Exaltado Solar, da casta Dawn.
Nascido em 727, do calendário do Reino.
Profissão: Executor de Dragon-bloodeds
Hobbie: Socar, bater, moer, triturar, desmembrar, esfolar e desintegrar Dragon-bloodeds.
Prato predileto: Coração de Dragão.
Filme predileto: Coração de Dragão.


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Trampo!

   Desculpem galera! Eu sei que estou em dívida com muita gente. Eu tenho uma lista de posts encomendados, no entanto não terei muito tempo para escrever como tinha antigamente. Além da faculdade estou trabalhando o dia inteiro. Mas farei o possível para escrever nos finais de semana.

 Escrito por Anórion Sulin às 10:40
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Viva!!!!!!!!!!!!!

   Estou de volta!

   Acabamos de remontar o computador do Adriano!!!

   Como todos os meus antigos arquivos foram para o espaço então terei alguns problemas até voltar a postar regularmente. Mas prometo que logo trarei muitas coisas legais para vocês.



 Escrito por Anórion Sulin às 01:29
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Feliz 2005!!!!!!!!!

   Olá galera!

   Vocês sabem muito bem dos meus probleminhas para manter este blog em dia. Já são meses sem postar algo. E são muitas pessoas me enviando pautas para novos posts. Não se preocupem que logo poderei retornar a todo vapor.

   No momento estou desfrutando do Rio de Janeiro. Pela primeira vez vou acompanhar os fogos de Capocabana ao vivo da areia da orla. Mas voltarei a tempo de jogar RPG com vocês, semana que vem.



 Escrito por Anórion Sulin às 14:15
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Ainda sem Previsão de Retorno

     Apesar de ter muito assunto para escrever continuo sem meios técnicos para posta-los aqui. Estou aproveitando que estou em um Cyber Café para verificar o resultado do vestibular que prestei para mandar um "oi" e dizer que continuo entre os "viventes".

     Ah! Passei no "mardito" vestibular...

      Até o meu próximo post. Que seja em breve!



 Escrito por Anórion Sulin às 14:11
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IMPORTANTE

     Estou enfrentando problemas tecnicos para manter o blog em atividade. Ja faz um mes que não posto nada. Mas assim que possivel volto a atualiza-lo.

 Escrito por Anórion Sulin às 09:52
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Amolando

     Você pode achar que amolar significa dar corte a espada. Mas "amolar" no caso das katanas é um termo mais aprofundado. Um amolador corrige as formas, decide as linhas que compõe a espada, alterna entre diversas pedras de amolar conforme o trabalho, e conclui o Ji, Hamon, Kissaki, Shinogi-ji, e Mune. Ou seja, ele dá todo o acabamento da superfície da lâmina. Eles amolam precisamente e sem instrumentos, além das pedras. A técnica é impressionante.

     Os amoladores fazem o Ji ficarem azul-preto, e fazem o Hamon se tornar branco, polem o Shinogi-ji, e finalizam a Kissaki. Eles amolam em ordem para que a espada corte bem, é óbvio, porém também aumentam a harmonia estética da arma. A grosso modo o processo de amolar é dividido em duas partes "No Chão" e "Acabamento". Agora vou dar uma simples introdução ao processo de amolar.

As Pedras

     Todas essas pedras são diferentes, e cada uma delas tem um nome.

Pedras de Amolar

Na fila de cima (da esquerda): Arato, Oomurato, Binsuido, Tsushimado, Uchigumorido.

Na fila de baixo (da esquerda): Kongoudo, Iyodo, Binsuido. Kaiseinagurado, Tyunagurado, Komanagurado, Uchigumorihado, Uchigumorijido.

Formato de uma Pedra de Amolar     A forma da pedra não é perfeitamente retangular, no meio ele é mais alto formando um arco. Ela não é desenvolvida para amolar grandes áreas afinando a espada.

 

Postura

Postura no Chão     A postura quando eles amolam é peculiar, como na figura. Dobrando o joelho direito junto ao peito, o esquerdo fixa e segura a pedra.

No Chão

     A primeira pedra utilizada no chão é o Iyodo. O propósito da Iyodo é remover ferrugem, e corrigir as formas dando um fio.

     O próximo estágio é fazer as marcas das pedras afinarem gradualmente. O amolador troca o Tyunagurado pelo Komanagurado e assim vai removendo-as.

     Agora comece a afiar o corte e o Ji. Esse trabalho é chamado de Hiku, que significa 'Puxar'. Esse nome é devido ao movimento mais empregado neste trabalho. Desta forma o Hamon começa a aparecer gradualmente, e o Hataraki ou Jihada começa a ficar visível. Essa parte é muito importante. Se você cometer um erro não há como reparar.

 

Acabamento

Pedras para Polir     Agora você deve trocar de material e método. Na figura a pedra da direita é o Haduyado, e o da esquerda é o Jiduyado. Parta cada pedra em pedaços pequenos e os apare em outras pedras de amolar fazendo quadradrinhos como na foto. Esses quadradinhos são denominados Haduya e Jiduya.

     O Haduya é feito a partir do Uchigumorido e mede 1mm de grossura e 1cm². O Jiduya é feito a partir do Narutakido, e a grossura e tamanho são idênticos ao do Haduya.

     Coloque o Haduya no polegar e deslize sobre o Hamon. Então as marcas do Hamon aparecem.

Jiduya

     Usando o Jiduya deslize sobre o Ji. Assim o Jihada aparece.

Nugui

     Este é o trabalho que torna o Ji azul-preto e polido. Ainda que o material que cada amolador utilize difira, eles o fazem assando ferro oxidado que fagulha das espadas quando o ferreiro a estão forjando, e o torna pó, depois misturam óleo. Coloque esta mistura no Ji a intervalos regulares enquanto o pole com um algodão.

