um mau presságio, Kammu abandonou o projeto já meio completado e ordenou que se procurasse outro local. Foi assim que se escolheu um local ao norte, entre os rios Katsura e Kamu, e as construções começaram de novo. A nova capital, denominada Heian-kyo, mas tarde conhecida como Kyoto, manteve-se como capital do Japão até a restauração Meiji, de 1868.

     Este longo período, que pareceu estável e tranqüilo, quando analisado do ponto de vista da corte imperial, presenciou alterações internas consideráveis. No início, verificou-se uma rápida assimilação dos modelos administrativos e culturais chineses, bem como a restauração da centralização das instituições segundo o estilo chinês, introduzida durante o período Nara, através dos código ritsuryo, uma ampliação do código taho, que organizava a estrutura do governo. No entanto, a partir do século X deram-se alterações políticas e econômicas na corte e as províncias destruíram o objetivo original do sistema burocrático de ritsuryo e contribuíram para a privatização e o ressurgimento da influência dos clãs. Ao mesmo tempo, a corte deixou de enviar embaixadas oficiais à China.

     O período Heian Médio, por volta do ano 1000, viu florescer uma cultura aristocrática japonesa centralizada na corte, ao mesmo tempo em que constituiu o apogeu da cultura aristocrática da corte no Japão e uma época de grande criatividade na literatura, na religião e nas artes. O Conto de Genji (Genji Monogatari) e antologia da poesia japonesa de Kokinshi são apenas duas das magníficas criações literárias desta época, que também estabeleceu estilos na arquitetura das residências aristocráticas e na paisagística, nos ornamentos, na pintura e na escultura budista.

A nova capital: Heian-Kyo

Heian-kyo

     Tal como as capitais de Fujiwara e de Heijo, a nova capital foi planejada segundo a de Chang'an (a atual Xi'an/Sian). Contudo, ao contrário de Chang'an e de outras cidades chinesas, as antigas capitais japoneas não eram protegidas por muralhas. Heian-kyo situava-se numa extensa planície, rodeada a norte, a leste e a oeste por altas montanhas. Heian possuía melhores reservas de água do que Heijo. A nova capital era maior do que Heijo na sua concepção, com 4,5 km na direção leste-oeste e 5,2 km na direção norte-sul. Tal como em Chang'an e em Heijo, o grande palácio, sede do Governo, foi construído no norte da cidade. Os grandes edifícios oficiais eram resplandecentes com os seus pilares vermelhos e as suas telhas verdes, segundo o estilo chinês. A planta da cidade constava de avenidas e ruas, formando cerca de 1200 blocos residenciais uniformes. Os únicos mosteiros budistas inicialmente permitidos na cidade foram os templos construídos na zona oriental e na zona ocidental, sob a alçada do Estado, Toji e Saiji.

     À semelhança de Heijo, Heian foi primeiramente uma capital administrativa e o centro político, social e cultural do país. No século IX, o total da população da capital compreendia cerca de 100.000 habitantes, dos quais 10.000 eram nobres e oficiais de baixa patente.

     Embora se tivessem proibido os velhos templos, o budismo não foi completamente excluído de Heian, já que Kammu não era hostil a esta religião. De fato, foi mesmo um ativo divulgador do budismo. Apoiou vários monges, enviando-os para a China a fim de contactarem com novos ensinamentos e novos textos. Kammu conseguiu banir as más influências dos templos de Nara e promover uma nova instituição budista, mais de acordo com o verdadeiro lugar do budismo na sociedade.

     Kammu foi um imperador empreendedor: introduziu alterações para recuperar os frágeis princípios da reforma Taika (de 645), tornou mais rigorosa a inspeção dos oficiais do Governo, criou novos organismos fora dos códigos ritsuryo, para aconselhar o trono, e também uma política imperial e utilizou um novo sistema militar para dominar as tribos de Ezo, no nordeste.

     O período Heian é caracterizado mais pelo domínio dos nobres sobre a corte, especialmente pelos membros do ramo norte da família Fujiwara, do que afirmação do poder imperial. Os imperadores continuavam a funcionar como titulares do Governo, símbolos de uma legitimidade e objeto de veneração em virtude da sua ascendência divina. Mas o poder foi exercido por líderes da família Fujiwara, no seu papel de regentes ou de avós por via materna, tios ou cunhados. Tudo isso se traduziu numa exclusividade do poder político, acompanhada de um sistema de governo ostensivamente oficial e burocrático.

Os Fujiwara

     A influência dos Fujiwara fez-se sentir logo no início do regime imperial. A casa foi fundada por Nakatomi no Kamatari, chefe do clã Nakatomi dos rituais xintoístas, que ajudou o príncipe Naka no Oe no golpe de Estado em 645. O nome de Fujiwara ("Campo de Glicínias") foi dado pelo imperador Tenji em 669 em memória, segundo consta, do local onde se deu a conspiração.

     Os Fujiwara exerceram e estenderam o seu poder em várias direções e provaram ser mestres em todos os jogos políticos da corte. Isolando e afastando rivais, não se furtaram de tecer intrigas com o objetivo de culpar terceiros. Fomentavam os casamentos políticos, ligavam-se à descendência imperial através do nascimento de príncipes imperiais e seus herdeiros legítimos. Aumentaram a sua riqueza pessoal e o poder através da acumulação de propriedades em estados privados (shoen).



 Escrito por Anórion Sulin às 02:39
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     Os Fujiwara monopolizaram os serviços consultivos do trono que não tinham sido nomeados através do sistema ritsuryo. Persuadindo os imperadores a retirarem-se cedo, os Fujiwara instalavam-se como regentes dos sucessores, achando assim uma forma de controlar o trono sem realmente o deter.

     Vários imperadores que não eram filhos de mães Fujiwara montaram um estratagema para acabar com o seu controle: abdicaram mas continuaram a exercer o poder controlando os filhos mais novos que instalavam no trono. Surgia assim um plano político por via paterna, em contraste com a política de parentes por via materna seguida pelos Fujiwara. Esse sistema de governo é denominado insei, ou governo de clausura. Os imperadores de clausura, Shirakawa (1053-1129), Toba (1103-1156) e Go-Shirakawa (1127-1192), tiveram um período longo de vida, foram governantes enérgicos que desafiaram os Fujiwara pelo controle da corte.

A privatização da terra: a proliferação das propriedades privadas

     Economicamente, o poder dos Fujiwara assentava-se em uma forma de privatização, que teve lugar com o sistema ritsuryo, denominado privatização dos direitos à terra. Desde o princípio o sistema de terra pública e de impostos não funcionou bem porque foi necessário entrar em compromisso com os poderosos uji a fim de ganhar o seu apoio neste sistema. Ainda antes do fim do período Nara, grandes propriedade privadas, conhecidas como shoen, começaram a surgir nas províncias. Gradualmente, a atuação dos japoneses começou a se afastar dos ideais chineses, já que o princípio burocrático chinês colidia com os profundos interesses dos clãs e das tradições hereditárias japonesas.

     As origens de shoen podem ser traçadas logo desde o início da centralização do poder estatal no período Nara. Embora os japoneses adotassem um versão do "sistema de terras iguais", sob o qual os impostos sobre os arrozais eram distribuídos pelos agricultores e redistribuídos até a morte, algumas terras estavam isentas, as que pertenciam à família imperial e os campos doados aos nobres em reconhecimento da sua categoria ou de um serviço prestado. Os campos pertencentes aos mosteiros budistas e santuários xintoístas e os terrenos baldios também eram isentos.

     Durante muito tempo existiu este conflito interno na corte imperial, fazendo com que a administração das províncias fosse negligenciada. Devido a e esse descaso dos nobres da corte pelas províncias e pelos assuntos administrativos em geral as famílias provinciais mais poderosas passaram a fortalecer o próprio poder militar, recrutando camponeses como guerreiros, para prover as necessidades de polícia e segurança. Essa transferência de poder militar do governo central às várias províncias proporcionou o desenvolvimento de uma classe guerreira provincial nos séculos X e XI, que viria a tornar-se, posteriormente, a classe dos samurais!

     Com o enfraquecimento da autoridade central da corte imperial e a quebra do sistema de recrutamento militar, deu-se, a partir do século X, a proliferação de bandos guerreiros (bushidan) nas províncias. A fim de guardarem a capital, controlarem o norte, protegerem as shoen e as aldeias e de acabarem com as revoltas regionais, como as sublevações lideradas por Taira no Masakado (940), Fujiwara Sumitomo (941) e Taira no Tadatsune (1028), imperadores, nobres, templos e santuários viram-se forçados a recorrer a chefes guerreiros regionais como os Minamoto ou os Taira, dando-lhes a possibilidade de participarem da política da corte. Grandes templos como Enryakuji, Kifukuji, monte Koya e Negoro possuíam poderosos exércitos de monges-soldados. Santuários como Kumano e Usa também possuíam forças militares consideráveis.

A destruição dos Taira

     Com as vitórias alcançadas nas revoltas de Hogen e Heiji (1156-1159), Taira no Kiyomori e Taira no Ise estavam aptos para dominarem a corte, adquirirem títulos de propriedade e destruírem os seus principais rivais, os chefes do clã Minamoto. A arrogância de Taira virou contra si os cortesãos e o imperador retirado Go-Shirakawa. Em 1180, o príncipe Mochihito organizou um golpe contra Taira, mas foi morto na batalha de Uji. No leste do país, Minamoto no Yoritomo também liderou uma revolta, mas foi derrotado em Ishibashiyama (1180). Na batalh de Fujigawa, no mesmo ano, foi mais bem sucedido. A partir de 1180, Yoritomo consolidou o seu poder no leste, aumentando o número de vassalos (gokenin) e começou a formar gabinetes de um governo composto por guerreiros.

     Em 1183, o primo de Yoritomo, Yoshinaka, deslocando-se de Shimano, desbaratou as tropas de Taira e marchou sobre a capital. Taira fugira para o ocidente, levando o filho do imperador Antoku. A desconfiança mútua entre Yoshinaka e Yoritomo levou este a enviar os seus irmãos Noriyori e Yoshitsune para negociarem com Yoshinaka e seguirem no encalço de Taira. Yoshitsune, um brilhante estrategista, esmagou Taira em abril de 1185 na batalha naval de Dannoura. Os oficiais mais importantes de Taira foram mortos ou suicidaram-se. O filho do imperador Taira, Antoku, consta que se afogou com a jóia imperial.

     Após a vitória de Minamoto no Yoritomo, este concentrou-se na eliminação de Yoshitsune (que considerava um rebelde) e na consolidação do seu poder militar no leste, através da derrota dos Fujiwara, que tinham dado asilo a Yoshitsune.  Então, para consolidar o seu poder de uma vez, exigiu o reconhecimento formal, por parte da corte, do seu governo militar (sediado em Kamakura) através do título de shogun. Ou seja, ele criou um segundo governo, com sede própria, e poderes essencialmente militares.

     Este, realmente, foi um período longo e cheio de acontecimentos. Desde o surgimento dos guerreiros que dão origem aos samurais, muitas batalhas, intrigas políticas, mudanças de capital, reestruturação da posse de terras, expansão territorial para o norte, e muito mais, até culminar na criação do xogunato. Ufa! Haja SALIVA.  Talvez eu tenha complicado alguns pontos, e deixado obscuro outros. Qualquer dúvida não exitem em me fazer perguntas. Até a próxima.



 Escrito por Anórion Sulin às 00:57
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Período Nara (710 d.C. a 794 d.C.)

     Fico feliz por estar tendo uma resposta positiva a estes pequenos textos que falam um pouco sobre o passado de uma cultura tão rica. Até agora eu descrevi a pré-história e a história antiga do Japão. E tudo que possa se falar sobre estas épocas tem muito pouco fundamento científico. Por isso, a partir do período Nara podemos considerar que entramos em novo estágio. Onde tudo que sabemos pode ser conferido e comprovado. Pois, fora nesta época que a cultura chinesa invadiu o país, trazendo a escrita pictográfica (kanji). Isso facilitou o registro da história deste período. Acomodem-se em suas cadeiras, vamos conhecer um pouco mais sobre o Período Nara.

Templo de Kasuga
Templo Kasuga, em nara (682)

     Até o século VII os japoneses não sentiram necessidade de uma capital permanente, sendo esta, pura e simplesmente, o palácio do governante. Por isso, que houve tantas trocas de capital durante o período Asuka. Quando o governante morria, o palácio era abandonado, provavelmente para evitar as energias maléficas associadas à morte e um novo palácio era construído. Com o passar do tempo, os nipônicos começaram a construir um regime imperial e adotar uma administração no estilo chinês, com isso a burocracia central cresceu rapidamente e começou a sentir-se a necessidade de capitais menos incertas e mais amplas, com um grande palácio rodeado por edifícios governamentais. A primeira destas, Fujiwara-kyo (kyo significa capital), era uma capital segundo o modelo em grelha de Chang'an, que abrigou três imperadores entre 694 e 710, altura em que foi abandonada. Fujiwara fora, então, a última capital do período Asuka.