Hadori

     Se você polir toda a lâmina com o material mencionado o Hamon tornar-se-á azul-preto. Então você tem que fazer o Hamon ficar branco. Para isso faça a maquiagem da espada.  É isso que os antigos amoladores faziam, por isso o Hamon branco que você vê não é o Hamon verdadeiro.

     Se você quiser ver o Hamon verdadeiro da Katana, é necessário levar a lâmina a uma fonte de luz e refleti-la. Assim o Nie e o Nioi, nome dado às marcas do Hamon, podem ser vistas com o reflexo da luz. Explicarei melhor o que o Nie e o Nioi mais adiante.

     Amole o fio ao longo do Hamon com o Haduya.

Migaki

     O próximo passo é polir o Shinogi-ji e a aresta com uma vareta ou uma espátula. A vareta é feita de aço e seu comprimento é de 15 cm. A ponta é afiada, como um lápis.

Linhas do Hamachi     Então, desenhe linhas perto do Hamachi e da aresta do Kissaki, como na figura. Esse é um enfeite e uma das assinaturas do amolador.

     Eles as desenham em um instante sem o usa de régua. Se eles falham precisam voltar para o chão e começar tudo de novo, então eles não podem errar.

     A figura abaixo são as linhas da aresta.

 

 Linhas da Aresta

Yokote

Yokote     Yokote é parte mostrada na figura pela linha tracejada debaixo da kissaki. Defina essa linha e trace-a com a Haduyado. E por último finalize o Boushi (corte da kissaki).

 

 

 

 

     Após todo este processo você terá uma Katana com fio. A grande dificuldade é encontrar as pedras de amolar. Mas nada intransponível para aquele que realmente deseja sua Katana própria.



 Escrito por Anórion Sulin às 03:33
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Como Produzir sua Própria Katana

     Não estou de brincadeira. Se você possuir uma forja apropriada, material disponível, e muita paciência para tentar várias vezes até que dê certo, você poderá ter em mãos uma katana Aqui vai uma descrição dos passos da confecção de uma katana.

     É dito que a matéria-prima da Katana é basicamente o Tamahagane. No entanto, não é sabido claramente quais eram os materiais e métodos para a produção da Katana na época dos Kotos. As técnicas atuais originam-se dos relatos da Era Edo. Quando eu descrevi a passagem das eras da katana, eu fui bem sucinto. Deixei as coisas bem simples. Eu precisava explicar melhor toda a teoria. Então deixei de falar sobre as diferentes formas de lâminas e as 'escolas' que as originaram. Vou deixar isso para um texto mais avançado. Mas fique sabendo que as técnicas do período shintou são a base para este texto.

Mizuheshi

MIzuheshi     Essa é aquela parte em que você esquenta o Tamahagane e martela-o afinando-o calmamente e repetidamente. É um trabalho árduo embora pareça fácil. O Tamahagane ficará quebradiço se for esquentado em altas temperaturas e repentinamente batido com força.

     Primeiro, golpeie levemente quando o Tamahagane ainda estiver a baixa temperatura. E quando ele se acostumar, aumente a temperatura e golpeie com força. Esse trabalho necessita experiência e intuição.

     Quando o Tamahagane tiver sido martelado até a espessura de 5mm, coloque-o em água e resfrie repentinamente. As partes que possuem muita quantidade de carbono quebram e decantam. As partes que não decantam são usadas no próximo trabalho.

     Mais um ponto difícil deste trabalho é o modo de se posicionar o Tamahagane quando você o golpeia. Pois algumas partes que não são adequadas para a produção da espada continuam inclusas, e o Tamahagane não será uma boa matéria-prima como deveria. Então você tem que golpeá-lo considerando a sua posição para que essas partes sejam removidas.

KowariKowari

     O material resultante do passo anterior é dividido em pedaços de 2cm a 3cm. Ainda que, as partes que possuam a quantidade correta de carbono quebrem imediatamente, as partes pegajosas com pouca quantidade de carbono não se tornam quebradiços. E não se tornam adequadas para a utilização no Kawatetsu (fora), então são usadas no Sintetsu (dentro).

Faça um Fulcro e uma Vareta

Fulcro e Vareta     Como o sustentáculo, ou fulcro, se tornará parte da lâmina da espada, ele deve ser feito de Tamahagane de boa qualidade. E como a Vareta não será parte da lâmina você pode utilizar um material não tão bom.

     É só anexar ambos.

 

Tsumi-kasaneEmpilhando

     Empilhe o aço, que foi dividido em pedaços, exatamente sobre o sustentáculo. O calor é transmitido uniformemente se fizermos isso.

     Empilhe de 2Kg a 3Kg. Os artesãos usam até os menores fragmentos, nunca desperdice.

Aqueça essa Pilha de Aço

     Embrulhe esse aço empilhado com Washi, um papel úmido japonês. Borrife carvão granulado e água barrenta uniformemente, e coloque no fogo. O papel úmido serve para não deixar a pilha desmoronar. A água barrenta é para aquecer o interior do aço. E o carvão granulado é para separar o aço do ar evitando 'queimar' o aço.

     No estado de Tamahagane o aço não está refinado completamente, então você precisa refiná-lo colocando-o no fogo e martelando-o muitas vezes. É por isso que este trabalho é muito importante. Martelando o aço ele endurece, mas o aço que se torna adesivo precisa ser martelado com todo o cuidado e rapidez. Considerável habilidade e tecnologia são necessárias para este trabalho.

Forje o Aço Martelando-O

     O propósito deste estágio é retirar as impurezas e igualar a quantidade de carbono. São necessários de 2 a 3 ajudantes para martelar. O ajudante martela ao sinal do artesão. E acertar o tempo do golpe com o sinal do artesão é muito importante, e não é qualquer um que consegue fazê-lo.

     Recentemente alguns artesãos começaram a fazer este trabalho sozinhos, com a utilização de martelos mecânicos. No entanto, isso pode afetar o nível de habilidade dos aprendizes de ferreiro. Pois estes deixam de praticar, auxiliando seus mestres.