     Como eu já havia mencionado antes, ao final do período Asuka a capital passou a ser Nara. Porém eu deixei de mencionar que ela não existia antes de se tornar o centro político-administrativo do país. Em 708, a imperatriz Gemmyo decidiu mudar a capital da cidade de Fujiwara para um novo local, Heijo-kyo. Então, para isso, a cidade de Heijo fora construída como a versão menor da cidade de Chang'an, com o palácio imperial e os serviços administrativos ao norte e as residências da nova nobreza, templos e mercado ao sul. Como Heijo fica, hoje, ao lado da cidade de Nara, este período é conhecido por este nome.

     Durante o século VII a administração e a organização do país seguiam mais de perto o modelo da China controlada pela dinastia Tang. O país encontrava-se divido administrativamente em províncias, distritos e aldeias. Os campos foram reorganizados nas características grelhas, subdivisão e redistribuição. Os cultivadores, organizados em comunidades de aldeias, trabalhavam os terrenos baldios como cidadãos comuns que abriram caminho para o pagamento de impostos ao Estado. Estes eram cobrados em gêneros, em arroz, têxteis ou outros produtos locais, e em trabalho. O Estado também impôs o serviço militar entre a população masculina. Ah, o velho serviço militar obrigatório. Isso me faz lembrar o porque odiava tanto os Dragon-Bloodeds.

     A velha aristocracia dos clãs permanecia nas suas terras, mas mantinha a sua autoridade e salários como oficiais de distrito do governo central. Os nobres eram enviados para as províncias como governadores para vigiar a administração local, o recenseamento e os impostos anuais. Ao contrário da China, o Japão não recorria a sistema algum para escolher os chefes burocráticos, já que o nascimento e a recomendação pessoal eram os critérios adotados para a nomeação e promoção, ao invés do mérito ou da competência. Templos budistas foram fundados na capital que gozavam da proteção e do apoio do Estado. Estes, assim como a aristocracia, possuíam grandes terrenos e isenção de impostos.

     À frente do novo modelo burocrata encontrava-se o gabinete imperial (tenno), que seguia muito de perto o modelo imperial chinês, ao mesmo tempo em que mantinha nítidas características japonesas. O governante japonês, tal como o imperador chinês, gozava de prerrogativas divinas. No entanto, ao contrário do homólogo chinês, o mandato do imperador nipônico era inviolável e irrevogável, não se aceitando a noção chinesa de transferência de poderes. O termo meritocracia era abominado.

     Os imperadores Tenji e Temmu, no século VII e Shomu e Kammu, no século VIII, podem ser descritos como governantes ativos que tomaram e assumiram decisões políticas, embora o poder e a liderança não fossem essenciais para o gabinete imperial. Os imperadores mais fracos, os filhos de imperadores e as imperatrizes se consideravam pertencentes a uma linhagem sagrada, podiam dedicar-se aos ritos sacerdotais que se encontravam na raiz do poder imperial.

     Embora os japoneses tenham realizado um determinado esforço para impor as reformas segundo o conceito chinês durante os séculos VII e VIII, muitas facetas da vida permaneceram intocáveis, sendo encaradas como sacrossantas ou rapidamente remetidas para os seus primeiros modelos. Apesar de se ter criado um sistema de loteamento de terras, não foi o suficiente para acabar com a riqueza, ou com o estatuto das famílias aristocráticas ou das instituições religiosas, tendendo muitas vezes, pelo contrário, a favorecê-las. Tal como a linhagem imperial não podia perder o seu direito ao trono, a procedência aristocrática encontrava-se protegida pela preferência japonesa pelo princípio da hereditariedade. O Governo, não se encontrava totalmente burocratizado ou baseado no mérito. Continuava a ser monopolizado pelos bem-relacionados e pelos bem-nascidos.

     O recrutamento e os pesados impostos pressionaram os camponeses e muitos tiveram de fugir. Epidemias, como a da varíola, eram freqüentes e dizimavam periodicamente a população. Na capital, a nobreza procurava exercer influência sobre o Governo e sobre o trono. Os Fujiwara já começavam a eliminar da corrida ao poder outros nobres, mas só atingiram uma hegemonia total no fim do período Nara. A ameaça do domínio clerical tornou-se bastante evidente com o caso Dokyo.

     Dokyo era um monge que procurou obter influência política através da bajulação da imperatriz Shotoku. Esta o acolheu no palácio, concedeu-lhe postos no Governo e o título de hoo, "Rei da Lei Budista", que se destina só a imperadores que abdicavam para entrarem na vida eclesiástica. Quando se percebeu que Dokyo tinha pretensões ao trono, foi afastado e morreu no exílio. As lutas entre os nobres e os clérigos budistas convenceram Kammu e os seus conselheiros mais próximos de que era tempo de pensar seriamente em transferir a capital.



 Escrito por Anórion Sulin às 01:07
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As artes literárias

    O período Nara viu o florescer de uma cultura literária através dos japoneses que tinham aprendido os sistemas da escrita chinesa. Embora o chinês falado seja diferente do japonês, estes acharam possível exprimir o seu pensamento através dos caracteres chineses ou de os utilizar não pelo seu significado, mas como um complexo silabário para expressar os vários sons do japonês. Dois dos primeiros textos nipônicos, as Nihon Shoki, que pretendiam ser uma obra histórica, foram escritas em chinês. No entanto, as lendas recordadas nas Kojiki eram apresentadas num estilo misto que por vezes utilizava caracteres chineses para o seu significado e outras vezes só para os seus sons.

     A antologia Manyoshu (Coleção das Dez Mil Folhas) utilizou caracteres chineses para reproduzir os sons japoneses, proporcionando aos poetas uma maior e mais espontânea expressão do que teriam em chinês. A Manyoshu é tida como a primeira expressão das sensibilidades poéticas dos japoneses e maior antologia da linguagem. Embora se inclua muitos poemas longos (choka), estabeleceu-se o modelo de versos de trinta e uma sílabas, distribuídas por versos de 5-7-5-7-7 sílabas (tanka), como a principal forma para a poesia japonesa. Os poemas incluídos na antologia foram escritos por pessoas das mais variadas condições sociais, inclusive imperadores e imperatrizes. Falavam de amor, de afastamento, alegria e tristeza, de um amor constante pela corte de Yamato e de veneração pelos espíritos locais.

A mudança da capital

     Em 784, a corte, sob o governo do imperador Kammu, transferiu a capital, desta vez de Heijo, no norte, para Nagaoka, e depois, como se este local demonstrasse maus auspícios, para um local chamado Heian. Tabus associados a más energias podem estar na causa desta mudança, mas também se tem sugerido que foi uma tentativa por parte do imperador e dos nobres da corte para acabarem com a crescente influência dos clérigos budistas sobre a vida da corte. A mudança da corte para uma nova capital reduziu efetivamente a ingerência dos grandes templos de Nara, que eram proibidos de seguirem ou de se estabelecerem na nova capital. Ou seja, ele procurava um local onde pudesse se esconder dos monges budistas. E em ele, virtualmente, achou isso em Heian, que significa “capital da paz e da tranqüilidade”.   Conto mais sobre isso no próximo 'post'. Até a próxima!



 Escrito por Anórion Sulin às 00:52
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Período Asuka (587 d.C. a 710 d.C.)

Mapa do Japão de 700 d.C.

     Como eu disse anteriormente, a adoção do termo "tenno" (imperador) pelos governantes data do início do século VII, durante a era conhecida como período Asuka.

Shotoku Taishi 
Imagem do Príncipe Shotoku Taishi na Cédula de 10 Mil Yens de 1958

     O príncipe Shotoku Taishi, que governava por sua tia, Imperatriz Suiko, restringiu o poder dos grandes ujis e decretou uma série de normas no ano de 604. Trata-se da primeira constituição do Japão, composta por 17 artigos, com o objetivo de fortalecer a unificação do Estado.

     Tais mudanças devem-se principalmente ao budismo e ao confucionismo. Esse período que durou cerca de cem anos foi marcado também por avanços na parte de arquitetura e nas áreas filosóficas. Já na parte política, as coisas eram mais complicadas, pois no período Asuka ocorreu diversos atentados à família imperial (inclusive ocorrendo mortes) e muitas brigas entre famílias de grande poder no Japão. O período Asuka marca e muito a “aceitação” e consagração do budismo no país graças ao príncipe Shotoku. Com a morte dele, em 622, tem início um período de guerras civis. Os conflitos terminam em 645, com a aniquilação do poderoso clã Soga pelos seus adversários.

     A organização centralizada do estado, proposta por Shotoku, reflete-se novamente na chamada reforma Taika, de 645, empreendida pelo imperador Kotoku. Estabeleceu-se o sistema de governo então vigente na China - dinastia dos Tang: todas as terras e a população ficaram sujeitas ao governo central, e os camponeses, obrigados a pagarem impostos.

     Durante todo o reinado do clã Soga a capital se localizava em Asuka, mas com a aniquilação do clã, em 645, a capital passou por 6 mudanças de sedes até chegar a Nara, mais precisamente em Heijou-kyou (Heidjôokyôo) uma província de Nara, durante o governo da Imperatriz Genmei. Marcando assim o fim do período Asuka. A capital também não se fixa por muito tempo em Nara, mas essa história fica para o meu próximo 'post', pois este já ficou maior do que deveria.



 Escrito por Anórion Sulin às 23:24
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Período Yamato ou Kofun (251 d.C. a 586 d.C)

    Agora as coisas começam a melhorar, e ganhar interesse. Pois, deixamos a pré-história para entrar naquilo que chamamos de era antiga do Japão. Onde as histórias são misturadas com lendas e muito pouco pode ser realmente provado, visto que há muito pouco material documentado sobre o assunto. No entanto, não deixa de ser um dos períodos mais esplendidos da história nipônica, com construções interessantíssimas. Aprendam um pouco sobre: o Período Yamato ou Kofun.

     O relevo acidentado e variado dividiu o país, desde o início, em numerosas pequenas localidades, com dialetos e características próprias. Há muita polêmica em torno do assunto, mas alguns pesquisadores dizem que, por volta de 251 d.C., cavaleiros vindos da Mongólia invadiram o Japão, e não demoraram em assumir o controle do país, tornando-se então a aristocracia. Uma das famílias de nobres, sobrepondo-se às demais, afirmou ter origem divina para se estabelecer no poder. O primeiro membro dessa família teria sido neto de Amaterasu (a deusa do Sol) segundo a mitologia japonesa. Um descendente dessa família, Jimmu Tenno (o termo tenno só aparece no período Asuka) foi o lendário primeiro imperador do Japão. Estabeleceu a dinastia Yamato (Wa) e, gradualmente, reuniu todas as pequenas localidades em um único Estado. Os chefes eram conhecidos como Daio ("rei soberano"), por vezes chamado de Okimi.

     A classe dominante japonesa do início do Estado Yamato era composta por clãs proprietários de terras, chamados de Uji. Cada uji era formado por descendentes de um ancestral comum, e reunia uma população trabalhadora constituída por diversos grupos profissionais, especializados em determinadas tarefas. Cada grupo profissional recebe o nome de "Be". O maior deles era o que cultivava arroz, chamado de tabe ou tanabe. Além desse havia o grupo dos pescadores (ukaibe), tecelões (hatoribe) e arqueiros (yugebe) entre outros. Os uji lutavam entre si e faziam alianças mediante casamentos, ao que tudo indica. Recebiam títulos, de acordo com sua função no estado Yamato, chamados de kabane. Por causa disso, alguns estudiosos chamam o regime governamental da época de uji-kabane.

     Imensos túmulos construídos naquela época refletem o alto grau de poder da dinastia Yamato. Arqueólogos e historiadores ficaram de tal forma fascinados pelas construções dos túmulos japoneses, conhecidos pelo nome de kofun, que também designaram a época por este nome. Os maiores túmulos são vistos como expressão do poder absoluto de um regime político que perdurou por muito tempo e do qual descende a linha imperial subseqüente. As necrópoles onde eram sepultados os pequenos chefes ou os governantes mais poderosos daqueles séculos devem ter a sua origem nas câmaras de pedra e nos túmulos da última fase do período Yayoi e tinham um tamanho considerável ou eram agrupadas. Os túmulos maiores foram encontrados na bacia de Nara e na planície de Kawaki, a leste do mar interior. As formas variavam de redondas, as mais comuns, a quadradas ou da combinação das duas. Os maiores e mais característicos túmulos japoneses eram em forma de buraco de fechadura.