     Agora, chegou a hora de dobrar, martelar e forjar. Daquela forma como mostrei em um post anterior.

     Se o ar entra quando o aço é dobrado, impedindo a aderência, ele se torna falho. Por isso, é necessária muita habilidade neste estágio.

     O trabalho de dobrar e forjar o aço é repetido de 10 a 15 vezes. Se ele for repetido 10 vezes, você terá 1024 camadas de aço. Essa é a razão para a resistência da Katana.

     E é isso que faz os desenhos do Jihada. Jihada é uma das características da katana que eu ainda não mencionei. Mas são como a impressão digital da espada. E terei outra oportunidade de mostrar mais detalhadamente.



 Escrito por Anórion Sulin às 02:19
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Faça o Sintetsu

     Como eu já havia explicado, a razão para a Katana não quebrar, não entortar, e ter bom fio é o aço flexível, chamado Sintetsu, que contém pouco carbono, que é embrulhado pelo aço duro, chamado Kawatetsu, que contém bastante carbono.

     A principal matéria-prima do Sintetsu é o Houtyoutetsu, que é pegajoso. O apropriado para o Sintetsu é que você dobre-o e forje-o 5 ou 6 vezes.

Montagem

     Esse é o estágio em que embrulhamos o Sintetsu com o Kawatetsu. Existem vários métodos. A figura abaixo serve para termos uma idéia disso. A parte branca é o Kawatetsu, a parte cinza é o Sintetsu, a parte amarela é o Hatetsu, e a parte azul é o Munetetsu.

Montagem da Katana

     Como eu havia adiantado, alguns artesãos fazem o Hatetsu que é o aço do corte, separadamente.

Dando Forma a Espada

     Esse é o estágio em que moldamos a espada. Após combinarmos as partes como na figura anterior, colocamos no fogo e o alongamos com o martelo. O formato da katana é feito apenas com um martelo.

Fazendo o Kissaki

Kissaki     Para fazer o Kissaki (ponta) corte fora, na diagonal, o canto oposto em que você queira o kissaki. Como na figura 1.

     E martele, com um martelo pequeno. Como na figura 2. Até finalizar como na figura 3.

     Por que cortar o lado oposto? Observe bem as figuras. Nela você poderá notar algumas linhas que acompanham o comprimento da lâmina. Essas linhas são chamadas Jihada. Detalharei-as mais adiante. Porém, você pode notar que estas linhas estão esticadas na primeira figura e vão encurvando em direção à aresta na figura 3. Isso lembra o desenho que se forma no Hamon, estão lembrados? Então, agora vocês sabem que não é por acaso que o Hamon faz esta curva. Mas eu ainda não disse o porque. Qual o motivo desse trabalho todo, não seria mais fácil cortar o canto e dar uma arredondada? Seria. Mas no momento em que vamos dar a dureza final à espada, forjamos o aço uma última vez e neste momento ambos os lados, do corte e da aresta da lâmina dilatam-se. E como o Kissaki é o ponto crítico ele se parte com a pressão. Por tanto, essa é parte mais difícil e importante do trabalho.

Acabamento

     Este é o momento de criar todo o 'design' com um martelinho.

Forje a Lâmina

     chegou a hora H. Depois de todo este intenso processo, chegou o momento de forjar a dureza da lâmina. Quando uma Katana é forjada, a sua lâmina é coberta com uma lama especial. Essa lama é chamada "Yakiba-tsuchi". Essa lama é feita com pó de carvão, pó de pedra de amolar, e argila, que são misturados com o cuidado de dar a consistência ideal para que ele não caia no fogo. Cada artesão faz essa mistura de forma única. Quando você for recobrir a lâmina com a lama passe uma camada fina no lado que vai se tornar o fio, e uma camada grossa na parte oposta. Os efeitos dessa lama milagrosa são os segredos que diferenciam a forja da Katana. É ela que produz o efeito que faz surgir o Hamon. As explicações científicas ficarão para depois, pois tomariam muito espaço.

     Como mostrarei depois, o Hamon possui diversos formatos e é nesta etapa que conseguimos desenhar a forma dessa linha, através da forma que delineamos a lama. No entanto, o Hamon não necessariamente tomará a forma que você deu à lama. Para se fazer um bom Hamon você terá que fazer um aço adequado para o Hamon na hora da sua forja. Sem fazer isso não há como fazer um Hamon da forma que você deseja.

     Existem 5 escolas de Katanas desde os tempos antigos, e os métodos de fazer espadas, e forjar o Hamon, mudam em cada escola. Mas como vocês já devem estar esperando, não vou dar mais detalhes sobre as escolas agora.

     Também é neste estágio que a lâmina se curva. E isso também é um efeito causado pela lama. E como eu disse explicarei a lama depois...

Afiando a Lâmina

     Após forjar a lâmina sem problemas, com a curvatura correta, é chegada a hora do artesão amolar a espada. Esse estágio é denominado Kaji-togi. Depois de pronta a Katana um amolar especialista irá amolar a espada. Entretanto, neste estágio o artesão dá a primeira forma ao fio, e é fundamental que esse trabalho seja feito com responsabilidade.

Faça o Punho e Assine

     Lime o punho e faça o Mekugiana (buraco). E grave o seu nome, o Mei.

     Aí a Katana passa para as mãos de um amolador especialista. Farei um post só para falar sobre como amolar a Katana.

     Depois de amolada, a espada passa para o especialista em fazer as portas-espada de madeira, que chamamos de Saya-shi. E depois ela via para o cara que faz os ornamentos metálicos, os Shiragane-shi. Após os trabalhos de todos os artesãos você tem uma Katana completa.

     Simples, não? Quando for fazer sua própria espadinha do Jiraya lembre-se que ela é uma arma letal, e os tiras costumam encanar com pessoas portando armas maiores que as deles.  Até a próxima, qualquer dúvida o link de comentários está a sua disposição.



 Escrito por Anórion Sulin às 02:12
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Os Lados da Katana

     Geralmente o que nos importa em uma espada é com que ponto eu espeto meus inimigos. Mas como em tudo os japoneses gostam de uma certa dose de confusão, a Katana tem o lado da frente e o lado de trás.

Parte Frontal da Katana

     Na figura está representada a parte frontal da Katana. Ela é posicionada ao lado esquerdo da cintura com o corte voltada para cima. Então, o lado posterior fica colado ao corpo.

Parte Frontal e Posterior da Tachi

Parte Frontal da Tachi

     Na figura temos a representação da parte frontal da Tachi. A imagem assemelha-se a uma Katana ao contrário. A Tachi é posicionada ao lado esquerdo da cintura com a lâmina voltada para baixo.

     Os ferreiros gravam o Mei (nome) na parte frontal da Nakago (punho) e grava a data de quando a produziu na parte posterior. Por tanto, a parte com a Mei é a parte frontal. As Katanas são exibidas com o lado frontal visível nos museus de arte.

     No entanto há exceções para isso. Alguns artesãos gravam o Mei na parte posterior mesmo na Katana. Não me perguntem o porque disso. Esse assunto parece repetitivo, mas é importante notar que muitas vezes as pessoas não sabem como expor as Katanas nas lojas, ou até mesmo em casa.

Como Expor a Katana

Expondo a Katana

     Na figura podemos notar que a Wakizashi é suspensa acima da Katana. Por que isso?

     Quando o samurai sai de manhã, primeiro ele "veste" a Wakizashi e vai até a entrada carregando a Katana. E lá ele veste os chinelos e "veste" a Katana. Então, fica mais fácil de pegar a Wakizashi quando ela está acima.

     Mas sempre existem os do contra, aqueles que querem dispor a Katana acima. Você até pode fazê-lo, mas terá que inverter a posição do cabo. Por que?! Questão de etiqueta. Esse assunto merece um tópico aparte.

Como Expor a Tachi

Expondo a Tachi

     Ao exibir a Tachi, um apoio como no da figura é usado. E a cabeça do Tsuka é voltada para baixo, e o corte é voltado para a direção do apoio.

     No próximo texto vou abordar algo mais interessante. Os métodos para se fazer uma Katana. Preparem suas forjas pois vou dar o passo a passo.



 Escrito por Anórion Sulin às 03:48
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Classificação das Espadas Japonesas

     Este assunto apesar de interessante, é bastante complicado e técnico. Não sei se agrada a todos. Mas como eu já comecei não pretendo parar até ter dito tudo o que sei sobre katanas. Caso alguém queira protestar "me encontre no estacionamento após a aula".

     Eu já escrevi sobre a classificação dada às katanas quanto a sua idade, ou período em que foi confeccionada. No entanto, hoje descreverei a classificação quanto o comprimento e algumas peculiaridades entre as diferentes lâminas japonesas.

Classificação por Comprimento

     A classificação quanto ao comprimento da lâmina é a seguinte:

Katana - o comprimento da lâmina é maior que 60cm.
Wakizashi - o comprimento da lâmina é maior que 30cm e menor que 60cm.
Tantou - o comprimento da lâmina é menor que 30cm.

Tachi e Katana

     Eu já mencionei a diferença entre ambas espadas. Entretanto, gostaria de reforçar que a diferenciação entre elas é muito importante. A Katana tem a lâmina voltada para baixo e é carregada no Obi (cinto japonês para o kimono). A Tachi tem a lâmina voltada para baixo e é carregada suspensa na cintura. É isso, o modo de vestir difere entre elas. Volto ao assunto para adicionar outros detalhes.

     Além disso, o uso delas também difere. A Tachi corta o inimigo que está no chão quando montado a cavalo. A Katana começa a ser usado quando os métodos de batalha mudam dos cavalos para o chão, e a velocidade do saque da espada torna-se preponderante. Por tanto, o propósito de ambas espadas é diferente.

     Ainda que, o tamanho da lâmina da Katana seja em torno de 71cm, a lâmina da Tachi é geralmente maior. E se ela se apresenta menor isso não faz dela uma KatanaTachi é Tachi porque foi forjado como uma.

Naginata e Nagamaki

Naginata     Naginata é a arma perfeita para picar neguinho e ela tem um cabo longo. Os samurais começaram a usar a Naginata noNagamaki período Heian, mas naqueles dias eles apenas ataram um longo cabo a uma longa espada Syoubu-dukuri, espada com a forma de planta Iris nipônica. A este tipo de arma deram o nome de Nagamaki.

     Naginata possuem dois tipos de formas, como na figura. O da esquerda tem uma lâmina larga e com uma curvatura acentuada. Essas são para as mulheres. Chamamos ela de "modelo feminino". Ela parece pesada e a lâmina e grande. Você pode estar achando que uma mulher não conseque usá-la. Normalmente, a força da mulher é menor, então a lâmina é mais curta que para os homens. Quando encurtamos a lâmina, o peso torna-se insuficiente para picar 'os neguinho'. Então a lâmina larga e forte curvatura compensam isso. Assim as mulheres podem fatiar os coitados com facilidade. As explicações para este efeito milagroso da curvatura da Naginata darei no futuro. Vou fazer um pouco mais de mistério.

     E o assunto não tem fim... Quem mandou perguntar. Agora agüenta!



 Escrito por Anórion Sulin às 18:35
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Partes da Katana

     Para entender os diferentes tipos de katana é preciso aprender os nomes das partes que formam uma katana. Pois as variações entre as diferentes escolas de ferreiros diferem nestes pequenos detalhes.

     Esta parte pode ser um tanto complicado, ou diria até mesmo chato, para aqueles que não são tão entusiastas do assunto. Porém, garanto que será do agrado da maioria dos freqüentadores deste blog.