     A sepulturas atingiram a sua maior escala no século V. O conhecido túmulo de Nintoku, por exemplo, está entre um dos maiores monumentos do mundo. Rivaliza com as pirâmides e só é ultrapassado pelo túmulo do primeiro imperador da dinastia Qin da China, com o seu vasto exército, soldados e cavalos, em figuras de terra cota de tamanho natural. Nintoku foi um imperador lendário, cujo reino, segundo as Nihon Shoki (um dos documentos que narram este período do Japão), durou perto de 90 anos, durante os quais parece ter concebido e construído o seu enorme túmulo. Rodeado por três fossos e abrangendo uma área de 32 hectares, tem aproximadamente 500 metros de comprimento e 35 metros de altura.

 Kofun de Nitoku

     Nos túmulos com conotação imperial encontram-se elementos importantes para uma visão da cultura e das práticas fúnebres deste período. Os túmulos mais antigos forneceram-nos pequenas réplicas de pedra de atitudes humanas, pulseiras, facas, espelhos, armas, ferramentas, tamancos e bastões, provavelmente símbolos xamanísticos. Os túmulos mais recentes continham espadas de ferro, armaduras, cerâmica, camas, utensílios domésticos e alfaias agrícolas, coroas e espelhos de bronze.

     Muitas sepulturas demonstraram a existência de uma cultura eqüestre. Os objetos fúnebres passaram a incluir estribos, selas decoradas e correias ornamentadas. O aparecimentos desses arreios de cavalo e a existência clara de uma aristocracia eqüestre reforçam a teoria de que o Japão fora invadido por cavaleiros da península coreana. Muitos arqueólogos questionam o aspecto cronológico e logístico desta invasão como um simples acontecimento épico. No entanto, também parece claro que a arte de cavalgar chegou ao Japão por sucessivas incursões de pequenos grupos da península coreana, sendo adotada como técnica militar pelos chefes tribais que pretendiam alargar o seu poder a outras regiões.

     Um outra forma de arte deste período, conhecida como o nome de Haniwa, foi principalmente encontrada fora dos túmulos. A Haniwa começou por se manifestar em cilindros de barro para suster os aterros. Gradativamente, foi se desenvolvendo como forma de arte representando cenas da vida cotidiana daquela época. Como em alguns túmulos, que a arte Haniwa era utilizada nos rituais para dar as boas vindas aos mortos e rodeá-los de objetos familiares. As Haniwa são objetos simples que, no entanto, requerem bastante técnica para serem feitas.



 Escrito por Anórion Sulin às 00:44
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Contatos com o continente

     Os historiadores japoneses crêem que a dinastia Yamato estabeleceu relações diplomáticas com Paekche (um reino coreano) no ano de 366 e fundou uma base no sul, colônia de Mimana, que governou até ter sido expulso por Silla (outro reino coreano) no ano de 562. Incapaz de manter a sua influência através de meios militares, os governantes japoneses voltaram-se para os contatos culturais e diplomáticos com a China.

     De acordo com um relato chinês, o Song Shu, entre 413 e 478 cinco chefes ou reis de Wa enviaram nove embaixadas à China. Estes contatos naturalmente enriqueceram o nível cultura de Yamato. Foi durante esta época, por exemplo, que os japoneses se iniciaram na escrita chinesa.

     Talvez esta época seja a que mais se pareça com a época que ainda havia o Antigo Reinado dos Exaltados. Filhos de deuses regendo clãs, enfrentado batalhas por conquista de territórios. Isso não te deixa nostálgico?



 Escrito por Anórion Sulin às 00:41
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Período Yayoi (300 a.C. a 250 d.C.)

     Agora começa a parte onde a cultura nipônica, como a conhecemos, começa a se delinear. Bem vindos ao Período Yayoi.

Selo do Na de Wa 
Selo do Na de Wa de Han

     O dia-a-dia dos habitantes das ilhas foi grandemente enriquecido pela introdução e difusão de novas técnicas de olaria, de cultivo do arroz, de trabalho dos metais e de tecelagem. Esta nova época cultural toma o nome de Yayoi pela descoberta da cerâmica em Yayoicho, em Tokyo. É nesta época que surge a cultura do arroz, que teve tantas e profundas implicações sociais. Constituiu um marco no estilo de vida e na cultura de muitas aldeias japonesas e ainda hoje se faz sentir. O arroz era cultivado na bacia do Yangzi, na China, desde o ano 5.000 a.C. Era igualmente produzido na península da Coréia desde 1.500 a.C. Foi assim que pequenos grupos do continente levaram esta cultura para o oeste do Japão e foi aí, eventualmente, adotada por homens do período Jomon. A princípio o arroz foi um suplemento esporádico da alimentação Jomon. No entanto, gradualmente a cultura do arroz foi aumentando, fazendo com que o mesmo começasse a ter um papel importante na alimentação. O arroz consegue sustentar altos níveis de população e no período Yayoi verificou-se um grande aumento populacional.

     Cerca de 2.500 anos atrás a Coréia enfrentava uma guerra e para fugir dela muitos coreanos embarcaram rumo à ilha de Kyushu e lá começaram a implantar o plantio do arroz que logo se expandiu por todas as ilhas. Com o tempo, os aldeões perceberam que o arroz poderia ser estocado por um grande período e logo o tamanho desse estoque mostrava o poder e a riqueza de cada vila. Na era Yayoi as pessoas se alimentavam do arroz cru, que era cozido no vapor ou fervido, mas essa não foi a única novidade da alimentação no arquipélago japonês, pois legumes (soja, azuki e trigo) que foram trazidos pelos chineses e a alimentação à base de carne de animais como cavalos e gado também foram incorporados à cultura japonesa.

     Talvez o local mais importante do período Yayoi seja em Toro, Shizuoka, onde existe um museu e casas e celeiros foram restaurados. Este local situa-se em terras baixas, junto à foz do rio Abe. Compreende uma aldeia com várias habitações e armazéns ao norte e campos de arroz ao sul. São evidentes os sistemas de elaboração de irrigação e drenagem: cortavam-se ripas de madeira, muito provavelmente com a ponta de instrumentos de ferro, para delimitar os trilhos entre os arrozais. As casas eram ovais com cerca de 8 por 6 metros. Os tetos, de colmo, eram suportados por traves assentes em quatro postes robustos enterrados em fossos e nas margens para evitar que as casas se afundassem. Tinham o chão semicavado rodeado de bancos de areia para afastar a água do solo e com lareiras no centro. Uma parte dos víveres era guardada em vasos, mas no período Yayoi Médio, construíram-se armazéns alçados de madeira. Estes armazéns eram edificados sobre vigas a um metro do chão e o arroz era protegido dos roedores por argolas de madeira colocadas nos postes de suporte. Este processo de elevar as construções influenciou mais tarde a arquitetura de santuários e de palácios.