     VamoPartes da Katanas direto ao assunto:

 

 

 

 

 

 

Hawatari (comprimento da espada) - é a distância entre o A e o B.
Sori (curvatura) - é a distância entre o C e o D.

 

 

 

 

 

 

 

 

Partes da Katana

 

 

 

 

 

A: Mune - o lado oposto ao corte.
B: Shinogi-ji - a superfície entre a aresta e o Shinogi-suji.
C: Shinogi-suji - a linha que corre paralela à aresta.
D: Mune-machi - o fim da aresta.
E: Yasuri-me - marcas de lima.
F: Mei - Nome do ferreiro.
G: Mekugi-ana - um orifício para a fixação do Nakago ao Tsuka, por um prego feito de bambu seco.
H: Hamon - o traço de um corte temperado.
I: Ha - corte.
J: Ji - superfície entre o Shinogi-suji e o Hamon.
K: Ha-machi - o fim do corte.
L: Nakago - o punho da lâmina.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

     O Machi é limite entre a lâmina e o punho. Há dois machis, do lado da lâmina, e do lado da aresta.

     O Yasuri-me serve para segurar o cabo de madeira na lâmina da katana. Esta peculiaridade vem sendo usada desde as espadas koto. A Yasuri-me difere entre cada escola de ferreiros, por tanto esse é um ponto importante que se deve atentar na hora da avaliação de quem fez a katana, e quando o fez. Embora na figura a lima esteja representada apenas em uma parte da Nakago (punho), na realidade a lima preenche toda ela.

     Como cada artesão tem responsabilidade por seu próprio trabalho, eles gravavam o Mei. O mei é o seu nome, e em alguns casos eles também gravavam a data.

     Hamon é a parte da lâmina em que a característica do aço e alterada, por reações químicas, quando esta é forjada. O desenho que se forma como montanhas é o Hamon, e esta parte é mais dura que as outras partes da lâmina. Existem vários padrões de Hamon e cada escola possui seu Hamon característico. Há explicações físicas para o surgimento do Hamon no momento da forja, no entanto, todas as explicações deste tipo eu darei em separado, em outro post.

     Mesmo que a Nakago fique sempre escondida no Tsuka, ele e uma parte importante quando vamos avaliar uma katana. O material dele é diferente do Kawatetsu (aço de fora da lâmina), então ele enferruja com o passar do tempo. E esta ferrugem é importante para avaliação da idade da espada. E também existem diferentes estilos de Nakago.

Partes da Katana

 

A: Kissaki - é a ponta da espada.
B: Fukura - é a curva na ponta da kissaki.
C: Boushi - é o corte forjado da kissaki, e é uma das partes mais importantes. Caso não haja o boushi o valor da katana se perde. Podemos ver a habilidade do artesão observando o boushi. Detalharei as dificuldades para a confecção do boushi em outra oportunidade.
D: Monouchi - a parte que corta os neguinho...
E: Kaeri - o Boushi forma-se na direção da extremidade da kissaki (ponta), no entanto ela faz uma curva em direção à aresta, formando um ângulo em U, a isso denominamos Kaeri.

 

 

Kasane e Mihaba

     Kasane é a grossura da katana, e a largura, do corte à aresta, é a Mihaba. Simples.

Hi

     Hi é uma vala gravada na lâmina da katana. O Hi serve para tornar a espada mais leve, não deixa a lâmina entortar, e suaviza o impacto dos golpes.

Hi e Hamon

     Na imagem você pode ver a vala. E logo abaixo você pode identificar um padrão como uma montanha branca, este é o Hamon. Faz-se o Hamon se tornar branco artificialmente na hora de afiar a lâmina. É um tipo de maquiagem para a katana.

     O Hi é classificado em diferentes tipos de acordo com o local até onde a vala é entalhada. Nas figuras abaixo, as partes pretas são os His. Alguns His vão até o fim do Nakago, outros param no Machi, exitem os intermediários, e entre os que param no Machi existem os que são quadrados e os arrendondados.

HiHi

     Agora creio que vocês entenderão melhor os termos que eu utilizarei nos futuros posts. É recomendável que vocês os tenham sempre em mente. Pois não vou hesitar em usá-los. Até a próxima.



 Escrito por Anórion Sulin às 02:56
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A Confecção da Espada

     Olha... tenho tanto material para falar sobre a confecção das espadas que eu acho que levarei um bom tempo para postar tudo. Mas garanto que será muito interessante, por tanto, aproveitem ao máximo, e tenham paciência.

Mestre Ferreiro

Materiais para Confecção da Katana

     Todos os mestres ferreiros produtores de qualquer tipo de espada enfrentaram um dilema básico: o aço deve ser duro para poder ser afiado, mas o aço duro é frágil e quebra facilmente.

     Muitas técnicas foram desenvolvidas pelo mundo afora sobre este problema técnico, porém entre todas elas a solução japonesa é incomparável. A solução encontrada foi a combinação de estruturas compostas e endurecimento seletivo. É surpreendente como os antigos ferreiros, sem entender de metalurgia moderna, puderam desenvolver tal delicado equilíbrio.

Tatara     O aço para uma espada japonesa é produzido de um pigmento preto, areia-como óxido férreo (Fe2O3), chamado Wetetsu. E para fazer o aço wetetsu, o oxigênio ter que ser removido, e o carbono introduzido no ferro. Esse processo é denominado fundição de minérios. Na tradicional fundição nipônica, utiliza-se a Tatara, um tipo de forno de barTamahaganero, para que em relativa baixa temperatura possa se produzir o aço cru, chamado Tamahagane. A cor e a textura do tamahagane dependem das impurezas do minério, e assim dependem do local da coleta do material.

     No tatara se coloca o minério de ferro sobre o carvão vegetal em brasa. E esse processo de colocação do minério dura 3 dias ininterruptos. A parte do fundo desta massa líquida é o tamahagane. Mas o rendimento do processo é bem ruim. Caso você utilize 10Kg de minério e 12Kg de carvão conseguirá apenas 2,5Kg de tamahagane. Por isso este material era considerado precioso.

     No entanto, o uso do tatara na produção do aço durou até a era Meiji, quando se começou a importação da tecnologia estrangeira de fornos de alta temperatura, com a utilização de carvão mineral. O problema é que o derretimento do minério a altas temperaturas produz um cristal de aço estufado e quebradiço.

     Utilizando-se carvão vegetal você pode fazer aço a "baixas" temperaturas, então as impurezas dificilmente derretem e o cristal de aço não estufa.

     Entretanto, o estilo estrangeiro de manufatura espalhou-se gradualmente e o tatara caiu em desuso. Você deve estar se perguntando o porque desta besteira. Mas isso é fácil de se compreender. É só nos lembrarmos de que foi mais ou menos nesta época que a produção em massa de espadas tornou-se necessária, e a qualidade do aço já não era tão importante. Inclusive, a mudança na classificação das espadas de Koto (espada velha) para Shinto (espada nova) se deu nesta época. Essa classificação não se refere somente à qualidade do material empregado na confecção mais pela forma de confeccioná-las que também se alterou muito para garantir a produção em grandes quantidades.

     Em 1933 o tatara até foi ressuscitado, e chamado de Yasukuni Tatara, mas o tamahagane dificilmente fora produzido depois disso, e em 1940 já não havia mais estoques de tamahagane.

     Atualmente, caso algum ferreiro queira produzir uma katana ele precisa confeccionar um pequeno tatara ou coletar antiguidades metálicas, como pregos antigos e processá-los em uma substância próxima ao tamahagane.

CaractCorte transversal da Katanaerísticas da Katana

     Lembram daquele grande dilema sobre a dureza e maleabilidade do aço? Então, a solução encontrada pelos ferreiros nipônicos foi encapar um aço flexível com um aço duro. O aço de fora é duro, assim ele se torna difícil de quebrar, e por dentro o aço é maleável para absorver os impactos, e por isso maleável. O aço externo é denominado Kawatetsu, e o aço interno é denominado Sintetsu. Há alguns casos em que o corte é feito independentemente, com uma combinação dos metais, denominada Hatetsu, que significa "corte de aço".
     Há uma pequena confusão que alguns fazem quanto ao tipo de aço que vai internamente e externamente na katana. Isso porque, alguns imaginam que o corte da lâmina seja produzido com o material interno. Mas na verdade o sintetsu fica na parte sem corte. Mas como eu disse há alguns casos em que se utiliza o hatetsu para produzir o corte.

 

  

Curvar, Dobrar e Forjar o Aço

     Para se fazer uma katana o tamahagane é curvado, dobrado e forjado repetidas vezes. Habitualmente, o aço externo, o kawatetsu, sofre este processo umas 10 vezes.

Forja

     Com esse procedimento as impurezas são removidas e faz com que o carbono se distribua uniformemente pelo aço.

     Se este trabalho for repetido 10 vezes, serão produzidas 1024 camadas de aço. Esta é a razão da rigidez da katana. Quando um aço estrangeiro é dobrado, as camadas não se aderem.

     Embora o tamahagane seja excelente, a quantidade de carbono se altera conforme o local da peça, então você tem que nivelá-lo. Quando você martela o material, fagulhas projetam-se. Essas fagulhas são as impurezas. Este trabalho é muito cansativo por isso são necessários alguns ajudantes.

     O meu próximo post será sobre os nomes de todas as partes de uma katana, por isso não deixe de conferir.



 Escrito por Anórion Sulin às 02:50
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Período Muromachi (1394 d.C. a 1573 d.C.)

   Então vamos dar prosseguimento ao texto. Parei de escrever, exatamente, quando ia dar início ao período Muromachi, aquela em que houve cem anos de guerra interna. Isso foi proposital, pois este período merece ser dividido em 2 partes, já que houve evolução das espadas neste período. Então aqui vai.

Início Muromachi (1394 d.C. a 1466 d.C.)

    Com o crescimento dos exércitos os soldados montados ficaram cada vez mais raros, e os ashigaru foram tornando-se a força principal. Ainda eram produzidos muitos tachis, no entanto, a era das katanas já estava surgindo. Os odachis, ou nodachis, eram poderosos, entretanto, logo no início do período Muromachi perceberam que as espadas com lâmina mais curta eram mais fáceis de portar e muito mais rápidas para sacar. E, justamente, pensando na velocidade do saque que os artesãos passaram a encurvar ainda mais as lâminas, mesmo sendo para soldados a pé. Então as espadas desta época tinham entre 69.7cm a 72.7cm de comprimento, eram curvas e estreitavam a largura na ponta. Este estilo de espada passou a ser conhecida como Uchigatana, e no fim deste período quase todas as espadas já eram deste modelo.

Uchigatana

Fim Muromachi (1467 d.C. a 1573 d.C.)

    Inicia-se aquele período dos cem anos de guerra, e a mobilidade dos exércitos torna-se estrategicamente vital, então as espadas acabam tornando-se ainda mais curtas. A maioria das espadas produzidas nesta época tinha em torno de 60 a 65cm de comprimento. Pode-se dizer que estas eram as características básicas das espadas denominadas katanas. Por tanto, este fora o auge delas.

    A katana é uma espada relativamente curta que é levada no obi (cinto) com a extremidade cortante voltada para cima, pois isso viabiliza o saque da espada com apenas um movimento. Ao contrário da tachi que era pendurada no obi com a extremidade cortante voltada para baixo.

    Nesta época a demanda por espadas foi enorme e a qualidade das espadas não poderia ser a mesma para todas elas. O termo Kazuuchi foi utilizado para definir aquelas espadas produzidas em massa, diferenciando-as das de boa qualidade.