     Os plantadores de arroz do período Yayoi usavam alfaias de pedra, madeira e ferro, outra contribuição dos Coreanos. Os machados de pedra e as facas de montar de pedra vindos do continente eram os instrumentos de base. Também se utilizavam machados de ferro afiados, enxadas e outras alfaias para cavar. Tal como o período Jomon, este período toma o nome de sua cerâmica. Em geral, a cerâmica Yayoi era menos orgânica que a Jomon, caracterizada por linhas suaves e superfícies polidas, por vezes pintadas com desenhos geométricos. De forma elegantes e cuidadosamente acabados, os vasos Yayoi mostram já um certo aperfeiçoamento técnico. A cerâmica não tinha só um aspecto funcional, como também ritualista. Potes grandes, colocados boca com boca, eram usados para enterrar os corpos.

     Esta não era a única forma de enterrar os corpos. Dólmenes, como os que foram encontrados na península coreana, eram muito comuns, tal como as necrópoles com caixões individuais de madeira ou pedra, potes ou câmaras. Na última fase do período Yayoi, alguns chefes e suas respectivas famílias eram enterrados em sepulturas escavadas em plataformas retangulares. Estas são vistas pelos especialistas como precursoras dos grandes túmulos do século IV e V. Em contraste com as sepulturas do período Jomon, onde se notavam apenas pequenas marcas das diferenças sociais pela forma como os corpos eram enterrados, no período Yayoi tudo isto se torna muito mais evidente, a avaliar pelos objetos encontrados, que nos indicam uma maior consciência dos diferentes níveis sociais.

     O domínio da técnica de trabalhar o metal adquirido ao longo destes séculos ajudou consideravelmente o desenvolvimento social e estético do país. O Japão entrou ao mesmo tempo nas eras do bronze e do ferro. Enquanto o ferro tinha um caráter mais utilitário, o bronze era o metal do ritual e do poder. O bronze era como Orichalc dos japoneses, que pobreza.

     É no período Yayoi que começamos a distinguir uma organização nas aldeias e um poder político local. O controle da agricultura, dos metais, da irrigação e da produção de arroz concedeu a alguns chefes a possibilidade de dominarem os povos vizinhos. Na cidade de Izumo, hoje Shimane, foram encontradas 350 espadas, lanças e sinos de bronze. Isso sugere que Izumo era um dos centros de poder da época. Izumo também é associada ao deus do vento Susa-no-o. O interessante é que existe uma lenda nipônica antiga que conta sobre a vitória dos descendentes da deusa do Sol sobre os descendentes do deus do vento. Os pesquisadores especulam que talvez essa batalha tenha sida entre os clãs da cidade de Izumo e os clãs da cidade de Yamato.

     Outro fato curioso foi descoberto quando historiadores procuraram referências ao Japão na história chinesa. Em 57 d.C., o Han, imperador, da época nomeou um legislador japonês como o "Rei de Na de Wa de Han", conferindo-lhe um Selo de Ouro Chines. Assim ele passou a ser conhecido como o Lorde Na.

     Nota-se, que fôra a intromissão das culturas estrangeiras que acabaram influenciando o comportamento militarista e classista no povo japonês. Se, no futuro, o próprio Japão entrou em conflito com estes países, a origem deste karma eles adquiriram nesta época.



 Escrito por Anórion Sulin às 22:43
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Período Jomon (8000 a.C. a 300 a.C.)

     Avancemos ao período conhecido como Jomon, por causa das cerâmicas originárias desta época, conhecidas como cerâmicas JomonJomon significa "decorações cordiformes", pois muitas das peças eram decoradas através da impressão de cordas ou de ramos no barro ainda mole ou com bambu.

Cerâmica Jomon

     Cerca de 10.000 a.C. a 8000 anos a.C., iniciou-se um aumento universal das temperaturas que durou até 3.000 a.C. O nível dos mares subiu, enquanto que a atividade vulcânica diminuiu. Com isso o Japão ficou desligado do continente asiático, sujeito a um grande isolamento geográfico. Algumas espécies de animais desapareceram quando as ligações com o continente foram cortadas, mas, por outro lado, um clima mais quente propiciou um enriquecimento da flora e da fauna. Foi mais ou menos nesta época que os habitantes do arquipélago tornaram-se peritos na modelagem e cozedura do barro. A técnica de levar a cozer ao fogo os vasos de barro implicou uma melhoria nas condições de vida, possibilitando o cozinhar dos alimentos, um melhor armazenamento e o transporte de água durante os deslocamentos.

     A maior parte dos conhecimentos que temos da sociedade Jomon, incluindo a sua cerâmica, vem-nos das escavações feitas em lixeiras, concheiros, estrumeiras e em fossos, todos eles contendo vestígios da alimentação, da vida cotidiana e dos rituais de inumação. Os homens do período Jomon se estabeleceram nas zonas costeiras e dedicavam-se à caça e à criação de animais, alimentavam-se de nozes, frutos, raízes, carne, peixe e marisco. Com o clima quente do Jomon Médio surgiram árvores de folha caduca e a maior parte dos locais de habitação do período Jomon situava-se nas zonas montanhosas do centro do Japão. Por volta de 2.500 a.C., com a alteração do clima, invernos mais frios e mais chuvosos, as condições de vidas nas terras altas tornaram-se muito duras e o povo Jomon voltou para as zonas costeiras.

     Muitas povoações Jomon eram semi-sedentárias, formadas por pequenos aglomerados de cabanas com teto de colmo semi-enterradas no chão, cada casa abrigava cinco ou seis pessoas. No interior, o centro era o lugar para o fogo. Em algumas das comunidades do período Jomon Médio Inferior havia casas escavadas no solo muito maiores do que as da era anterior. Devem ter servido para a realização de rituais ou para a habitação dos chefes das aldeias. Provavelmente muitas das comunidades tentaram ser auto-suficientes, mas há algumas indicações de trocas, quer ao nível local, quer ao nível regional. Tem havido uma considerável polêmica quanto ao fato do povo do Jomon Médio Inferior ter se dedicado à agricultura. A maior parte dos investigadores é da opinião de que o homem do período Jomon sabia aonde encontrar plantas raras, como extrair tanino das plantas, bem como armazenar comida e conservá-la em sal e por isso não desenvolveu a cultura de cereais.

     Enquanto alguns lingüistas detectaram influências do sudoeste asiático na língua japonesa, prevalece a opinião de que no japonês existem raízes do coreano e de outras línguas altaicas. Consta que o que eventualmente se veio a formar como japonês surgiu no período Jomon. Foram encontradas habitações do período Jomon em Hokkaido, a região do povo ainu.

     Neste período, também, inicia-se a utilização de instrumentos de caça, como o arco e flecha. Veja, que mesmo isolado geograficamente, este povo ainu adquiriu costumes e praticas semelhante a muitas outras tribos indígenas ou aborígines em outras partes do globo. Demonstrando que o conhecimento humano aflora naturalmente. Confirmando o 'Mundo das Idéias' de Platão, onde todos os conceitos existem imutáveis, e de onde provem as formas ou idéias que criamos no nosso mundo real. Na mesma época que Platão já 'viajava na maionese' os 'japoneses' se preocupavam com seus potes de barro.



 Escrito por Anórion Sulin às 03:35
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Eras Nipônicas

     Reparei que escrevi muita coisa sobre o passado do Japão. Coloquei inúmeras referências às Eras, mas nunca comentei mais profundamente o que, realmente, foram estas eras. A partir de hoje, e nos próximos dias, vou dar os detalhes. Assim qualquer referência a elas no futuro será muito melhor interpretada. Comecemos pela pré-história, mais precisamente:

Período Pré-Cerâmico ou Paleolítico (~ a 8000 a.C.)

Era do Gelo Nipônico

       Pontos obscuros e incertezas cercam o povoamento do Japão e a origem de seu povo. Os estudos e pesquisas mais recentes indicam que o povo japonês resulta da miscigenação de diversas raças, como amarelos mongóis, brancos vindo do norte, morenos da Polinésia e outros. No decorrer dos milênios a miscigenação se completa, resultando em uma população praticamente homogênea, do ponto de vista étnico, assim como no surgimento de uma cultura nativa. Alguns arqueólogos afirmam que o Japão foi habitado pela primeira vez há cerca de cem mil anos, quando ainda era uma parte de terra da Ásia. Outros garantem que o povoamento se deu por volta de dez a trinta mil anos atrás, através de estreitos com a Coréia e áreas próximas, durante a era glacial. Prova de que esta ligação continental existiu foram os fósseis de mamute e de elefante naumann encontrados na parte norte do arquipélago. Os habitantes da Eurásia passaram a migrar para o leste, o povo provavelmente estava seguindo os animais, tendo em vista que, na época, a caça e a alimentação por plantas selvagens eram seus hábitos.

     Ao contrário do que muita gente pensa, a origem do povo japonês não é a China, como provam diferenças básicas na língua, na forma de governo e nas crenças religiosas que existiam quando os dois povos entraram em contato pela primeira vez. Instrumentos de pedra e fósseis humanos daquela época revelam como esse povo antigo viveu colhendo e caçando, desde a idade da pedra lascada até cerca de dez mil anos atrás, no período conhecido por pré-cerâmico, ou período paleolítico.

     Também deve ter sido neste período que o povo Ainu entrou no Japão, por Hokkaido, o norte das ilhas. Os Ainu são um povo caucasiano originários do norte da Ásia.  Com o tempo passaram por Hokkaido até o nordeste do Japão, onde ainda existem muitos nomes em ainu. Algumas das palavras em ainu apresentam uma grande semelhança com o japonês. Nos séculos seguintes, os ainu, os ezo ou os emishi, tal como eram conhecidos, foram conduzidos para o norte pela expansão das várias tribos de diferentes raças em Honshu. A sua cultura sobreviveu até o século XX, mas tem sofrido grande pressão das correntes de imigrantes de Honshu no século XIX e está agora sendo rapidamente absorvida. No entanto, ainda se realizam os festivais ainu do urso e do salmão, mas atualmente existem muito poucos ainu de sangue puro. Ou seja, o mesmo que ocorre por aqui, por incrível que pareça também ocorre por lá. Ninguém imagina que o Japão seja um país com cultura indígena. Porém eles existem e estão perdendo sua cultura. Até amanhã.



 Escrito por Anórion Sulin às 01:43
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ELT

     Hoje passei o dia ouvindo J-Pop da melhor qualidade. E resolvi escrever algo aqui para que mais pessoas possam conhecer um pouco deste incrível grupo: o Every Little Thing (ELT).

Every Little Thing

     Inicialmente formado por Kaori Mochida (vocais), Ichiro Ito (guitarra) e Mitsuru Igarashi (teclados), o Every Little Thing é uma das bandas de maior sucesso hoje no Japão. Tendo no repertório músicas que vão desde baladas românticas até o hard rock, a banda tem estado freqüentemente na lista das mais tocadas pelas rádios japonesas. A banda, que fez sua estréia em 1996, foi formada por iniciativa de Mitsuru Igarashi, na época um produtor da gravadora Avex. Além de tecladista do ELT, Igarashi é quem fazia as programações das músicas, além de ter sido o produtor da banda, enfim, o líder do ELT. Mas, recentemente, Igarashi anunciou sua saída, deixando órfã uma das mais renomadas bandas da atualidade, no Japão.

     Ouvindo as gravações demo de cantores anônimos nos arquivos da Avex, Igarashi encontrou a fita com a voz de Kaori Mochida. Este ficou tão impressionado com a voz da cantora que esperou Kaori se formar no colegial para que ela pudesse assinar com a gravadora. Kaori, embora tivesse somente 18 anos na época, já carregava a experiência de ter feito parte de um grupo formado somente por mulheres aos 15 anos. O nome desse grupo era Kuro Buta All Stars. Dona de uma voz cristalina e forte além de ser muito atraente, Kaori viria a ser o ponto chave para o sucesso do grupo.

     Mas Igarashi ainda precisava de um guitarrista e resolveu, então, insistir para que seu amigo, Ichiro Ito, entrasse na banda. Ito acabou aceitando o convite para ingressar na banda, mas sua intenção era permanecer somente por um curto período, até que arranjassem outro guitarrista. Com o sucesso imediato da banda, Ito resolveu permanecer como um membro permanente, o que foi muito bom para a banda, pois é difícil imaginar o ELT sem seus solos rápidos e sempre eficientes.