    Foi nesta época que a fama das espadas nipônicas alcançou terras chinesas, e estas passaram a importar espadas japonesas. O volume de produção era tão grande que se chegou a contabilizar 100 mil espadas exportadas à Dinastia Ming.

Período Azuchi-Momoyama (1573 d.C. a 1602 d.C.)

    Estão lembrados do que ocorrera em 1543 que afetou para sempre o estilo de lutas campais? Acertaram aqueles que responderam a chegada dos portugueses com suas armas de fogo.

    No início o impacto destas armas não foi muito grande, pois as mesmas eram muito lentas e difíceis de serem recarregadas, então dificilmente se via uma em batalha. Mas o grande estrategista Oda Nobunaga as usou na com grande efeito na batalha de Nagashino, em 1573. Nesta batalha um grupo de pistoleiros dizimou o clã Takeda, consideradas as melhores tropas montadas do país.

    Essa nova estratégia tornou as tropas montadas impotentes contra formações apertadas de ashigaru munidas com armas de fogo. Logo, as armaduras tiveram que sofrer adaptações, e se tornaram mais grossas para protegerem contra balas. E em contrapartida as espadas tornaram a serem mais longas, mais pesadas e mais robustas, para transpassarem as novas armaduras.

Período Edo (1603 d.C. a 1868 d.C.)

    Este é a época pós-guerras, quando surge o bakufu Tokugawa, que rege o país por centenas de anos. Neste período de aparente paz as artes ficam em alta e as espadas tornam-se mais refinadas. As matérias primas ficam acessíveis e a troca de experiência entre os ferreiros é facilitada.

    Neste ambiente mais ameno, em que os mercadores vinham enriquecendo e as artes ganhando prestígio, estranhamente, a fabricação de espadas foi um negócio próspero. Não pelo motivo usual, da necessidade da utilização das mesmas, mas pelo fato de que os artesãos passaram a utilizar novos tipos de metais de cores variadas para produzir uma decoração mais estética às armas, e assim as espadas se tornaram mais relacionadas ao status do guerreiro, ganhando contornos de símbolo de poder, e não mais de arma para combate.

    Como a diferença entre as espadas produzidas antes e durante o período Edo era muito grande as pessoas passaram a classificá-las como “espadas velhas” e “espadas novas”.

    Como um longo período de guerra foi sucedido por um longo de paz um grande número de samurais acabaram se sentindo meio inúteis, ou ociosos. Assim nasceram muitas escolas de kenjutsu nesta época. Acredita-se que havia mais de 600 escolas diferentes nesta época.

Período Moderno (1869 a -)

    Como foi no período subseqüente ao Edo que a classe samurai foi extinta então, em termos de confecção de espadas podemos considerar que a partir do período Meiji em diante entramos no período moderno das espadas.

    Com a restauração Meiji o samurai perde o direito de portar o Daisho, o par de espadas que tinha sido o símbolo de sua classe.

    Sem mercado para espadas os ferreiros tiveram que achar outra fonte de renda. Entretanto, o governo Meiji logo se viu em uma empreitada militarista e as espadas se fizeram mais uma vez necessárias. Só que já não havia tantos ferreiros e o Japão passava por uma onda de industrialização então a maioria dessas armas foi produzida, em massa, em fábricas.

    Quando o Japão perdeu a II Grande Guerra Mundial os Estados Unidos proibiram a fabricação de espadas, isso foi um golpe fatal à arte da forja. E como o poder militar recaiu sobre os americanos, estes confiscaram as armas japonesas. E cerca de 400 mil espadas historicamente e artisticamente importantes acabaram nos Estados Unidos. Com isso toda a arte japonesa da produção de espadas estava quase extinta.

    Afortunadamente, em 1953, as fábricas de espadas voltaram a se tornar legais. E com isso, aqueles antigos mestres puderam passar o seu conhecimento à futura geração.

    Hoje em dia há em torno de 250 ferreiros em atividade no Japão, produtores de espadas que se assemelham muito às espadas do passado. E com os avanços da tecnologia pode-se dizer que estas novas espadas chegam a superar em qualidade e beleza às espadas produzidas pelos seus ancestrais. Mas jamais poderemos compará-las quanto ao seu valor histórico.

Partes da Katana

   Aqui vai a classificação das espadas referente à idade das mesmas, ou o período que elas eram confeccionadas, acrescida das eras mais recentes:

Jokoto (espadas antigas) - 795
Koto (espadas velhas) - 795 a 1596
Shinto (espadas novas) – 1596 a 1624
Shinshinto (espadas mais novas) – 1624 a 1876
Gendaito (espadas contemporâneas) – 1876 a 1953
Shinshakuto (espadas modernas) – 1953 a –

    Este foi o histórico das katanas. Mas como brinde continuarei a escrever sobre elas. Agora abordarei as diferentes formas de confecção que geraram diferentes classificações entre as espadas. Até logo.



 Escrito por Anórion Sulin às 05:04
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História da Espada no Japão

     Fiquei feliz com a quantidade de comentários sobre o post da Guerra Russo-Japonesa. Mas como o post já está a muito tempo e o assunto ainda não morreu resolvi escrever algo sobre o assunto. Só que isso não vai ser agora, pois tenho que atender a demanda, e há uma fila de pedidos sobre textos que devo postar. Então começo pelo pedido do Mol, que quer conhecer um pouco mais sobre as katanas e sua evolução. Com o intuito de encontrar imagens interessantes para ilustrar os meus textos tive a sorte de encontrar muito material interessante. Acabei aprendendo muito mais. Então vou repassar todo este material em partes, como fiz com as eras do Japão. Ok? Então vamos nessa.