     O álbum de estréia da banda foi ''Everlasting'' de 1997 que trazia músicas cheias de energia e extremamente dançantes, como ''Dear my friend''. Mais tarde no mesmo ano viria a ser lançado o álbum ''The remixes'' que trazia músicas dos singles lançados e algumas músicas novas. O terceiro álbum '' Time to destination''(1998) deixava um pouco de lado o ritmo alucinante do primeiro CD para trazer músicas mais suaves como ''Time goes by''. Embora as músicas tenham perdido um pouco de sua energia neste álbum, ele serviu para dar mais ênfase à voz de Kaori Mochida. Seguiram-se os álbuns ''Remixes 2''(1998), ''Every best singles'' (1999) que assim como ''The Remixes'' são coletâneas dos singles lançados, tendo algumas músicas novas. Em 1999 foi lançado o álbum ''ELT songs from NY''. A curiosidade é a presença de cantores americanos emprestando suas vozes para os hits do ELT. Mais tarde viriam os álbuns ''Eternity (2000)'', ''4 Force'', "Every Ballad Songs", "The Remixes (III) ~Mix Rice Plantation~", "Many Pieces", "Every Best Single 2" e "Commonplace (2004)".

     Como característica marcante da banda, posso citar o perfeito entrosamento entre o tecladista Mitsuru Igarashi e o guitarrista Ichiro Ito, que pode ser notada em várias músicas da banda, mas principalmente na balada ''Time goes by'', marcada pelo trabalho do teclado na preparação do solo de Ito. Esse entrosamento, aliado à voz da bela Kaori Mochida faz do Every Little Thing uma banda muito boa. As canções são sempre cheias de refrões pegajosos, daqueles que você fica cantarolando o dia todo. E os ritimos variam desde jazz a hard rock.

     Outra peculiaridade da banda é a sua intimidade com o mercado publicitário e televisivo, em geral. A maioria das músicas gravadas em seus álbuns acabam sendo veiculados em algum comercial para a TV ou se torna tema de abertura de alguma novela ou anime. Pode se dizer que o seu estilo POP, com refrões fáceis, atrai os produtores. E isso alavanca as vendagens dos inúmeros singles que eles lançam anualmente. E com o sucesso de tantos singles torna-se fácil gravar um álbum inédito, mas com vários hits já na boca do povo. Para os padrões nipônicos, a quantidade de hits que este grupo produz é algo muito admirável.

     Após a saída de Igarashi, o que se esperava era uma queda na qualidade musical, já que este era a o líder. No entanto, eles acabaram criando uma incrível força que os impulsionaram ainda mais. Os últimos álbuns mostram um amadurecimento muito grande.

     É meio arriscado fazer isso, pois cada um pode se identificar com um tipo diferente de música que eles produzem, mas eu posso indicar algumas canções que me atraem mais: Fragile, Grip!, 'Sorain' (Slain"?"), For the Moment, Pray e Mata Ashita.

     Esta é uma daquelas bandas que ficarão eternamente no meu coração. Posso dizer que sou um fã. Aprendi a gostar de J-Pop ouvindo seus refrões doces, e toda vez que ouço a voz da Kaori, eu me reporto aos meus dias nas terras nipônicas. Caminhando no meio do povo, com os fones nos ouvidos. Eles me dão nostalgia...



 Escrito por Anórion Sulin às 01:05
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Red

Hellboy 
Spark, Red e Blue

Nota: 8,0

     Hoje aproveitei para asssistir ao filme do Hellboy. Um dos filmes que eu mais aguardei no ano. (sou fã confesso do H.B.) Mesmo assim, não fui com a expectativa de ver o melhor filme de toda minha vida. Experiências passadas com outras adaptações já me calejaram o suficiente. Medindo por todo o material disponibilizado na net, sobre o filme, eu sabia que pelo menos respeitariam o visual 'Lovecraftiniano' e o espírito empregado por Mike Mignola, pois este participara intensamente nas filmagens.

     Palmas para Guillermo Del Toro, Ron Perlman e Cia. Garanto que, para aqueles que não conhecem nada sobre este personagem, o filme surpreende. A filme dá uma ótima amostra do universo de Hellboy, onde deuses negros, paranormais e magos, estão sempre em conflito bem debaixo dos narizes da população normal. Basicamente, o que o filme conta é apenas a primeira saga do herói infernal. Para quem leu "Sementes da Destruição" há cenas rapidamente reconhecíveis.

     O ritmo do filme é constante, sem muitos sobressaltos ou reviravoltas na trama. E, às vezes, isso passa a impressão de que o filme é algum tipo de episódio piloto para uma série de TV. (com um orçamento milionário) O intercalamento entre as cenas de ação e as piadas do 'Red' (Hellboy) vão construindo aos poucos a personalidade complicada deste demônio do bem. Porém, é inegável que ao final do filme fica a sensação de que há muito mais a ser dito sobre ele.

     Tenho que mencionar o Abe Sapien (Doug Jones), um tritão, que utiliza equipamentos para poder respirar normalmente fora da água. A fidelidade aos quadrinhos é impressionante, e o ator empresta uma graça e leveza indispensável a este personagem.

     Rasputin, embora seja uma personagem lendária e um inimigo a altura do 'garotão', no filme não consegue atrair a atenção do público. Seu subalterno Kroenen (Ladislav Beran) é muito mais atrativo e interessante, com suas tonfas laminadas. Talvez, por isso, o final não seja tão impactante.

     Os efeitos especiais, corretamente empregados, não interferem demais nas cenas de ação, e contribuem brilhantemente no visual e caracterização das personagens. Como um bom 'chef' de cozinha diria, todos os "temperos estão perfeitamente equilibrados para acentuar o sabor da comida".

     A trilha sonora também me surpreendeu, é ótima. Algumas faixas são bem marcantes e auxiliam dando o ar de heroísmo às cenas.

     Sou conhecido pela minha rigorosidade em dar notas. E se eu digo que este filme vale um 8, é por que vale. Ron Perlman ficou excelente na maquiagem do Hellboy, parece que todos os personagens que ele fez até hoje (desde Salvatore, em 'O Nome da Rosa', até Vincent, de 'A Bela e a Fera') serviram para dar a experiência necessária ao ator poder construir Hellboy. Realmente, Del Toro tinha razão, não poderia ter sido feito com outro ator. Ele é o único que poderia dar a verossimilhança necessária ao interpretar um mostro feioso, com senso de humor, e apaixonado.

     Recomendo este filme, para aqueles que querem curtir um bom filme de super-heróis. Para aqueles que preferem algo mais sério, vá assistir Cazuza, e deixe para assistir Hellboy em vídeo. Mas garanto que Hellboy vale as horinhas de diversão.



 Escrito por Anórion Sulin às 02:58
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