Período Jomon

Espada de Pedra

     Vocês se lembram daquele período dos vasos de barro? Então... Naquela época já se produziam as primeiras espadas no Japão. Mas estas eram feitas de perda, por tanto, sem corte. Elas eram armas de caça, de luta, e também de rituais religiosos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 Período Yayoi

Espadas de Bronze     Foi neste período que eu relatei sobre espadas sendo encontradas enterradas. Porém estas espadas já não eram de pedra, mas sim de bronze. Acredita-se que estas espadas vieram importadas da China. Comparativamente às espadas de pedra, as de bronze eram tinham uma qualidade muito maior e uma decoração mais requintada, por isso elas passaram a ser símbolos de status. No entanto, o bronze é um material muito suave, não permitindo um bom fio e robustez. Outro fator negativo é a alta corrosividade do cobre.

 

 

 

 Período Asuka

Chokuto     As espadas feitas de aço tiveram sua origem na China e Coréia, entretanto, sabemos que no século V elas já eram produzidas no Japão. Estas eram retas, com fio um fio chamadas Chokuto. Mas como este ainda era o estágio inicial na arte da feitura de espadas muitos testes eram feitos, e algumas espadas de lâmina dupla também eram fabricadas.

 

 

 

 

 

 

 Período Heian

Tachi     Até o século VIII o que predominava eram as espadas de lâmina reta, então o estilo de luta começou a se alterar com a introdução dos cavalos nas batalhas, o que gerou a necessidade se encurvar as lâminas para facilitar o desembainhamento rápido. Esta curvatura é denominada Sori. Assim surgiram as Tachis (tati), as espadas curvas de fio único.

     O termo Nipponto ou Nihonto (literalmente, “espada japonesa”) é normalmente reservado às espadasAssinaturas com curvatura.

     Existiram muitas formas intermediárias entre o Chokuto e o Tachi. Os mais freqüentes entre eles eram os Kagarasumarus (curvada com duplo fio) e os Kenukigatatachi.

     Também foi nesta época que criou se a famosa técnica de forja com dois tipos de material, com o interior da lâmina macio e o exterior duro.

     Outro costume adotado nesta época é a assinatura do artesão em suas obras, o que demonstra o surgimento de ‘grifes’.

 Período Kamakura

Tachi Kamakura     Este período é conhecido como a idade dourada das nihontos. Lembrem-se que agora havia um novo governo militarista no poder. O bakufu obrigou todos os melhores artesões a trabalhar para a corte com isso a coIkubinfecção das espadas alcançou um notável progresso.

     As espadas de Kamakura eram mais largas, com pequena diferença entre a o topo e a base da lâmina.

     A ponta das lâminas, chamada de kisaki, era freqüentemente de tipo ikubi (pescoço de touro).

     Foi também no período Kamakura que houve as invasões mongóis lideradas por Kublai Khan. E o encontro das armas provou que havia fraquezas nas Tachis. Por exemplo, a ponta era facilmente quebrada e não podia ser consertada. Estas experiências afetaram o desenho das espadas posteriores.

 

 

 Período Nanpokucho (1334 d.C. a 1393 d.C.)

     Vocês vão notar que eu não fiz menção a este período quando narrei a história do Japão. Embora seja uma época de extrema importância ela foi curta e por isso, quase sempre, é aglutinada ao período Muromachi.

     Esta foi a época da restauração Kenmu, quando o imperador Godaigo retoma o poder nas mãos da linhagem imperial. Só que dura pouco tempo no poder, pois suas atitudes levam Takauji a expulsá-lo e criar o bakufu Muromachi.

     Este período foi recheado por muitas guerras e isso fez com a necessidade por espadas alcançasse uma grande escala. Mas a quantidade trouxe uma queda na qualidade de muitas espadas.

     A grande quantidade de soldados gerou os ashigaru, aqueles que não lutavam a cavalo e iam à pé. E isso elevou uma vez mais a importância das espadas muito longas, devastadoras quando usadas com as duas mãos. Essas Odachi e Nodachi tinham lâminas entre 1,20m e 1,50m. Existiram algumas espadas com mais de 2 metros de comprimento, porém estas eram apenas cerimoniais.

     Aí está o início da grandiosa arte da forja de espadas. Nos próximos posts descreverei melhor os tipos de espadas e as formas de forja. Aguardem e confiem.



 Escrito por Anórion Sulin às 00:06
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Período Heisei (1989 d.C aos dias atuais)

     Chegamos aos dias de hoje, o Período Heisei. E como não podemos fazer uma avaliação abrangente deste período, limito-me a comentar a sucessão do trono do crisântemo. Com a morte de seu pai, Akihito assume o poder e inicia uma nova era, marcada por grandes avanços e tranqüilidade. Em 1993, o príncipe se casa com a plebéia Shoda Michiko.

 Família Imperial
A Família Imperial. Da Esquerda: Princesa Masako, Princesa Sayako, o Imperador Akihito, Princesa Mako, Príncipe Akishino, a Imperatriz Michiko, Princesa Akishino - carregando a Princesa Kako, Príncipe da Coroa Naruhito

     A partir do começo da década de 90 o Japão firma-se como a segunda maior potência econômica mundial, acumulando saldos gigantescos no comércio exterior, principalmente nas relações comerciais com os Estados Unidos.

     Finalmente, concluo este relato de todas as eras por quais passou o Japão. Um país belo, culturalmente rico, economicamente um gigante, mas que tem um povo sofrido. Que teve que aturar guerras, fomes, calamidades naturais, e com isso aprendeu a se unir para avançar. Um povo orgulhoso de suas raízes e que sabe que o trabalho duro é a única forma para atingir a satisfação pessoal. Se teve momentos em sua história em que erraram, certamente, o castigo também já foi lhes impingido sem misericórdia. Assim moldou-se a cultura nipônica atual. Influenciada pelo ocidente, fortemente enraizada no passado, e embasada no trabalho duro. Até a próxima...



 Escrito por Anórion Sulin às 04:51
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